Um olhar sobre a região sul dos Estados Unidos a partir de um crime motivado por racismo: o assassinato de James Byrd Jr, homem negro que foi espancado e arrastado pelo asfalto em Jasper, Texas.
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Fosse realizado de maneira ensaística, poderia ser ótimo, mas, da forma como foi executado, sem qualquer indução interna à escolha do tema, soou-me problemático em sua demonstração de autoralidade (vide os longos 'travellings' automobilísticos para a frente que ecoa diretamente os movimentos laterais em DO LESTE) numa conjuntura vicinal tão marcada por problemas raciais e sociais em geral. Sendo a diretora uma mulher européia, branca, bissexual e dotada de forte arcabouço filosófico, seu tratamento do assunto pareceu assimilador (num sentido negativo). Amei as seqüências na igreja - sobretudo quando envolve as crianças - mas incomodei-me bastante com as opções distantes da diretora em relação à abordagem. Está longe de ser colonizatório - para quem conhece a filmografia akermaniana, muitos traços são reconhecíveis - mas faz uso de um utilitarismo artístico que choca-se com a crueza documental irrefreada. Sobremaneira irregular, o filme que menos apreciei da diretora, em mais de um sentido! (WPC>)
Chantal chegou a declarar que o silêncio dos negros do Sul lhe lembrava muito o silêncio dos judeus submetidos aos campos de concentração - que ela soube de perto no corpo da mãe. Ela aproxima experiências de dores silenciosas com muita sensibilidade, e expande o abraço desse silêncio: para as queer desenraizadas, as lésbicas assumidas, os povos privados de pátria. Então se descobre, num sussurro ou num cântico spiritual ou no sopro do vento, que o lar são eles (somos nós) mesmos.
Melhor doc da diretora até agora.
Documentário forte sobre preconceito racial nos estados sulistas dos EUA partindo do assassinato brutal de um negro por quatro brancos. Além de adentrar a partir de depoimentos numa cultura norte-americana fortemente desigual e preconceituosa, o destaque fica para as cenas belíssimas e densas de planos silenciosos por paisagens e bairros de Jaspen, denunciando um racismo já impregnado na própria estrutura física das cidades, nos cercados de terras e na própria natureza...