Thérèse casou-se muito cedo com o primo Camille, levando uma vida monótona e sem alegrias com o marido egoísta e a tia autoritária. A chegada de Laurent, um belo italiano amigo de Camille, mudará a vida de Thérèse, pois os dois se apaixonam. Camille se recusa a dar o divórcio. Ele é empurrado de um trem em movimento por Laurent, depois de uma violenta discussão...
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Primeiro, uma confissão que desautoriza a minha desapreciação geral: assisti ao filme sob a extrema expectativa da continuidade em relação ao "realismo poético", em relação ao que eu já havia visto do cineasta e, neste primeiro contato, o julguei mais pelo que ele poderia ser (no cotejo com obras anteriores) do que pelo que ele efetivamente é. Erro meu!
Segundo, um lamento: alguns componentes isolados (a fotografia, as interpretações, as mudanças de rumo, os diálogos) são tão interessantes e até mesmo geniais que, infelizmente, são obliterados pelo roteiro esquemático e um tanto mecânico em sua introdução de situações à la 'deus ex machina', como aquilo que ocorre próximo ao desfecho. Não chega a ser inverossímil, mas as coincidências para as quais "torcemos" incomodam em seu acúmulo. Gosto muito das partes, mas não do todo...
Terceiro, uma certeza: num debate entre pessoas queridas - que amaram o filme -, percebi que, ao contrário do que tento justificar aqui, parece que eu gostei bem mais do que desgostei, a despeito da cotação baixa. Numa revisão vindoura, portanto, sei que apreciarei adequadamente as virtudes gerais desta obra. Neste primeiro contato, sigo refém de meus pré-conceitos directivos. Voltarei a isso, assumirei a minha responsabilidade, quando a oportunidade chegar.
Pela atenção, agradeço. Simone Signoret, eu te amo! (WPC>)
Se o roteiro não chega a impressionar não se pode dizer o mesmo do trabalho narrativo e de composição de cena de Carné que é um verdadeiro deslumbre para qualquer amante de cinema. Signoret como de praxe domina toda e qualquer cena que participe ainda que encontre um Vallone quase à sua altura.
Produção franco-italiana indicada a 2 categorias no Festival de Veneza: Leão de Ouro de melhor filme e Leão de Prata de melhor diretor, do qual foi vencedor. A história deste filme, em preto e branco, foi vagamente baseada no romance de mesmo nome do escritor francês Émile Zola (1840-1902). Esta é uma das 13 versões que foram feitas sobre a personagem-título, incluindo mais 1 curta, telefilmes, 1 série e 2 minisséries para a TV.
O ator italiano Raf Vallone (1916-2002) recusou-se a ser apelidado na versão francesa e teve seu contrato alterado em conformidade. O cenário sombrio também foi ligeiramente alterado para "Italianizar" o personagem de Laurent.
Vívido e chocante, um euro-noir com uma fria e deslumbrante Simone Signoret (1921-1985) e sua beleza misteriosa... lento mas vivo e surpreendente. É um dos melhores filmes do diretor Marcel Carné (1906-1996). Drama romântico policial que é um
retrato de um casamento arranjado e um destino trágico de um triângulo amoroso que termina em morte e chantagem.
quando o carteiro diz: "Eu sou o mensageiro dos apaixonados", mantendo a carta fatal.
O livro do Émile Zola ♥️
No livro, Laurent mata Camilo afogado e os dois (Therese e Laurent) possuem pesadelos e alucinações terríveis com o corpo inchado e putrefato do afogado em suas camas. Eu adoro esse livro, li três vezes.