Indifferent to the notion of inheriting his father's estate, a Williamsburg guy passes the time with his friends, playing games of mock sincerity and irreverence.
O surto de comediantes de stand-up que inundou a cultura pop nos últimos 10 anos é algo enorme, principalmente nos EUA. E a saturação desse mercado criou uma horda de piadistas sem limites, online e offline, preparados para comediar tudo e todos, de preferência da forma mais ofensiva possível. "The zuera never ends", certo? "The Comedy" oferece uma visão da inércia privilegiada que se esconde por trás desse cinismo (pseudo? anti?) cômico.
Swanson é um homem branco rico, que nunca precisou bater um prego numa barra de sabão pra se virar. Seu pai está morrendo, e esse é o tipo de situação que balança o íntimo de qualquer ser humano, certo? O lance é que o compromisso de Rick Alverson não é com uma narrativa linear, com focos e planos de fundo, com sequência de acontecimentos relacionados diretamente - o que ele busca afirmar é justamente a necessidade do cinema abordar a natureza estranha e aleatoriamente caótica da vida real. A personalidade escrota de Swanson se torna palpável através do que ele e seus amigos chamam ~~humor~~, sim, mas a graça do cinema de Alverson está nas ambiguidades. O cara que vai em um bar no meio de uma vizinhança majoritariamente negra pra fazer piadas racistas, que paga $400 pra dirigir um táxi e assediar mulheres nas ruas, que vê como piada ameaçar estuprar uma colega de trabalho, é o mesmo que descarrega sua raiva da situação de quase-morte do pai cavando um buraco, que tenta aliviar estresse de sua vida pedalando com toda força que tem, que entrega sua fragilidade emocional no ombro da cunhada. Mas, claro, sempre dando contornos absurdos a seus atos, afinal a comédia em questão é justamente a que acontece fora dos palcos. Por isso que na tentativa de se mostrar menos inútil do que aparenta ele vai buscar um emprego de lavador de pratos. Por isso que para levar a intelectual de esquerda pra cama, ele bota pra fora meio mundo de abobrinhas racistas, xenofóbicas e conservadoras. É tudo sobre romper os limites, ser edgy, mas sem nunca parecer estar tentando. É o tal do ~~medo do fracasso~~ que ele, como bom hipster, disfarça de piada pra que ninguém perceba sua inércia e não note que suas tentativas não são apenas uma punchline.
Um dos fracassos de Swanson está justamente na sua capacidade de interagir de fato com as outras pessoas. O que ele tem a oferecer é apenas um show, uma perfomance verborrágica pra onde nem ele mesmo sabe aonde vai dar. A resposta alheia é desnecessária, e a rejeição silenciosa diante de seus números é a reação que ele anseia como confirmação de si, da força de sua transgressão. E aí reside o fracasso da personagem enquanto comediante, e de sua vida enquanto comédia. O segredo do humor está no inesperado (e Alverson demonstra acreditar nisso, com a cena inicial que vem do nada pra nos deixar entender que "The Comedy" não é "mais uma comédia") mas também no engajamento espontâneo que a cena final do longa guarda pra nós. Entre a anticomédia e a comédia há a vida cotidiana, sem roteiro e sem sentido, que você pode ler como quiser mas cujos fatos você provavelmente só conseguirá dar significado depois de acontecidos.
Legal ver essa afirmação em defesa de um cinema mais real aqui, que aborde a vida de uma forma menos idealizada e seu transcorrer como algo menos ordenado, ainda maissabendo que nela existe o germe do que viria a se tornar "Entertainment" (um dos meus filmes favoritos), que aborda essas afirmações com mais profundidade e, por quê não dizer?, mais talento.
um filme resposta pra frances ha
o começo tava bom ai ficou meio ruim depois ficou bom de novo ai ficou ruim e depois péssimo
O surto de comediantes de stand-up que inundou a cultura pop nos últimos 10 anos é algo enorme, principalmente nos EUA. E a saturação desse mercado criou uma horda de piadistas sem limites, online e offline, preparados para comediar tudo e todos, de preferência da forma mais ofensiva possível. "The zuera never ends", certo? "The Comedy" oferece uma visão da inércia privilegiada que se esconde por trás desse cinismo (pseudo? anti?) cômico.
Swanson é um homem branco rico, que nunca precisou bater um prego numa barra de sabão pra se virar. Seu pai está morrendo, e esse é o tipo de situação que balança o íntimo de qualquer ser humano, certo? O lance é que o compromisso de Rick Alverson não é com uma narrativa linear, com focos e planos de fundo, com sequência de acontecimentos relacionados diretamente - o que ele busca afirmar é justamente a necessidade do cinema abordar a natureza estranha e aleatoriamente caótica da vida real. A personalidade escrota de Swanson se torna palpável através do que ele e seus amigos chamam ~~humor~~, sim, mas a graça do cinema de Alverson está nas ambiguidades. O cara que vai em um bar no meio de uma vizinhança majoritariamente negra pra fazer piadas racistas, que paga $400 pra dirigir um táxi e assediar mulheres nas ruas, que vê como piada ameaçar estuprar uma colega de trabalho, é o mesmo que descarrega sua raiva da situação de quase-morte do pai cavando um buraco, que tenta aliviar estresse de sua vida pedalando com toda força que tem, que entrega sua fragilidade emocional no ombro da cunhada. Mas, claro, sempre dando contornos absurdos a seus atos, afinal a comédia em questão é justamente a que acontece fora dos palcos. Por isso que na tentativa de se mostrar menos inútil do que aparenta ele vai buscar um emprego de lavador de pratos. Por isso que para levar a intelectual de esquerda pra cama, ele bota pra fora meio mundo de abobrinhas racistas, xenofóbicas e conservadoras. É tudo sobre romper os limites, ser edgy, mas sem nunca parecer estar tentando. É o tal do ~~medo do fracasso~~ que ele, como bom hipster, disfarça de piada pra que ninguém perceba sua inércia e não note que suas tentativas não são apenas uma punchline.
Um dos fracassos de Swanson está justamente na sua capacidade de interagir de fato com as outras pessoas. O que ele tem a oferecer é apenas um show, uma perfomance verborrágica pra onde nem ele mesmo sabe aonde vai dar. A resposta alheia é desnecessária, e a rejeição silenciosa diante de seus números é a reação que ele anseia como confirmação de si, da força de sua transgressão. E aí reside o fracasso da personagem enquanto comediante, e de sua vida enquanto comédia. O segredo do humor está no inesperado (e Alverson demonstra acreditar nisso, com a cena inicial que vem do nada pra nos deixar entender que "The Comedy" não é "mais uma comédia") mas também no engajamento espontâneo que a cena final do longa guarda pra nós. Entre a anticomédia e a comédia há a vida cotidiana, sem roteiro e sem sentido, que você pode ler como quiser mas cujos fatos você provavelmente só conseguirá dar significado depois de acontecidos.
[visto em 28/03/16]
A comédia mais deprê
James Murphy fazendo uma pontinha haha demais!