O filme conta a história do último homem a deixar a ilha de Spinalonga, conhecida por ser um reduto de leprosos. O homem se recusou a abandonar a ilha e foi, então, forçadamente tirado de lá. Ele agora vive em Creta, onde toca lira num bar durante a noite e se recusa a falar.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
Filme em formato de documentário, com imagens belas e assombrosas, uma história interessante de um homem que não queria deixar sua ilha, boa música local e um toque surrealista na repetição dos diálogos.
Refleti por alguns minutos para projetar como um leproso sem pernas seria carregado por sua esposa sem braços também leprosa...
"Suavidade de não ter nada a dizer, direito de não ter nada a dizer; pois é a condição para que se forme algo raro ou rarefeito, que merecesse um pouco ser dito", Deleuze (Conversações, 1992:162). As forças repressivas, diz ainda o filósofo, não impedem as pessoas de se exprimirem, ao contrário, forçam-nas a se exprimirem, forçam-nas ao convívio (é a polícia quem o "resgata"), expulsam-nas de seus territórios, marcam seus corpos com o signo do progresso. "Eu não digo nada, nada mesmo!"
Me chama a atenção que mesmo tendo uma lingua comum surjam tantas dificuldades de relacionamento; de certa forma, as pessoas acabam tendo relações desiguais por serem iguais. A história desse homem, que foi forçado a ir até a ilha, e depois forçado novamente a retornar - e sua obstinação em se recusar a falar trazem um questionamento legal sobre o peso que as palavras possuem; as outras personagens repetem e repetem e só o médico, com sua profissão tradicional de saber para normalizar e categorizar tudo, ousa (e nesse filme, é essa palavra mesmo: ousar) falar mais... mas para que fim? filme pequeno, vale a pena baixar e assistir.