Dois adolescentes tentam enganar um vizinho fazendo-o pensar que uma casa é mal-assombrada, mas a vítima deles aparenta ser muito mais perigosa do que imaginavam.
O Bom Vizinho revela uma obra dolorosamente melancólica sobre a frieza das relações na modernidade.
O filme expõe como a tecnologia de vigilância e a obsessão por cliques na era digital promoveram a total desumanização do outro, reduzindo o sofrimento alheio a mero entretenimento.
Os jovens protagonistas, cegos pela apatia de uma sociedade hiperconectada, invadem a privacidade do vizinho idoso não apenas por diversão, mas como sintoma de um vazio geracional profundo.
Do outro lado, o personagem de James Caan encarna a dor invisível do isolamento urbano, personificando o descarte cruel que a modernidade impõe à terceira idade.
Sua casa solitária e cheia de luto reflete a falência dos laços comunitários em um sistema que mercantiliza tudo e esquece o valor do afeto genuíno.
Assim, o longa costura magistralmente a denúncia social do panóptico tecnológico com a tragédia sentimental da solidão, lembrando-nos, com intensa melancolia, do alto custo humano de transformar pessoas em dados.
Em todos os atos temos filmes diferentes.O pior de acompanhar é o primeiro ato,onde os dois adolescentes principais irrita bastante com suas aparições.Do segundo ato em diante vimos o filme decolar,mas nada que impressione.Cria suspense dentro da residência do tal vizinho e algumas sequências escuras não conseguem animar e em outras ocasiões o clichê toma de conta.James Caan apenas se divertindo aqui.
6,5 Distraiu. Início é péssimo, depois engrena. Poderia ter mais cenas angustiantes como a principal de suspense no final. Finalzinho, após o desfecho principal, é ruim também.
Em The Good Neighbor, a vizinhança nunca foi tão vigiada — ou invadida. O filme parte de uma premissa que espelha bem o espírito da era digital: dois jovens decidem conduzir um experimento em segredo, instalando câmeras e mecanismos de controle remoto na casa de um vizinho idoso, tudo em nome da curiosidade e, claro, de um possível conteúdo viral. Mais do que um thriller, o longa parece se construir como um comentário sobre a obsessão contemporânea por observar — e controlar — a vida alheia.
À primeira vista, o velho parece corresponder ao perfil de um vilão pronto para emergir de algum porão mal iluminado. O suspense se apoia nessa suspeita — e nesse preconceito. Afinal, quem nunca julgou um vizinho pelo silêncio, pelas luzes apagadas, pelos hábitos estranhos? Mas The Good Neighbor logo se mostra menos interessado em sustos e mais inclinado ao estudo de personagens e consequências.
Há ecos de Black Mirror na frieza com que os garotos conduzem o experimento. Eles não são exatamente cruéis, mas também não demonstram qualquer empatia — como se manipular alguém fosse só mais um projeto de ciências. Essa postura quase clínica, aliada ao desejo por engajamento e espetáculo, revela um tipo específico de desumanização: a que se filma com múltiplas câmeras e se edita com trilha sonora.
No entanto, o filme opta por um caminho menos sombrio do que poderia. Poderia soar como uma imersão mais direta no terror — à la O Homem nas Trevas (2016), com sua violência seca e atmosfera sufocante —, a narrativa aqui pode parecer contida demais. O potencial de horror psicológico é diluído em uma estrutura que inclui até cenas de tribunal, buscando traçar um panorama mais amplo sobre justiça e responsabilidade. É uma escolha válida, mas que, em alguns momentos, pesa contra a tensão.
No fim, The Good Neighbor não assusta — lamenta. E isso tem seu valor, embora reste a sensação de que havia ali material para algo mais ácido e provocador. Se seguisse os passos de Rope (1948), de Hitchcock — onde dois jovens arquitetam um crime por puro prazer intelectual —, a experiência teria sido mais cortante. Lá, a manipulação é um jogo sádico assumido; aqui, esconde-se sob a desculpa de um experimento. A crítica está presente, mas poderia doer mais. Ainda assim, há boas ideias e até uma certa poesia no modo como o filme olha para os restos de humanidade de um homem solitário. Mas o resultado final, ainda que eficaz em sua proposta, talvez não seja tão inesquecível quanto poderia. O experimento termina, a câmera desliga — e o espectador, em vez de perturbado, sai apenas pensativo.
