Iris e Rose são irmãs e acabam de perder a mãe vítimada pelo câncer. Enquanto Rose alterna entre a depressão e a ansiedade pela gravidez que avança, Iris perde o rumo e o equilíbrio emocional. Depois de largar o emprego e dar um tempo no namoro de dois anos com Gary ela passa a vagar sem rumo em busca de um novo sentido na vida. Nesta busca insaciável conhece homens com quem se relaciona sexualmente, se diverte com uma amiga em um pub, discute com a irmã por causa das cinzas da mãe e tem aulas de canto numa igreja. Iris parece perdida e tudo que tenta não dá certo. O roubo de sua bolsa por um grupo de crianças e novas descobertas levam Iris a uma crise que pode determinar sua redenção ou perdição.
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Uma pérola underground. O que me chamou a atenção para assisti-lo, além da atriz, foi o poster que me remeteu a alguém que protege mas não é protegido.
O filme funciona como um tipo de diário aberto, onde a audiência consegue perceber as inconstâncias dos fatos, mas a contadora não. Isso é apenas para nos mostrar como somos duros em nossos próprios egos. A arte nos ajuda a ver isso, e a tentar lutar contra. É o que me fascina como consumidor.
Iris fala da sua relação ruim com a mãe, mas ela mesma se afasta por ciúmes da irmã. Ela não consegue se entrosar com as duas, nem ter seu tempo individual com a mãe por achar que era a "menos favorita". Achismos podem destruir relações. A discussão da Rose com o marido simboliza que quase ninguém está plenamente blindado, apesar das aparências de aceitar o padrão para si. Só basta o gatilho "certo".
Não importa o quanto você se sinta bem sozinho. Nada pode te afastar do mundo, mesmo se você correr dele. Obrigações e pensamentos trazem à tona sentimentos. É forte a parte que ela nega sexo pra quem diz que a ama. Se ele nutria tal sentimento genuíno por ela, por que só o sexo que importava? Algumas pessoas precisam conversar e se sentirem mais acolhidas sem dar algo em troca. É tudo questão de ponto de vista, experiências vividas, do que aceitar, e, sobretudo, do amor ao próximo.
Na edição, gostei muito do slow com suas nuances. O momento que Iris dança com um homem sendo vista por suas amigas é o momento das aparências, da mentira, da tentativa de ser como os outros. Ao mesmo tempo que se sente péssima ao se sujeitar ao padrão, ela não consegue fugir disso, como se precisasse passar pelo que a mãe passou pra tentar preencher o vazio. No final, é emocionante ver ela descobrindo que o padrão não é tão especial assim pra valer o sacrifício de uma nova geração. É tempo de algo novo. A mãe morreu de câncer sem perceber isso. Já Iris, simplesmente caiu na lama pra se humilhar e mudar de rumo.
É uma obra especial, que se tornou favorita logo de cara. Tenta nos dar algumas das respostas mais essenciais da vida. No fim, só reforçou a minha ideia de que ninguém deve tentar reviver ninguém. "Vai ser igual à mim quando crescer." Não! Apenas sejamos nós mesmos, à partir de nossas boas referências.
Levarei o comentário abaixo em consideração mas, na boa, gostei bastante da capa, pelo menos... rs