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"Vejo, outra vez, as fotografias que tirei em Trás-os-Montes. Quase todas mentem. Nenhuma dor intolerável nelas ficou. Nenhuma esperança. Qualquer raiz."
Docuficção de António Reis, representativa do movimento do Novo Cinema. Uma das primeiras docuficções portuguesas.
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Após a revolução portuguesa de 1974, os cineastas portugueses aglomeraram-se em Trás-os-Montes, para se inspirarem no passado e no presente, na paisagem e nas gentes desta província do norte de Portugal. António Reis e Margarida Martins Cordeiro aí passaram quase dois anos a realizar o seu filme, que é sem dúvida o mais ambicioso de todos os filmes sobre a província. Graças à prolongada permanência nas aldeias de Bragança e Miranda do Douro, conseguiram conquistar a confiança dos residentes. Isso resultou em várias reconstruções, até mesmo em desfiles, incluindo trajes tradicionais.
Para Reis e Martins Cordeiro, as raízes de Portugal como nação residem em Trás-os-Montes. A maioria dos personagens principais são crianças e mulheres, já que os trabalhadores do sexo masculino são o principal produto de exportação da província. Ausência (de parentes, de empregos, de tecnologia moderna, etc.) é, portanto, um tema recorrente. Ainda assim, trás-os-montes termina com optimismo com um longo tiro, a meia-noite, do comboio a vapor para o Porto, transportando um dos rapazes do distrito, permitindo-lhe continuar os seus estudos de engenharia agrícola na cidade grande. É impressionante ver como os cineastas conseguiram fazer justiça ao povo da província. Com as suas panelas longas, o seu carácter fragmentário, a sua mistura de passado e presente, trás-os-montes não é um filme fácil, mas vale a pena assistir em todos os aspectos.*