Dirigido por
Duração
O enredo resgata Henrique, cineasta marcado por traumas passados. No Recôncavo Baiano, seu destino cruza com o de Gustavo, jovem que traz renovação e leveza. Esse encontro inesperado transforma a dor em afeto, explorando a cura emocional pelas relações pretas e periféricas.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Quase tudo o que li sobre este filme enfatiza o sentimento de decepção (alguns textos, em relação à totalidade da obra dos realizadores), mas, depois do que senti vendo NA RÉDEA CURTA, até que apreciei a proposta e alguns aspectos, sobretudo porque conversa ambientalmente com VOLTEI!, dando a entender que os diretores substituíram as caricaturas da pretensa comédia "popular" pelo intimismo dramático/familiar que caracterizou o seu estilo conjunto, em trabalhos iniciais. Aqui, ILHA aparece como uma referência explícita, o que não funciona tanto conjunturalmente. Idem quanto ao preâmbulo sobre a tentativa de golpe bolsonarista, que validaria o contexto distópico da obra. Ocorre que nem faz diferença um aspecto nem o outro na construção do roteiro. Primeiro, porque o alegado fanatismo de Gustavo pela carreira do diretor dentro do filme soa esvaziado, baseado em um mero modismo (vide a cena da maconha, que "é melhor do que filmar"); segundo, porque a violência discursiva que aflige os personagens ocorre hoje, mesmo com a possibilidade de reeleição do Lula. Para piorar, a forçação de barra envolvendo terminologias (o embate entre "arco-íris" e "refrator de luz") transfere a politização do filme para uma lógica de Twitter, sem vigor. Até gosto da entrega dos atores aos personagens (não vou mentir: Lucas Leto surpreendeu-me), mas a excessiva teatralidade dos diálogos e a continuidade troncha entre as situações (numa noite, uma assassinato; noutra, uma masturbação; pela manhã, "vamos nadar na piscina?") chega a causar vergonha alheia no espectador. Minha mãe estava ao meu lado, na sessão, e torceu pelo romance, pelo acerto emocional entre os personagens, para que Henrique voltasse a andar, mas destetou o histrionismo (verossímil, infelizmente) dos pastores televisivos, cujo tempo de tela é excessivo e pleonástico. Não obstante eu lamentavelmente concordar com as críticas negativas, há algo no filme, à guisa de tentativa, que valida a minha defesa dos diretores, ainda: eles estão querendo "voltar", efetivamente. Hão de conseguir! (WPC>)