Durante o lockdown de 2020, Lucrecia Martel volta para casa em Salta, Argentina. Ela segue Julieta Laso que, como uma musa, a apresenta a um grupo de artistas mulheres e pessoas desafiadoras que trocam olhares e opiniões ao redor de uma fogueira.
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eu realmente curti bastante a cantoria nesse curta, até as mais estridentes têm mensagens interessantes
[15/08/2024]
Não tinha como não ser um filme interessante... Vindo de quem veio e protagonizado por um grupo especial de cantantes, até que o saldo é positivo. Entretanto, o que é prometido na sinopse não chega a ser visto especificamente no documentário (o conservadorismo da região é secundarizado pela generalização sistêmica da opressão contra mulheres, homossexuais, transexuais, indígenas e afins). Trata-se de uma metonímia em 'off', redundante enquanto impulso natural (lutar contra a sanha censuradora de outrem é uma missão orgânica de quem assume-se humano). Apesar de eu gostar muito desse tipo de canção folclórica, não achei que o filme consegue torná-la suficientemente simpática para quem não conhecia seu trabalho prévio. Na verdade, do modo como ela é apresentada - em grupo - apreciar a sua obra torna-se uma obrigação política, não uma opção estética. E isso interfere em nossas percepções do próprio documentário, que parece pouco definido em suas intenções intrínsecas, além de automático em seu projeto autoral. Agrada eventualmente, mas se esvai muito rápido. A ponto de eu não conseguir parar de perguntar a mim mesmo: se tudo isso foi filmado em plena pandemia, por que ninguém usava máscaras?! (WPC>)