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Data de lançamento
28 Abril 2018Duração
Nove de dezembro de 2001, 02h41, Durham, Carolina do Norte. O telefone do esquadrão de resgates recebe a chamada de um homem dizendo que sua esposa caíra das escadas. Quando a polícia e a equipe médica chegam ao local, cinco minutos depois, era tarde demais e a vítima estava morta. A quantidade de sangue ao redor do corpo era assustadora. Para os investigadores, os fatos falavam por si: não se tratava de um acidente. Uma semana depois, o marido - o jornalista e escritor Michael Peterson - é preso. Assim começa uma viagem singular de 360 minutos, que resultam nesta série de oito episódios, com 45 minutos cada, em busca da causa da morte de Kathleen Peterson.
Três novos episódios que reabrem o caso da Escadaria. Em 2001, o escritor Michael Peterson foi acusado do assassinato de sua esposa, Kathleen, que foi encontrada morta em uma poça de sangue no topo das escadas de sua casa. Anos depois, porém, continua a não haver certezas acerca do veredicto a que o júri chegou anos antes. “Será que o fez?”
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Este caso já nasce com cara de ficção: um marido excêntrico, afetuoso e infiel, um casamento tido como perfeito, e então... o corpo da esposa ao pé de uma escada. Mas o que realmente me desarma é como a realidade parece sempre dar um passo além do plausível — outra mulher ligada a Michael morta da mesma forma anos antes, um atiçador que aparece como se tivesse perdido a deixa, a promotoria transformando sexualidade em espetáculo. Em qualquer outro contexto, seria excesso. Aqui, é só mais uma camada.
Existe uma expectativa quase automática em toda narrativa criminal: a de que, no fim, a gente vai saber. Quem fez, por que fez, como fez. Eu entro nessas histórias com esse acordo silencioso, como se estivesse apenas aguardando o momento em que tudo finalmente se encaixa — e, quase sempre, me permito formar uma convicção no caminho. Em The Staircase (2004), isso nunca acontece. Os elementos estão todos ali, prontos para sustentar um thriller eficiente, desses que nos conduzem a uma conclusão inevitável. E, ainda assim, eu oscilo. Há momentos em que tudo em Michael Peterson parece apontar para culpa; em outros, a própria fragilidade das provas desmonta qualquer certeza. É curioso ver como tantas pessoas têm opiniões tão bem resolvidas sobre o caso, enquanto eu permaneço preso nesse espaço incômodo — e aparentemente interminável — entre acreditar e duvidar.
E quanto mais eu tento me agarrar a uma dessas versões, mais o documentário parece trabalhar contra isso. Talvez o maior trunfo — e também a maior armadilha — da série seja essa inclinação sutil pela defesa. Não porque ele deixe de mostrar os dois lados — pelo contrário, acho que faz isso bem —, mas porque a proximidade muda o eixo do julgamento. Ao acompanhar Michael Peterson por tanto tempo, eu deixo de olhar apenas para o caso e passo a olhar para o homem. E isso complica tudo. As contradições continuam ali — como quando ele hesita sobre a última vez que viu Kathleen, ou quando revela que ela não sabia sobre sua sexualidade mesmo depois de sustentar o contrário por anos —, e tudo isso acende um alerta. Mas, ao mesmo tempo, surgem o humor, a autoironia, o desgaste. Lembro de rir quando ele brinca com o irmão sobre a própria aparência, dizendo que, pela primeira vez, o irmão parecia mais jovem que ele. E é nesse ponto que o documentário mais acerta: em mostrar como o tempo também condena. A prisão não é só um espaço — é um processo. O tempo age sobre ele como uma segunda sentença, e seu envelhecimento se torna quase tão violento quanto qualquer acusação.
Uma das melhores coisas é que The Staircase (2004) sabe tornar o tribunal emocionante. Em teoria, é ali que a verdade deveria ser depurada. Mas o que vemos é outra coisa: um espaço profundamente teatral. Freda Black transforma a bissexualidade de Michael em prova moral, como se desejo fosse evidência. Já David Rudolf encarna o arquétipo do advogado obstinado, brigando até por slides de PowerPoint, como se cada detalhe visual pudesse inclinar o destino de um homem. E, no centro disso tudo, o caso vai sendo corroído por algo ainda mais grave: a contaminação do próprio processo, especialmente com a atuação de Duane Deaver. Quando a investigação se torna suspeita, o veredito deixa de ser um ponto final e passa a ser apenas mais uma versão possível.
O que começa como um mistério criminal aos poucos se transforma num ensaio sobre a impossibilidade de resolvê-lo. Porque a pergunta — se Michael matou ou não — nunca desaparece, mas também nunca encontra apoio sólido. Falta um motivo claro. As lesões parecem violentas demais para uma simples queda, mas também difíceis de encaixar numa narrativa coerente de ataque. Existe sempre esse ponto que me trava: dizem que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar — mas aqui, duas mulheres próximas ao mesmo homem morrem ao pé de uma escada. É coincidência demais para aceitar com conforto e, ao mesmo tempo, frágil demais para sustentar como prova. No meio disso tudo, o que deveria sustentar qualquer conclusão — as provas — já não parece confiável. O que resta é essa sensação desconfortável de acompanhar um homem envelhecendo, se deteriorando, enquanto a verdade permanece fora de alcance.
Quando colocada ao lado da dramatização posterior — a minissérie The Staircase (2022), que reencena o caso —, a limitação do documentário fica ainda mais evidente — e, ao mesmo tempo, mais interessante. A ficção expande, organiza, individualiza melhor os personagens, se permite explorar hipóteses com mais liberdade e até ser mais dura com Michael: seu narcisismo, suas mentiras, sua dependência de Kathleen e a dinâmica com os filhos ganham contornos mais definidos, ainda que algumas dessas escolhas possam soar até insensíveis. O documentário, por outro lado, permanece preso ao que tem — e principalmente a quem tem. Michael não é apenas o centro da história, ele é também o filtro dela. E isso faz diferença. Porque uma coisa é a versão que alguém constrói diante das câmeras; outra é a interpretação que uma dramatização pode impor. Ainda assim, o documentário tem sua força. O que mais me marca não é uma prova ou um argumento, mas a transformação física dele: quando a série salta anos à frente, ele parece alguém que voltou de uma guerra. E talvez seja essa a imagem que melhor resume tudo — não a de um caso resolvido, mas a de uma vida lentamente deformada pela impossibilidade de resolvê-lo.
Achei o ritmo um pouco arrastado, mas escancara um sistema judicial americano fuleiro hein, ainda assim, produção ok.
É possível enxergar nitidamente que o documentário foi favorecendo o réu, pois em pouquíssimos momentos foram comentado situações relacionadas a morte da esposa, como o fato dela ter marcas de esganamento no pescoço e todos os outros detalhes da cena do crime.
É bem difícil chegar e dizer que ele é inocente, mas as situações não deixa Michael completamente ileso disso. É nítido que ele teve participação de algo. Sendo assim, concluo dizendo que esse crime foi quase perfeito
O cara é ridículo como a família sendo filmada e agindo como não tivesse camera alguma gravando tudo. Ainda tô bolada com que aconteceu... Pra mim é culpado!
O cara é um arrogante. Sempre fazendo piada com a própria vida e as circunstâncias.