Um acidente de carro nas águas do porto de Shinko, na província de Toyama. Lá está o magnata e empresário Fukutaro Shirakawa que morre afogado. Ao seu lado, a sua segunda esposa, Kumako (Kaori Momoi) que sai ilesa do acidente. Logo, revela-se que o marido de Kumako tinha um seguro de 300 milhões de ienes. Então, a esposa vai presa por suspeita de assassinato do marido para retirar o dinheiro do seguro. Os jornais descrevem o caso de uma mulher perversa e o público fica ainda mais seguro de que Kumako é culpada. Ritsuko Sahara (Shima Iwashita) é convocada para ser sua advogada de defesa, mas as duas entram constantemente em conflito.
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Em torno do duelo magistral de atuações das divas japonesas Shima Iwashita e Kaori Momoi, um grande cineasta como Yoshitaro Nomura, ainda que muito desconhecido do grande público internacional, recria a fórmula do filme de tribunal num espetacular quebra-cabeça psicológico transformado por elas em palco de luta livre. Os diálogos brilhantemente afiados e ferozes revelam também o lado sarcástico do filme, mas não podemos esquecer - onde tem Nomura, também terá o suspense literário de Seichō Matsumoto. Parceria prolífica!
Sucesso de público e de crítica durante o lançamento no Japão e marcado pelas questões socioculturais de seu tempo - dinheiro, posição social, casamento, SUSPICION não apenas se apropria do imaginário camp de mulheres fortes e ousadas das soap operas, mas revela brutalmente a misoginia vivida pelas mulheres japonesas da época.
Seria como dizer que se ela fosse submissa ao casamento e aos valores familiares, vestida de maneira honrada com seu kimono de seda, talvez não teria caído numa vida sórdida e vulgar. A mesma coisa vale para a sua defensora que seria mais realizada se não tivesse optado pelo trabalho, negligenciando o matrimônio e a própria filha. Curiosamente, apesar da diferença de status e estilo de vida entre a acusada e a advogada, sob o olhar patriarcal da sociedade japonesa que o filme insiste em provocar, ambas seriam criminosas e imorais.