O Bom Vizinho revela uma obra dolorosamente melancólica sobre a frieza das relações na modernidade.
O filme expõe como a tecnologia de vigilância e a obsessão por cliques na era digital promoveram a total desumanização do outro, reduzindo o sofrimento alheio a mero entretenimento.
Os jovens protagonistas, cegos pela apatia de uma sociedade hiperconectada, invadem a privacidade do vizinho idoso não apenas por diversão, mas como sintoma de um vazio geracional profundo.
Do outro lado, o personagem de James Caan encarna a dor invisível do isolamento urbano, personificando o descarte cruel que a modernidade impõe à terceira idade.
Sua casa solitária e cheia de luto reflete a falência dos laços comunitários em um sistema que mercantiliza tudo e esquece o valor do afeto genuíno.
Assim, o longa costura magistralmente a denúncia social do panóptico tecnológico com a tragédia sentimental da solidão, lembrando-nos, com intensa melancolia, do alto custo humano de transformar pessoas em dados.
Em todos os atos temos filmes diferentes.O pior de acompanhar é o primeiro ato,onde os dois adolescentes principais irrita bastante com suas aparições.Do segundo ato em diante vimos o filme decolar,mas nada que impressione.Cria suspense dentro da residência do tal vizinho e algumas sequências escuras não conseguem animar e em outras ocasiões o clichê toma de conta.James Caan apenas se divertindo aqui.
>Asssitido em 22 de Fevereiro de 2026
6,5 Distraiu. Início é péssimo, depois engrena. Poderia ter mais cenas angustiantes como a principal de suspense no final. Finalzinho, após o desfecho principal, é ruim também.
Gostei.
No final, os guris
realmente conseguiram assombrar Harold.
Em The Good Neighbor, a vizinhança nunca foi tão vigiada — ou invadida. O filme parte de uma premissa que espelha bem o espírito da era digital: dois jovens decidem conduzir um experimento em segredo, instalando câmeras e mecanismos de controle remoto na casa de um vizinho idoso, tudo em nome da curiosidade e, claro, de um possível conteúdo viral. Mais do que um thriller, o longa parece se construir como um comentário sobre a obsessão contemporânea por observar — e controlar — a vida alheia.
À primeira vista, o velho parece corresponder ao perfil de um vilão pronto para emergir de algum porão mal iluminado. O suspense se apoia nessa suspeita — e nesse preconceito. Afinal, quem nunca julgou um vizinho pelo silêncio, pelas luzes apagadas, pelos hábitos estranhos? Mas The Good Neighbor logo se mostra menos interessado em sustos e mais inclinado ao estudo de personagens e consequências.
Há ecos de Black Mirror na frieza com que os garotos conduzem o experimento. Eles não são exatamente cruéis, mas também não demonstram qualquer empatia — como se manipular alguém fosse só mais um projeto de ciências. Essa postura quase clínica, aliada ao desejo por engajamento e espetáculo, revela um tipo específico de desumanização: a que se filma com múltiplas câmeras e se edita com trilha sonora.
No entanto, o filme opta por um caminho menos sombrio do que poderia. Poderia soar como uma imersão mais direta no terror — à la O Homem nas Trevas (2016), com sua violência seca e atmosfera sufocante —, a narrativa aqui pode parecer contida demais. O potencial de horror psicológico é diluído em uma estrutura que inclui até cenas de tribunal, buscando traçar um panorama mais amplo sobre justiça e responsabilidade. É uma escolha válida, mas que, em alguns momentos, pesa contra a tensão.
No fim, The Good Neighbor não assusta — lamenta. E isso tem seu valor, embora reste a sensação de que havia ali material para algo mais ácido e provocador. Se seguisse os passos de Rope (1948), de Hitchcock — onde dois jovens arquitetam um crime por puro prazer intelectual —, a experiência teria sido mais cortante. Lá, a manipulação é um jogo sádico assumido; aqui, esconde-se sob a desculpa de um experimento. A crítica está presente, mas poderia doer mais. Ainda assim, há boas ideias e até uma certa poesia no modo como o filme olha para os restos de humanidade de um homem solitário. Mas o resultado final, ainda que eficaz em sua proposta, talvez não seja tão inesquecível quanto poderia. O experimento termina, a câmera desliga — e o espectador, em vez de perturbado, sai apenas pensativo.