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Viviane (interpretada por Adriana Sottomaior) se desdobra entre a maternidade solo e o trabalho remunerado. Quando uma tragédia acontece no bairro de periferia em que mora, o desamparo e a culpabilização a lançam em uma espiral de desconfianças. Aliando o mergulho no universo íntimo das personagens ao compromisso com a denúncia social, em seu primeiro longa, o diretor de “Aquele Casal” (Olhar ’19) dá sequência à tematização das violências que se alastram e se sobrepõem ao acontecimento de um episódio traumático. *(C.M)
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Achei interessante o filme sob a ótica de que tendemos procurar culpados para 'tudo' e Ursa usa o ataque de um pit bull para discutir culpa, responsabilidade e a tendência social de transformar uma tragédia complexa em uma busca por um único culpado, quando várias violências simbólicas já estavam acontecendo antes do acidente. O filme humaniza tanto Viviane, uma mãe solo sobrecarregada pela jornada de trabalho e pela maternidade, quanto Jonas, mostrando que amar um animal não elimina a responsabilidade de cuidar dele adequadamente. Ao mesmo tempo, questiona os direitos e a proteção dos animais, o preconceito contra pit bulls, o sensacionalismo da mídia e a violência social, mostrando que, no fim, todos são vítimas de uma estrutura muito maior que o próprio acidente.
As emoções e as sensações que esse filme desperta!?!?!? Incrível! E viva o cinema nacional!!
[O cachorro pagou com a vida pela má educação das crianças que invadiram a casa do cara ,o cara ficou mais fudido ainda ]
Em meio a tantas reportagens sobre ataques ou acidentes envolvendo animais, casos que viram apenas estatísticas e logo são esquecidos, Ursa mostra o que seria viver os dois lados da tragédia. Não consigo pensar em outra palavra que não "acidente" para descrever este aqui. De um lado, crianças sendo crianças. Do outro, um cachorro agindo por instinto quando alguém invade seu espaço.
É triste perceber que algumas pessoas escolhem agir como a própria fera, seja na busca por vingança, seja ao negligenciar responsabilidades.
O filme não oferece um final definido. Entrega a angústia dos personagens, que precisam encontrar forças para encarar o amanhã e torcer por um dia melhor.
E preciso destacar o talento absurdo de Adriana Sottomaior. Ela realmente merece ser muito mais conhecida. A maneira como interpreta a mãe das crianças é impressionante. Coloco sem dúvida entre as melhores atuações que vi este ano.
Um filme simples de tudo, curtinho e objetivo, e que abre um espiral de análises a partir da trágica situação, achei muito criativo, o desenrolar estarrece a gente e ai vem os pontos de vista....muito bom.