Um casal britânico tem que lidar com as consequências de um acidente aleatório, seus amigos e os marroquinos locais convergem em uma vila luxuosa deserta durante uma festa.
Filme difícil, com choque de culturas e costumes, estranho e às vezes confuso. Os ricos ocidentais se divertindo às custas das ex colônias que tanto exploraram. A ideia é até boa, atores idem, mas a trama se perde em vários momentos. O ser humano, seja em qualquer país ou cultura, ainda é vingativo, indiferente, explorador, violento, imprevidente e autodestrutivo. Talvez tenha sido este o motivo da confusão na trama, que se perdeu nas excentricidades e no final estranho.
A trama base do filme é uma bagunça. Festa no meio do Marrocos, convidados excêntricos, um contratempo (um tanto nebuloso), metade do elenco para um lado, a outra pro outro... tudo isso, misturado aos costumes locais, incrivelmente, gera alguma tensão. Confesso que esperava mais, mais apuro. Fica arrastado, as tramas paralelas não ajudam. Não é ruim, mas acho que, pelo orçamento, era pra entregar mais. Tem uma pequena (em tanto em aberto) crítica geopolítica, carregado de preconceito, dos colonizadores retornarem à colônia para e divertir. Um parque de diversão exótico, sem regras... Talvez essa seja a melhor parte.
Apesar de ser um filme meio arrastado, tem um trecho que engrena: entre a morte de um garoto por atropelamento e a visita forçada do motorista ao vilarejo para prestar-lhe condolências, ainda que tudo não soa nem um pouco orgânicos. Convidados a passar uns dias de festa em pleno deserto do saara ao lado de vários ricaços, o casal vividos pelos ótimos Ralph Fiennes e Jéssica Chastain se vê em apuros dado atropelarem um garoto enquanto o homem dirigia bêbado ao local de encontro. Por mais que a festa em si não seja o foco do filme, o fato da produção optar por um ambiente contido e nem um pouco caprichado, nos leva a questionar: mas que diabos eles foram fazer ali? Não há absolutamente nada que justifique tamanha missão em se deslocar tantos quilômetros para um ambiente com pessoas chetérrimas e sem muitos atrativos. O grande barato do filme ficou por conta mesmo não apenas da atuação do casal principal, mas principalmente pelas tiradas sarcásticas envolvendo o choque cultural visto em tela: um inglês que decide manter a pose, uma mulher que claramente está entediada do casamento, e um crime que lhe atormenta. Evitando o envolvimento policial, ele decide fazer o que o pai do jovem marroquino está disposto a lhe cobrar, e ao menos o suspense para que ele vá até a cidade natal do garoto para enterrar o corpo e participar do ritual fúnebre vai sustentando o tempo em tela. Fora isso, os personagens secundários vão interagindo com um humor tipicamente britânico, e temos desde os anfitriões homossexuais ao affair da mulher que vai despertando-lhe uma série de desejos, e que acompanhamos até com curiosidade, dado, repito, o talento dos personagens principais. Mas fora essa explosão de multiculturalismo a desafiar as identidades dos indivíduos num resort a 40º graus, não resta ao filme muita coisa, mesmo porque sua projeção é burocrática e apenas razoável. É um filme para ver, dar algumas risadas, e esquecer logo em seguida.
Fotografia merece destaque.
Filme difícil, com choque de culturas e costumes, estranho e às vezes confuso. Os ricos ocidentais se divertindo às custas das ex colônias que tanto exploraram. A ideia é até boa, atores idem, mas a trama se perde em vários momentos. O ser humano, seja em qualquer país ou cultura, ainda é vingativo, indiferente, explorador, violento, imprevidente e autodestrutivo. Talvez tenha sido este o motivo da confusão na trama, que se perdeu nas excentricidades e no final estranho.
17/05/2023
Assistivel
A trama base do filme é uma bagunça. Festa no meio do Marrocos, convidados excêntricos, um contratempo (um tanto nebuloso), metade do elenco para um lado, a outra pro outro... tudo isso, misturado aos costumes locais, incrivelmente, gera alguma tensão.
Confesso que esperava mais, mais apuro. Fica arrastado, as tramas paralelas não ajudam. Não é ruim, mas acho que, pelo orçamento, era pra entregar mais. Tem uma pequena (em tanto em aberto) crítica geopolítica, carregado de preconceito, dos colonizadores retornarem à colônia para e divertir. Um parque de diversão exótico, sem regras... Talvez essa seja a melhor parte.
Apesar de ser um filme meio arrastado, tem um trecho que engrena: entre a morte de um garoto por atropelamento e a visita forçada do motorista ao vilarejo para prestar-lhe condolências, ainda que tudo não soa nem um pouco orgânicos.
Convidados a passar uns dias de festa em pleno deserto do saara ao lado de vários ricaços, o casal vividos pelos ótimos Ralph Fiennes e Jéssica Chastain se vê em apuros dado atropelarem um garoto enquanto o homem dirigia bêbado ao local de encontro.
Por mais que a festa em si não seja o foco do filme, o fato da produção optar por um ambiente contido e nem um pouco caprichado, nos leva a questionar: mas que diabos eles foram fazer ali? Não há absolutamente nada que justifique tamanha missão em se deslocar tantos quilômetros para um ambiente com pessoas chetérrimas e sem muitos atrativos.
O grande barato do filme ficou por conta mesmo não apenas da atuação do casal principal, mas principalmente pelas tiradas sarcásticas envolvendo o choque cultural visto em tela: um inglês que decide manter a pose, uma mulher que claramente está entediada do casamento, e um crime que lhe atormenta. Evitando o envolvimento policial, ele decide fazer o que o pai do jovem marroquino está disposto a lhe cobrar, e ao menos o suspense para que ele vá até a cidade natal do garoto para enterrar o corpo e participar do ritual fúnebre vai sustentando o tempo em tela.
Fora isso, os personagens secundários vão interagindo com um humor tipicamente britânico, e temos desde os anfitriões homossexuais ao affair da mulher que vai despertando-lhe uma série de desejos, e que acompanhamos até com curiosidade, dado, repito, o talento dos personagens principais.
Mas fora essa explosão de multiculturalismo a desafiar as identidades dos indivíduos num resort a 40º graus, não resta ao filme muita coisa, mesmo porque sua projeção é burocrática e apenas razoável. É um filme para ver, dar algumas risadas, e esquecer logo em seguida.