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Um cineasta armênio procura locações para o seu próximo projeto, que busca retratar as raízes ancestrais de seu país. Em uma mistura de ficção com imagens quase documentais, o realizador encontra pessoas ao longo da viagem. As complexas realidades geopolíticas que impactam a região também chamam a atenção do diretor, em uma narrativa que caminha entre o mundano e o transcendental.
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É impossível compreender o filme se não conhece a região e os diretores não fazem força alguma para explicá-lo para quem não está familiarizado com a história da Armênia. O filme começa na cidade de Gyumri, Armênia, fronteira com a Turquia, que é fechada e militarizada. O personagem deseja chegar do outro lado, na antiga cidade armênia de Ani, que hoje fica na Turquia. Para isso, ele precisa ir ao norte do país, cruzar a fronteira com a Geórgia para daí acessar a Turquia. Em Ani, antiga capital armênia, ele descobre que o lado de lá (Turquia) é muito parecido com a sua terra, seja na arquitetura, na história e nos hábitos (aquele diálogo com a avó). Esse é o limiar, portanto. No fim, ele tenta cruzar a fronteira da Turquia com a Armênia (separada por um riacho) e é morto pela guarda fronteiriça.
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Duas das principais características dos filmes e do cinema são a possibilidade de viajar aos países mais distantes e a contemplação que o audiovisual permite. De alguma forma, o armênio Limiar possibilita ambas.
Ir à Armênia jamais passou pela minha cabeça e a fotografia de Moeinoddin Jalali é belíssima, com paisagens do inverno do país e planos abertos que destacam toda a solidão do personagem principal (e quase único) em busca de locações para seu próximo filme.
No entanto, o contemplar e o viajar, não bastam para que Limiar saia do patamar de filme vazio. Assisti-lo é como ficar olhando um álbum de fotos que não nos significam nada. Faltou à dupla de diretores Rouzbeh Akhbari e Felix Kalmenson conectar o público nessa jornada também. E quando a arte não consegue nos impactar ou sensibilizar de alguma forma é um problema.
Antes da sessão, "preparei-me" revendo um curta-metragem do Artavazd Pelechian: cri que haveria alguma associação, por conta da sinopse acostada. Mas esta é quase uma interpretação: no filme em si, não dá para compreender muita coisa. Ok, um personalidade ligado ao cinema e à ciência observa locações, lugares religiosos ancestrais. E...? Há muita neve, muita solidão, mas também muitas interações falidas, e não apenas pelas dificuldades idiomáticas: achei o protagonista misantropo e desagradável. Tanto que, quando acontece aquilo ao final (acontece mesmo?), não foi despertada muita empatia. A religiosidade prometida na abertura foi surrupiada. O filme é físico demais, em mais de um sentido. A impressão é que assisti a uma obra do Krzysztof Zanussi conduzida pelo Michael Snow. Com a diferença de que não causou-me qualquer envolvimento emocional. As imagens são bonitas, mas (quase) nada acontece. Minha mãe detestou! (WPC>)