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16 Maio 2025Duração
Uma roda de samba reverencia a atriz e cantora Neusa Borges, dona de interpretações que comoveram, divertiram e paralisaram o público na frente da TV, dos palcos e do cinema.
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"Tributo" a Neusa Borges foi merecido!
A conexão de Neusa Maria da Silva Borges com a arte é espiritual, segundo a própria cantora e atriz. A isso ela atribui o sucesso de tantos trabalhos que, por vezes, aconteciam a partir de pequenos personagens que tomavam grandes rumos, graças ao talento inestimável da artista. “A Neusa é uma atriz absolutamente visceral. Isso me apaixona”, afirma a autora Gloria Perez sobre a homenageada desta sexta-feira, dia 16 de maio de 2025, de ‘Tributo’, que foi ao ar após ‘Globo Repórter’.
“Quando cheguei na última gravação, não esperava tanto amor e carinho. Foi uma surpresa olhar para todos os lados e me deparar com fotos dos personagens que já interpretei e ver aquele mundaréu de gente cantando: levei um susto! Ver todos ali me deu uma alegria no coração”, lembra Neusa, que desde menina sonhava com a vida de artista, tendo a cantora Emilinha Borba como uma das suas referências. Foi de Vinicius de Moraes que ela ouviu que seria uma das maiores atrizes do país quando desabrochasse o talento para a atuação, mas foi quando observou Léa Garcia brilhar no filme “Orfeu Negro” (1959), que Neusa Borges teve certeza do caminho que queria seguir. Anos mais tarde, estava no palco vivendo o estrondoso sucesso do espetáculo ‘Hair’ (1969).
Nascida em Florianópolis (SC) e criada no interior de São Paulo, a atriz vive atualmente em Salvador (BA). É na capital baiana que ela encontra, durante as gravações de ‘Tributo’, com o ator Luis Miranda, para uma conversa que revisita os grandes trabalhos de Neusa e as batalhas que teve de enfrentar ao longo da carreira. “É uma capacidade tão grande que ela tem de emocionar pela simplicidade, em pegar as palavras e transformar em vida”, acredita Luis Miranda. Foi entre suas travessias por Rio, São Paulo e por Salvador, que Neusa agarrou todas as oportunidades e deixou sua marca na música, na TV, no teatro e no cinema. Trabalhou como cantora por quase 20 anos e passou por várias emissoras, como as TVs Tupi, Manchete, Bandeirantes e SBT. Chegou a fazer parte do júri dos programas do Chacrinha e Silvio Santos. Na TV Globo, sua estreia em novelas foi em ‘A Escrava Isaura’ (1976), onde atuou com Léa Garcia e Zeni Pereira, duas de suas grandes referências que, ao lado de Ruth de Souza, formam o que Neusa chama de “escola”. Agora, com 82 anos de vida e mais de 60 de carreira, comemora papéis fora dos estereótipos que vem interpretando em novos trabalhos.
A atriz construiu uma parceria especial na televisão com os diretores Jayme Monjardim e Marcos Schechtman, além da autora Gloria Perez, que escreveu alguns de seus personagens mais marcantes, como Dalva, de ‘O Clone’ (2001), e Diva, que surgiu em ‘América’ (2005) e, anos mais tarde, reapareceu em ‘Salve Jorge’ (2012). Neusa é lembrada também por Madá, de ‘Dancin' Days’ (1978), e Florência, de ‘A Indomada’ (1997). Participou ainda da telenovela portuguesa ‘Valor da Vida’ (2018) e do especial ‘Falas Negras: Histórias (Im)Possíveis’ (2023). É parte do elenco atual da série ‘Encantado’s’ (2022-2025).
Ao longo de sua trajetória, Neusa ganhou diversos prêmios, como o de Melhor Atriz Coadjuvante pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), por sua atuação como Terê em ‘De Corpo e Alma’ (1992). Mais recentemente, na mesma categoria, recebeu um Kikito, no Festival de Gramado (RS) por ‘Mussum: O Filmis’ (2023). “O fato de ser uma atriz negra, vencedora, deixa o legado de inspirar outras gerações, de dar esperança”, resume a também atriz e cantora Zezé Motta. Soltando a voz ou transformando texto em vida e carisma, Neusa deixa seu recado: “Quando fala ‘ação!’, ninguém segura Nega Borges”.
‘Tributo’ é uma série Original com redação de Nathalia Oliveira, Carlyle Junior e Lalo Homrich; direção artística de Antonia Prado; direção de Matheus Malafaia e Marcos Nepomuceno, produção de Elaine Sá, produção executiva de Fernanda Neves e direção de gênero de Claudio Marques.
Das atrizes negras pioneiras, Neusa Borges era a mais subestimada e esse Tributo lhe fez muita justiça.
Acabei de assistir e achei fantástico. Das atrizes negras pioneiras, ela era a mais subestimada — e tem muito talento e carisma. Ela deve ter passado por muita barra-pesada durante a carreira, e sempre a considerei boicotada. Aquele trecho da entrevista no TV Mulher já mostra isso. Talvez essa personalidade forte tenha sido adquirida justamente para sobreviver no meio.
Uma atriz como ela, ir a um programa de televisão pedir emprego — isso é uma coragem que poucas pessoas teriam. Muitos se afogariam no ego e na decadência, em vez de ter essa coragem de escancarar as coisas. Essa fase da vida dela, em que precisou pedir emprego em programas, mostra muito bem como eram as coisas.
Uma homenagem muito merecida — e que bom que ela pôde ver isso e ter a noção de como foi (e ainda é) necessária.