Um mergulho intenso e poético na mente do Maluco Beleza
Sou suspeito pra falar, confesso. Cresci ouvindo Raul Seixas com meu pai, e seu universo de liberdade, rebeldia e filosofia sempre me encantou. Mas mesmo tentando deixar de lado a emoção de fã, posso afirmar com tranquilidade: "Raul Seixas: Eu Sou" é uma produção de altíssimo nível. Uma série envolvente, tecnicamente primorosa e que faz jus à complexidade desse ícone da música brasileira. Produzida pela competente O2 Filmes, responsável por obras como Cidade de Deus, a série consegue equilibrar beleza estética, bom roteiro e sensibilidade artística.
Alguns críticos apontaram que a série se apoia demais em uma representação caricata do artista. Mas cá entre nós: Raul era, sim, uma figura exagerada, teatral e mítica. E isso não é um defeito, é parte de sua essência. A série compreende isso e, ao invés de atenuar, abraça esse espírito, sem deixar de lado os dramas humanos por trás do personagem.
O destaque vai, sem dúvida, para as atuações. Ravel Andrade entrega um Raul convincente, com gestos, voz e olhar que impressionam. Já João Pedro Zappa, como Paulo Coelho, é um show à parte, seu trabalho de voz e expressão corporal merece todos os elogios. O elenco como um todo está muito bem, e consegue sustentar com firmeza as camadas dramáticas e lúdicas da trama. É válido destacar várias cenas que retratam de fato o que aconteceu em realidade.
Com apenas 8 episódios, a série consegue cobrir boa parte da trajetória do "maluco beleza": seus amores, brigas, relações familiares, amizades conturbadas e, acima de tudo, o processo criativo por trás de suas músicas. E aqui está um dos grandes trunfos da produção: as cenas que retratam a criação de clássicos como "Ouro de Tolo", "Metamorfose Ambulante" ou "Gita" são emocionantes, inventivas e, em muitos momentos, mágicas.
Outro ponto positivo é a coragem de não romantizar Raul. A série mostra, com crueza, sua relação conturbada com as drogas, com as mulheres, com as filhas. Sem moralismo, mas também sem "passar pano". Uma abordagem honesta, muito distante das versões higienizadas que Hollywood costuma fazer com seus ídolos.
Para quem, como eu, se encantou com essa nova abordagem, fica a dica de outro ótimo retrato do artista: o documentário "Raul: O Início, o Fim e o Meio", dirigido por Walter Carvalho em 2012, um complemento excelente para quem quiser ir ainda mais fundo no universo desse gênio rebelde.
"Raul Seixas: Eu Sou" é, ao fim, uma homenagem à altura de um artista que nunca aceitou ser engolido pelo sistema e que segue nos ensinando, com suas canções, a importância de pensar por conta própria.
Uma homenagem envolvente, um misto de nostalgia e polêmicas
Como fã de longa data de Roberto Gómez Bolaños, crescido ao som das risadas de Chaves e Chapolin, confesso que a estreia da série “Chespirito: Sem Querer Querendo” despertou em mim um misto de apreensão e curiosidade. Afinal, como retratar com justiça e emoção a vida de um gênio da comédia que moldou a infância de milhões?
Ao longo de seus oito episódios, a produção, idealizada e conduzida por seu filho, Roberto Gómez Fernández, mergulha nos bastidores da televisão mexicana e no universo criativo de Bolaños. A série nos presenteia com cenas emocionantes que recriam momentos icônicos da TV, fazendo brilhar os olhos de qualquer fã ao ver a gênese de personagens como Chaves, Chapolin e Dr. Chapatín.
No entanto, nem tudo são flores. Fica evidente que a narrativa, apesar de envolvente, toma partido em determinados conflitos históricos, colocando personagens como Florinda Meza e Carlos Villagrán em papéis quase antagonistas, enquanto suaviza ou omite algumas decisões controversas de Chespirito. Isso levanta dúvidas sobre até que ponto a série oferece um retrato fiel dos bastidores, algo que já é sinalizado nos créditos iniciais, que deixam claro que não se trata de uma representação documental.
“Chespirito: Sem Querer Querendo” é, sim, uma homenagem carregada de afeto, nostalgia e reverência. Ainda que envolta em polêmicas e com certa dose de dramatização, a série emociona ao contar a trajetória de um dos maiores nomes da comédia latino-americana. Para quem cresceu com as frases “foi sem querer querendo” ou “não contavam com minha astúcia”, é um convite imperdível à memória afetiva.
