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Passado e presente colidem em uma Amsterdã assombrada por sua história. Enquanto um narrador descreve os principais eventos que ocorreram durante a ocupação nazista de 1940 a 1945 da capital holandesa, imagens contemporâneas, filmadas entre 2020 e 2022, remontam aos locais exatos.
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As Novas Desventuras de Cliff Booth
Filme-memória, filme-registro. Steve McQueen observa as ruas e interiores de Amsterdã durante os anos pandêmicos enquanto uma voz relata crimes e políticas cotidianas da ocupação n4zista na Holanda. É um filme que dialoga com "Zona de Interesse", o horror da experiência n4zifascista alemã que deixou traços e ecos nos espaços físicos, e aqui na história concreta da cidade. Em relação à forma, McQueen produz imagens distantes a maior parte do tempo, registra o cotidiano dos lugares como se fosse uma presença fantasmagórica que observa o presente enquanto se comenta o passado. Em alguns momentos permite o tempo presente tomar forma de maneira absoluta, a história vívida, como no início da vacinação da COVID-19 e em protestos antifa na Holanda. No fim a cidade fala, a cidade registra, a cidade observa e documenta, McQueen materializa assim isso tudo.
Visto no IMS Paulista.
Longe de moenosprezar a importância do registro, onde imagens atuais (COVID) se cofundem com a narração dos acontecimentos históricos do holocausto, o filme segue um modelo muito cansativo: em cada espaço, localiza o espectador, e bem mais os moradores de Amsterdã, e vai tcedo comentários sobre famílias e histórias de vida. Por 4 horas. Inúmeras famílias. Chega um momento que o cérebro fica entediado de tudo, e o impacto vai se esvaindo.
Documentário colossal de quatro horas baseado no livro "Atlas of an Occupied City: Amsterdam 1940-1945" de Bianca Stigter (esposa do diretor). O filme cria um instigante quadro comparativo entre o espaço físico atual, lugares onde prédios e casas ainda existem ou já foram demolidos, com relatos históricos ocorridos nesses locais, alguns profundamente perturbadores, da época da ocupação nazista na cidade de Amsterdam, dando certo enfoque ao destino dos judeus que lá tiveram passagem. Cria momentos interessantes de contrastes, pois a imagem é sempre contemporânea enquanto a narração é sempre sobre esse passado traumático. Invariavelmente nos deparamos com imagens de jovens a se divertir, beber, fumar, brincar. Nada que qualquer jovem não faria, mas funciona como um contraponto ilustrativo no filme. Ainda que a história de Anne Frank seja conhecida no mundo todo, uma pesquisa divulgada em 2023 relata que mais da metade dos holandeses não estava ciente da deportação e assassinato de judeus do país durante a Segunda Guerra Mundial, que um quarto dos millennials e da geração z do país acredita que o Holocausto é um mito ou um exagero.
Quem tem interesse por história, já visitou ou mesmo mora em lugares que foram palco de eventos significativos (ainda que mesmo só em nível pessoal ou familiar), já deve ter pensado muito nesse sentido, de como esses lugares meio que carregam consigo fantasmas do passado. Assim que se conhece a história, esses espaços se tornam um terreno extrafísico. Lembrei de uma graphic novel que faz algo neste sentido, "Aqui" de Richard McGuire, que aparentemente está em fase de adaptação para o cinema. Occupied City, filmado durante a pandemia da Covid-19, traz pelo menos para mim uma relação confusa que pode levar a ilações perigosas entre a ocupação nazista na cidade, com suas restrições, proibições e perseguições, com as regras de controle de saúde necessárias para a época. Talvez McQueen queria apenas mostrar diferentes e intensos episódios breves de limitações individuais na cidade. Mas enquanto o cerceamento nazista matou milhares de pessoas, o lockdown era necessário para poupar mais vidas. O filme a mim foi um tanto cansativo depois de um tempo, pois a forma é levada de maneira regular do início ao fim, provocando uma narcotização dos sentidos. A narração é quase ininterrupta, com breves momentos de alívio.