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Data de lançamento
6 Maio 2022Duração
"This Much I Know to Be True" explora a relação criativa e as músicas dos dois últimos álbuns de estúdio de Nick Cave e Warren Ellis, "Ghosteen" e "Carnage".
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Minha interpretação eh de que isso eh um meio tripping with nils frahm pq se for ver de outro jeito fica meio foda de ruim
Fui pro filme sem conhecer quase nada do Nick Cave e pelo jeito vou ficar sem conhecer mesmo. Nada contra, mas...
Filme muito sensível, Nick Cave é um grande artista, sem dúvidas. Em quanto cinema, não apresenta muitas novidades, filma a performance no palco com alguns jogos de luzes interessantes e movimentos de câmera que não deixa o filme ficar estático, mas apenas isso. Há algumas falas do Nick, umas profundas, outras nem tanto. A ênfase é mesmo nas músicas, então não espere uma biografia. É basicamente mostrando o álbum com Warren Ellis. A canção "Hand of God" é linda demais, me deixou emocionado.
This Much I Know to Be True – Crítica
O sentimento religioso sempre me pareceu algo melancólico, um misto de tristeza pela finitude da vida e uma busca por amparo pelos acasos inexplicáveis. Queremos ser aliviados da dor, da morte, mas principalmente, queremos acreditar. É o conflito dos nossos desejos e de nossa esperança com a realidade, a razão da melancolia. É entender a necessidade de mudar, mas não se sentir feliz. This Much I Know to Be True, novo documentário sobre Nick Cave, trata sobre isso com belas músicas, muitas reflexões e um espetáculo de filmagem.
Os primeiros minutos do filme são Cave mostrando seu trabalho como ceramista. Ele apresenta uma série de estatuetas sobre a vida e a morte do diabo. Essa parte do filme parece grotesca, destoante de toda a mensagem do personagem principal. Entendemos o ponto de vista, quando refletimos sobre como ele apresentou o diabo. Cave deu uma versão humana a um personagem bíblico, tornou-o homem, ao nascer, combater, amar e morrer. Na história da cerâmica, Lúcifer sente dor, sofre e se apaixona. O diabo está vulnerável, como eu e você, vulnerável à vida e ao sofrimento.
É difícil assistir ao filme e não pensar nas tragédias pelo qual o músico passou. A cada cena e conversa ficamos pensando em como a vida de Cave parece ter sido trágica. Podemos ser diferentes nas forma como compreendemos o mundo e como vivemos, mas somos iguais em nosso sofrimento. A dor pode não ser igual, mas todos a sentimos. O sofrimento nos conecta. Todos estamos em busca de um sentido, em busca de algo para nos confortar. Essa me parece a mensagem central para a arte de Nick Cave, o amor pela vida. Não o amor em um sentido de êxtase, mas a forma contemplativa.
O documentário não é um show, está mais próximo a um clipe, em sua estrutura. Local fechado, sem público e com total liberdade das câmeras. Algo essencialmente simples. Poderia ser só mais um vídeo de uma banda, mas não é. O diretor australiano Andrew Dominik, torna o filme uma obra sublime. Cave e os músicos no centro do palco, as câmeras ao seu redor, nunca acima ou abaixo, parecem deslizar em travelling, nos aproximando e afastando. É um movimento bonito, como quando ele começa cantando sozinho e o giro da câmera vai mostrando o restante da banda. As luzes vêm sempre do alto. A iluminação isola os músicos, os torna parte do grupo e junto com as câmeras consegue acentuar ainda mais a atmosfera religiosa.
A melodia de todo o documentário embala essa atmosfera. São músicas com coral, instrumentos clássicos, em um ritmo geralmente lento. É sempre algo para ouvir e meditar. A voz de Cave e a forma como canta parece um sussurro. Ele não grita, sussurra, reflete um tom tranquilo, mas cheio de pesar. Ainda mais melancólico é a aparência do personagem, as sombracelhas e cabelos negros, a voz um pouco rouca. Além disso, a forma como ele conversa, sempre parece estar pensando em cada palavra, quase soletrando, nenhuma resposta é solta. O único momento de descontração em todo o filme é quando Warren Ellis é entrevistado. O único músico a falar, além de Cave. Eles riem, falam dos conflitos dos processos criativos, mas de como gostam de fazer música juntos.
Apesar da melancolia e da tristeza, ninguém parece infeliz no filme. O clima em geral é alegre, mesmo tratando de temas sensíveis. Vemos o semblante triste de Nick Cave, mas ele não parece estar perdido. Contempla a vida, suas incertezas e acasos. Não tem o controle de tudo, mas busca um sentido. Ele ainda é aquela figura gótica, com olhos e cabelos negros e um rosto pontiagudo. Alguém triste, mas com fé no futuro.
"This Much I Know to Be True" é um recorte de um dos maiores cantores vivos. Nick Cave é um trovador que coloca belíssimas melodias nos poemas que declama, e nesse documentário podemos ter um gosto disso.
Para tal façanha, ele conta com a ajuda do Warren Ellis, seu fiel escudeiro. É muito legal ver o cotidiano desses dois, seja eles estando juntos ou separados.
Mais do que isso, é um presente poder vê-los colocando a massa e colocando as músicas do álbum "Ghosteen" em prática.
Maravilhoso.