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Raul Seixas: Eu Sou
4.2 77Um mergulho intenso e poético na mente do Maluco Beleza
Sou suspeito pra falar, confesso. Cresci ouvindo Raul Seixas com meu pai, e seu universo de liberdade, rebeldia e filosofia sempre me encantou. Mas mesmo tentando deixar de lado a emoção de fã, posso afirmar com tranquilidade: "Raul Seixas: Eu Sou" é uma produção de altíssimo nível. Uma série envolvente, tecnicamente primorosa e que faz jus à complexidade desse ícone da música brasileira. Produzida pela competente O2 Filmes, responsável por obras como Cidade de Deus, a série consegue equilibrar beleza estética, bom roteiro e sensibilidade artística.
Alguns críticos apontaram que a série se apoia demais em uma representação caricata do artista. Mas cá entre nós: Raul era, sim, uma figura exagerada, teatral e mítica. E isso não é um defeito, é parte de sua essência. A série compreende isso e, ao invés de atenuar, abraça esse espírito, sem deixar de lado os dramas humanos por trás do personagem.
O destaque vai, sem dúvida, para as atuações. Ravel Andrade entrega um Raul convincente, com gestos, voz e olhar que impressionam. Já João Pedro Zappa, como Paulo Coelho, é um show à parte, seu trabalho de voz e expressão corporal merece todos os elogios. O elenco como um todo está muito bem, e consegue sustentar com firmeza as camadas dramáticas e lúdicas da trama. É válido destacar várias cenas que retratam de fato o que aconteceu em realidade.
Com apenas 8 episódios, a série consegue cobrir boa parte da trajetória do "maluco beleza": seus amores, brigas, relações familiares, amizades conturbadas e, acima de tudo, o processo criativo por trás de suas músicas. E aqui está um dos grandes trunfos da produção: as cenas que retratam a criação de clássicos como "Ouro de Tolo", "Metamorfose Ambulante" ou "Gita" são emocionantes, inventivas e, em muitos momentos, mágicas.
Outro ponto positivo é a coragem de não romantizar Raul. A série mostra, com crueza, sua relação conturbada com as drogas, com as mulheres, com as filhas. Sem moralismo, mas também sem "passar pano". Uma abordagem honesta, muito distante das versões higienizadas que Hollywood costuma fazer com seus ídolos.
Para quem, como eu, se encantou com essa nova abordagem, fica a dica de outro ótimo retrato do artista: o documentário "Raul: O Início, o Fim e o Meio", dirigido por Walter Carvalho em 2012, um complemento excelente para quem quiser ir ainda mais fundo no universo desse gênio rebelde.
"Raul Seixas: Eu Sou" é, ao fim, uma homenagem à altura de um artista que nunca aceitou ser engolido pelo sistema e que segue nos ensinando, com suas canções, a importância de pensar por conta própria.
Chespirito: Sem Querer Querendo
3.5 109 Assista AgoraUma homenagem envolvente, um misto de nostalgia e polêmicas
Como fã de longa data de Roberto Gómez Bolaños, crescido ao som das risadas de Chaves e Chapolin, confesso que a estreia da série “Chespirito: Sem Querer Querendo” despertou em mim um misto de apreensão e curiosidade. Afinal, como retratar com justiça e emoção a vida de um gênio da comédia que moldou a infância de milhões?
Ao longo de seus oito episódios, a produção, idealizada e conduzida por seu filho, Roberto Gómez Fernández, mergulha nos bastidores da televisão mexicana e no universo criativo de Bolaños. A série nos presenteia com cenas emocionantes que recriam momentos icônicos da TV, fazendo brilhar os olhos de qualquer fã ao ver a gênese de personagens como Chaves, Chapolin e Dr. Chapatín.
No entanto, nem tudo são flores. Fica evidente que a narrativa, apesar de envolvente, toma partido em determinados conflitos históricos, colocando personagens como Florinda Meza e Carlos Villagrán em papéis quase antagonistas, enquanto suaviza ou omite algumas decisões controversas de Chespirito. Isso levanta dúvidas sobre até que ponto a série oferece um retrato fiel dos bastidores, algo que já é sinalizado nos créditos iniciais, que deixam claro que não se trata de uma representação documental.
“Chespirito: Sem Querer Querendo” é, sim, uma homenagem carregada de afeto, nostalgia e reverência. Ainda que envolta em polêmicas e com certa dose de dramatização, a série emociona ao contar a trajetória de um dos maiores nomes da comédia latino-americana. Para quem cresceu com as frases “foi sem querer querendo” ou “não contavam com minha astúcia”, é um convite imperdível à memória afetiva.