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Quando a simplicidade encontra a poesia
Em uma época em que muitos espectadores buscam nos cinemas superproduções, efeitos especiais grandiosos e grandes astros para se impressionarem, Sonhos de Trem (2025) surge como um lembrete de que o cinema não precisa de artifícios para emocionar. Dirigido por Clint Bentley, o filme aposta justamente no oposto: uma história simples, contada com calma e sutileza, sustentada por uma fotografia belíssima que se torna o verdadeiro coração visual da obra.
A interpretação de Joel Edgerton merece destaque absoluto. Seu trabalho é de uma sensibilidade rara, capaz de transmitir camadas profundas de dor, silêncio e ressignificação apenas com olhares, gestos contidos e pausas que dizem mais do que longos diálogos. É uma performance cativante, que carrega o filme sem esforço e transforma sua jornada pessoal em algo universal.
Sonhos de Trem também se destaca pelos aspectos contemplativos que propõe. Ao longo da narrativa, o espectador é convidado a refletir sobre temas como a solidão, o luto, a memória e o legado que deixamos. O filme se move em um ritmo que pode parecer arrastado em alguns momentos, mas essa lentidão é parte do encantamento: ela abre espaço para sentir, observar e deixar a história respirar.
No fim das contas, Bentley entrega um filme “simples” apenas na superfície. Por trás dessa simplicidade, há poesia, sensibilidade e força emocional. Sonhos de Trem não tenta ser grandioso e justamente por isso, é lindo, tocante e permanece na mente do espectador muito depois que os créditos sobem.
Entre a nostalgia e o politicamente incorreto: o espaço do humor despretensioso em 2025
Em tempos em que a comédia vem tropeçando nas bilheterias, Corra Que a Polícia Vem Aí! (2025) cumpre uma missão quase impossível: resgatar o riso leve, besteirol e politicamente incorreto que marcou gerações nos anos 80 e 90.
O filme não se leva a sério, e nem tenta. Ele abraça o humor de quinta série, aquele que muitos acreditavam estar ultrapassado, mas que ainda encontra espaço e público. É uma volta às raízes do gênero, lembrando que o riso escrachado também pode ser catártico.
Liam Neeson surpreende como o filho do inesquecível Frank Drebin, papel eternizado por Leslie Nielsen. A transição funciona e presta homenagem ao mestre do humor físico e absurdo. O elenco de apoio também brilha, com destaque para Pamela Anderson, que protagoniza momentos tão improváveis quanto hilários.
No fim, Corra Que a Polícia Vem Aí! não pretende revolucionar o cinema, mas sim devolver ao público a leveza e a diversão sem pretensão. E nisso, acerta em cheio: é entretenimento puro, descompromissado, para quem quer apenas rir e se distrair.
Últimos recados
O Oscar 2017 está logo aí e teremos o nosso tradicional BOLÃO DO OSCAR FILMOW!
Serão 3 vencedores no Bolão com prêmios da loja Chico Rei para os três participantes que mais acertarem nas categorias da premiação. (O 1º lugar vai ganhar um kit da Chico Rei com 01 camiseta + 01 caneca + 01 almofada; o 2º lugar 01 camiseta da Chico Rei; e o 3º lugar 01 almofada da Chico Rei.)
Vem participar da brincadeira com a gente, acesse https://filmow.com/bolao-do-oscar/ para votar.
Boa sorte! :)
* Lembrando que faremos uma transmissão ao vivo via Facebook e Youtube da Casa Filmow na noite da cerimônia, dia 26 de fevereiro. Confirme presença no evento https://www.facebook.com/events/250416102068445/
Quando ouvimos que Dwayne Johnson estrelou um novo filme, a expectativa quase automática é a de encontrar ação explosiva, humor ou aquele carisma típico que marcou sua trajetória em Hollywood. Porém, Coração de Lutador: The Smashing Machine segue por um caminho bem diferente e talvez seja essa quebra de expectativa um dos pontos mais interessantes da produção. O filme mergulha na complexa dualidade do lutador Mark Kerr, um atleta vitorioso e reverenciado publicamente, mas que, nos bastidores, trava batalhas intensas contra o vício em opioides e seus próprios fantasmas pessoais.
O maior destaque da obra é, sem dúvida, a interpretação de Dwayne Johnson. Ele abandona a persona “The Rock” para entregar uma atuação surpreendentemente contida, vulnerável e dolorosa. É um trabalho de figuração física e emocional que foge do óbvio e mostra o ator em uma de suas performances mais maduras. Johnson se transforma em Kerr de um jeito que realmente sustenta o filme.
Outro ponto positivo está nas ambientações das lutas. Os cenários reproduzem com fidelidade a estética crua dos ringues que ajudaram a construir a lenda de Mark Kerr no esporte. Há um esforço visível em transportar o público para aquele universo, trazendo autenticidade às cenas e resgatando o clima da época.
Mas, apesar dessas qualidades, Coração de Lutador não consegue se firmar plenamente como um grande filme esportivo. As lutas, que poderiam ser o ponto alto da narrativa, acabam soando decepcionantes, sem impacto dramático ou técnico. Além disso, a narrativa promete explorar muitos temas, vício, carreira, saúde mental, relacionamentos, mas não aprofunda nenhum deles como deveria. O resultado é um filme que parece sempre à beira de dizer algo grandioso, mas não chega lá.
No fim, The Smashing Machine vale pela entrega impressionante de Johnson e pela tentativa de apresentar um lado pouco conhecido da vida de Mark Kerr. No entanto, fica a sensação de oportunidade perdida, sobretudo para quem esperava uma história mais forte, lutas marcantes e uma abordagem mais profunda sobre o homem por trás do lutador.