Em um vale remoto no Butão, Sangay, de 16 anos, vive com o pai que é escultor tradicional de falos. Infeliz, rodeada de pessoas cujas vidas são governadas por crenças rigorosas, ela se sente presa. Seu pai não fica contente ao descobrir que ela anda com um homem casado de classe social inferior.
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"Seu pai faz o que?" - "Picas!"
"Quem disse que não sou forte o suficiente?".
Filme bastante simbólico e alegórico. Confesso que faltam-me alguns elementos suficientes para saber se parte da realidade apresentada é totalmente comum no país ou se é mais alegórico com alguns outros subtextos. De todo o modo é um filme intrigante, frio e impactante. O país retratado, Butão, fica "emparedado" por dois únicos países, China e Índia...essa parece ser quase uma alegoria geográfica para a triste sina de Sangay, também sufocada pelo machismo e normas rígidas culturais e religiosas do pai e o fanatismo e machismo estrutural do homem o qual se intitula seu namorado (e que dela se aproxima). Sangay não possui qualquer referência feminina e para ela os sonhos e as perspectivas se prolongam em moroso e aviltante silêncio que lhe corrói a alma. Na realidade dura, pobre e difícil do interior do remoto Butão, ser e estar mulher e jovem parece quase uma sina determinista de sofrimento, preconceitos e exclusão. É um filme impactante, que dialoga também muito a partir das composições visuais e simbologias que o diretor vai apresentando.
Fotografia deslumbrante, retrato de fato inusual do "país da felicidade", mostrado aqui numa dolorosa faceta rural e tradicionalista, opressora e misógina. A direção é muito boa, com paixão declarada pelas paisagens locais, ainda que as mesmas não sejam espetacularizadas. Tinha tudo para ser um filme magnífico, mas os diálogos incomodam bastantes, pois são redundantes, repetitivos e não enfrentam de frente os preconceitos denunciados. O desfecho é emocionante em seu impacto visual, mas senti falta de música no filme. Uma certeza: estamos diante de um cineasta a ser observado! (WPC>)
Belíssimo filme.