Nem só de pão vive o homem e o mundo do papado moderno é um exemplo disto. Entre os benefícios e as responsabilidades, o papa se torna um exemplo para muitas pessoas, mas ser o líder mundial da Igreja Católica tem o seu preço.
Só queria que acontecesse um face off entre os papas e ficassem ambos se excomungando mutuamente, em disputa pelo poder, como faziam os papas e antipapas durante a Idade Média. Não aconteceu, mas a série foi linda: cenários, guarda-roupas, atuações, direção, roteiro...
A questão é o amor. Já em seu primeiro comunicado aos cardeais, João Paulo III dita os caminhos de seu pontificado e, também, os da série como um todo. A apatia e a idolatria. A raiva e a paixão. O abuso, a pedofilia, a devoção, o sacrifício, a tirania, o medo, o peso, a leveza... Entre excessos e negações, deve-se buscar o caminho do meio.
Partindo disso, a série nos mostrará o amor em suas formas desviantes e exemplares. A submissão de Sofia ao marido corrupto: mal. A compaixão de Esther aos maltratados pela natureza: bom. O rancor de Assente por ter sido preterido: amor em seu aspecto negativo. O desprendimento de Gutierrez ao amar e deixar partir: sadio. A obsessão da esposa do médico com o filho doente: paralisante; sua transformação final com a chegada de uma nova criança: redenção maternal. O fanatismo por Lenny Belardo: danoso. A piedade de Pio XIII aos seus devotos: edificante. A culpa mortificante de Brannox pela perda do amor fraternal: depressora; o desligamento com uma realidade que não lhe era própria: libertadora. E por aí vai.
O problema, contudo, é que "O novo papa" não soube construir de maneira orgânica tudo isso que nos apresentou. Os personagens foram severamente alterados em relação à primeira temporada, de modo que até mesmo suas atuações ficaram comprometidas. As mulheres foram pessimamente retratadas: se anteriormente havia uma sutil (ou intelectual) sensualidade no ar, aqui descambamos para uma exploração sexual vulgar de seus corpos. Enquanto Pio XIII havia sido abordado em profundidade, João Paulo III parece um coadjuvante em sua própria história. As freiras são imbecis, ainda mais pela solução dada para seus dilemas.
Enfim... em quase nove horas de série, eles não conseguiram desenvolver a história, destruíram os personagens e, quanto aos diálogos, em dois ou três momentos alcançou a mesma qualidade de "O jovem papa" - o resto atingiu o ridículo completo ou se mostrou uma mera sombra, um simulacro da temporada anterior. Considerando o nível de produção e os realizadores envolvidos, não tenho dúvidas de que esta série é a pior que já assisti, infelizmente.
Esta temporada de New Pope foi uma experiência bem decepcionante após assistir e apreciar tanto a de Young Pope. Gostava bem mais do trio Hendrix-Law-Sagnier, que desta vez perderam espaço para os menos interessantes Sofi Tukker-Malkovich-France. Talvez o que explique a queda de qualidade seja o fato de João Paulo III ser bem menos interessante que Pio, quem tinha os melhores diálogos em uma série muito bem escrita.
Só queria que acontecesse um face off entre os papas e ficassem ambos se excomungando mutuamente, em disputa pelo poder, como faziam os papas e antipapas durante a Idade Média. Não aconteceu, mas a série foi linda: cenários, guarda-roupas, atuações, direção, roteiro...
A questão é o amor. Já em seu primeiro comunicado aos cardeais, João Paulo III dita os caminhos de seu pontificado e, também, os da série como um todo. A apatia e a idolatria. A raiva e a paixão. O abuso, a pedofilia, a devoção, o sacrifício, a tirania, o medo, o peso, a leveza... Entre excessos e negações, deve-se buscar o caminho do meio.
Partindo disso, a série nos mostrará o amor em suas formas desviantes e exemplares. A submissão de Sofia ao marido corrupto: mal. A compaixão de Esther aos maltratados pela natureza: bom. O rancor de Assente por ter sido preterido: amor em seu aspecto negativo. O desprendimento de Gutierrez ao amar e deixar partir: sadio. A obsessão da esposa do médico com o filho doente: paralisante; sua transformação final com a chegada de uma nova criança: redenção maternal. O fanatismo por Lenny Belardo: danoso. A piedade de Pio XIII aos seus devotos: edificante. A culpa mortificante de Brannox pela perda do amor fraternal: depressora; o desligamento com uma realidade que não lhe era própria: libertadora. E por aí vai.
O problema, contudo, é que "O novo papa" não soube construir de maneira orgânica tudo isso que nos apresentou. Os personagens foram severamente alterados em relação à primeira temporada, de modo que até mesmo suas atuações ficaram comprometidas. As mulheres foram pessimamente retratadas: se anteriormente havia uma sutil (ou intelectual) sensualidade no ar, aqui descambamos para uma exploração sexual vulgar de seus corpos. Enquanto Pio XIII havia sido abordado em profundidade, João Paulo III parece um coadjuvante em sua própria história. As freiras são imbecis, ainda mais pela solução dada para seus dilemas.
Enfim... em quase nove horas de série, eles não conseguiram desenvolver a história, destruíram os personagens e, quanto aos diálogos, em dois ou três momentos alcançou a mesma qualidade de "O jovem papa" - o resto atingiu o ridículo completo ou se mostrou uma mera sombra, um simulacro da temporada anterior. Considerando o nível de produção e os realizadores envolvidos, não tenho dúvidas de que esta série é a pior que já assisti, infelizmente.
Esta temporada de New Pope foi uma experiência bem decepcionante após assistir e apreciar tanto a de Young Pope. Gostava bem mais do trio Hendrix-Law-Sagnier, que desta vez perderam espaço para os menos interessantes Sofi Tukker-Malkovich-France. Talvez o que explique a queda de qualidade seja o fato de João Paulo III ser bem menos interessante que Pio, quem tinha os melhores diálogos em uma série muito bem escrita.
Muito inferior a The Young Pope. Extremamente arrastado, só os episódios 01, 02 e 09 são bons.
beeeeeeeeeeeem chato...só vi por causa do Jude Law :P