...E contendo as lágrimas de entusiasmo de poder encontrar ainda filmes que chegam às profundezas do âmago e que, principalmente, não perdem o próprio potencial de serem surpreendentes - apesar do excesso de filmes que assistimos, KAGE NO KURUMA [影の 車, "O carro da sombra", (e não "A sombra do carro") de 1970] é uma obra espetacular de um dos diretores mais subestimados da indústria cinematográfica japonesa.
Yoshitaro Nomura preparou um coquetel a base de filme de horror psicológico e melodrama familiar setentista tão misterioso quanto seu título indecifrável. Esta "sombra interior" que atormentaria o protagonista com dúvidas e que não se pode definir explicitamente a não ser pelas inúmeras sugestões que esta experiência fílmica propõe. O que levaria um homem adulto a se sentir ameaçado por uma criança de seis anos?
Hamajima é o típico trabalhador assalariado de grandes centros urbanos que encontramos nas ficções populares japonesas com idas e vindas do trabalho, numa rotina familiar monótona, quase como se estivesse aguardando o acontecimento de algo arrebatador na vida dele.
A delicadeza de Go Kato interpretando este personagem ao encontrar a charmosa viúva Yasuko (a brilhante Shima Iwashita) com seu filho misterioso é singular. A posição de grande fraqueza e insegurança neste gênero que geralmente é associada à vítima feminina surpreende ao insistir na fragilidade masculina do protagonista.
Nomura realiza aqui mais uma adaptação do célebre autor de narrativas de investigação policial, Seicho Matsumoto, e deveria se destacar não apenas por este exercício de gênero de horror cinematográfico (incomum entre os diretores japoneses de sua geração, diga-se de passagem), mas também por ter atravessado várias décadas do cinema nipônico e ter feito prova de grande versatilidade em suas obras - dos musicais aos filmes de época - dentro da estrutura de produção dos grandes estúdios japoneses.
...E contendo as lágrimas de entusiasmo de poder encontrar ainda filmes que chegam às profundezas do âmago e que, principalmente, não perdem o próprio potencial de serem surpreendentes - apesar do excesso de filmes que assistimos, KAGE NO KURUMA [影の 車, "O carro da sombra", (e não "A sombra do carro") de 1970] é uma obra espetacular de um dos diretores mais subestimados da indústria cinematográfica japonesa.
Yoshitaro Nomura preparou um coquetel a base de filme de horror psicológico e melodrama familiar setentista tão misterioso quanto seu título indecifrável. Esta "sombra interior" que atormentaria o protagonista com dúvidas e que não se pode definir explicitamente a não ser pelas inúmeras sugestões que esta experiência fílmica propõe. O que levaria um homem adulto a se sentir ameaçado por uma criança de seis anos?
Hamajima é o típico trabalhador assalariado de grandes centros urbanos que encontramos nas ficções populares japonesas com idas e vindas do trabalho, numa rotina familiar monótona, quase como se estivesse aguardando o acontecimento de algo arrebatador na vida dele.
A delicadeza de Go Kato interpretando este personagem ao encontrar a charmosa viúva Yasuko (a brilhante Shima Iwashita) com seu filho misterioso é singular. A posição de grande fraqueza e insegurança neste gênero que geralmente é associada à vítima feminina surpreende ao insistir na fragilidade masculina do protagonista.
Nomura realiza aqui mais uma adaptação do célebre autor de narrativas de investigação policial, Seicho Matsumoto, e deveria se destacar não apenas por este exercício de gênero de horror cinematográfico (incomum entre os diretores japoneses de sua geração, diga-se de passagem), mas também por ter atravessado várias décadas do cinema nipônico e ter feito prova de grande versatilidade em suas obras - dos musicais aos filmes de época - dentro da estrutura de produção dos grandes estúdios japoneses.