Allie Fox (Harrison Ford) é um inventor cheio de idéias que, cansado da mediocridade à sua volta, resolve sair dos Estados Unidos. Assim pega a mulher, os quatro filhos e se manda para o interior de um país da América Central. Allie sonha em ter uma nova vida, mas nem tudo acontece como ele deseja.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
Um dos melhores filmes de aventura do cinema australiano. É pouco lembrado, ainda que estrelado por um Harrison Ford no auge da carreira.
- que arrombadasso maldito, quer ir para o meio do mato se sentir superior e criar uma pseudo civilização pra adorar gelo? vai, mas deixa as pobres das crianças em casa para viverem em segurança
- e só mostrou que era um racista egocêntrico, o mundo tá tão ruim assim por conta de pessoas como ele
Um bom filme, poderia ser melhor se o personagem de Harrison Ford não fosse tão irritante.
Eu lembro desse filme com certa curiosidade mas creio que não assisti até o fim. Resolvi assistir agora e, claro, passado tanto tempo, envelheceu em alguns sentidos. O tema é interessante e partiu de um livro que hoje só é possível de se adquirir em sebos. Voltando ao filme, é a história de um inventor meio amalucado e sua família que embarca literalmente na busca de uma vida singular, alternativa, no meio da floresta. Com seu espírito criativo, o inventor pensa que possui a solução para uma vida longe do que ele chama de decadência do estilo de vida americano. Crê que em pouco tempo os EUA deixarão de existir seja por uma guerra nuclear ou mesmo pela ruína do consumismo exagerado. E parece que tudo vai dar certo, porém a realidade crua bate à sua porta e situações fora de controle põe tudo a perder. Eu não lembrava de que muitas vezes o personagem de Harrison Ford dá mostras claras de ser esquizofrênico, e a família aos poucos vai percebendo isto. É um filme interessante e talvez se tornasse ainda mais interessante se fosse um pouco mais fantasioso, mas não. Aquela utopia de levar uma vida livre de amarras na verdade não existe pois sempre teremos obrigações, deveres e situações que nos fogem ao controle. Basta tu ter dois carros, duas casas - com uma sendo no campo, por exemplo - que a gente já vai percebendo a escancarada realidade: gastos, restauros, estragos, sinistros, e por aí vai. Quanto mais ainda sobreviver e levar uma vida dita "livre" com toda sua família no meio de uma floresta.
A Costa do Mosquito é um estudo visceral sobre o colapso do sonho utópico e a perigosa linha entre o brilhantismo e a loucura, onde a figura de Allie Fox em uma das atuações mais intensas de Harrison Ford, personifica a arrogância do idealismo americano. Ao tentar fugir do consumismo dos Estados Unidos para construir uma sociedade "pura" na selva, Fox ironicamente replica o pior do imperialismo: ele impõe sua tecnologia (a fat boy,máquina de gelo) e vontade sobre o ambiente e sobre os nativos como um deus autoproclamado, transformando seu desejo de liberdade em uma ditadura familiar asfixiante. A destruição final do assentamento pelos homens armados e pela explosão de sua própria máquina de gelo serve como uma metáfora trágica para a húbris humana, provando que o "paraíso" construído sob o ego e o controle absoluto é apenas uma prisão destinada a se tornar um inferno de cinzas e decepção.