Série excelente. Gosto muito do trabalho do Adam Curtis. As interpretações ensinam muito sobre geopolítica. E ele parece ecoar o pensamento de autores como Jean Baudrillard e Guy Deord (Simulacros e simulações e A sociedade do espetáculo). Ou, em outras palavras, para falar em termos mais coloquiais, ele antecipa a ideia de "pós-verdade". E esse efeito que a narrativa dele traça, de que se está falando o tempo inteiro de narrativas fantásticas, se acalenta pelo plano imagético dos filmes, que se passa predominantemente a partir da montagem de imagens de arquivo televisivas; ou seja, literalmente, em uma "sociedade do espetáculo", lidando com "narrativas midiáticas". Ele parece um Michael Moore no sentido de ser um documentarista crítico das perspectivas e políticas estadunidenses, mas creio que ele tem um estilo mais cool, menos apelão, e ele tem uma facilidade no método de trabalho que é aparentemente nunca sair da sala de montagem, enquanto o Moore faz todo um esquema de viagem pelo território para demonstrar suas teses. Em todo o caso, ambos são ótimos e complementares. E fazem um grande trabalho de contranarrativa à mídia anglófona.
Patético. É uma série inteira, mas vou me ater no comentário a apenas um aspecto: o eurocentriso da leitura de Brasil feita pela série. Minha recomendação a quem gostou: assistam Guerras do Brasil.doc do Luiz Bolognesi. Leiam Raízes do Brasil do Darcy Ribeiro. Assistam Martíriodo Vincent Carelli. A diferença é como a de comer um pão e de comer uma batata doce: o pão pode ser até mais fácil de engolir, pode ter uma linguagem pop, mas a batata doce é muito mais consistente. Essa série do Brasil Paralelo é altamente pejorativa com as culturas dos povos não-europeus, só que muitos intelectuais brasileiros como Darcy Ribeiro têm uma visão muito mais generosa com os indígenas, e muito mais sofisticada. Ouçam Ailton Krenak. A diferença não é apenas ideológica: é uma diferença de grandeza, de densidade, de complexidade. Só consegue gostar disso aqui quem não conhece literatura de qualidade de verdade sobre o tema.
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O Poder dos Pesadelos: Ascensão da Política do Medo
4.2 2Série excelente. Gosto muito do trabalho do Adam Curtis. As interpretações ensinam muito sobre geopolítica. E ele parece ecoar o pensamento de autores como Jean Baudrillard e Guy Deord (Simulacros e simulações e A sociedade do espetáculo). Ou, em outras palavras, para falar em termos mais coloquiais, ele antecipa a ideia de "pós-verdade". E esse efeito que a narrativa dele traça, de que se está falando o tempo inteiro de narrativas fantásticas, se acalenta pelo plano imagético dos filmes, que se passa predominantemente a partir da montagem de imagens de arquivo televisivas; ou seja, literalmente, em uma "sociedade do espetáculo", lidando com "narrativas midiáticas". Ele parece um Michael Moore no sentido de ser um documentarista crítico das perspectivas e políticas estadunidenses, mas creio que ele tem um estilo mais cool, menos apelão, e ele tem uma facilidade no método de trabalho que é aparentemente nunca sair da sala de montagem, enquanto o Moore faz todo um esquema de viagem pelo território para demonstrar suas teses. Em todo o caso, ambos são ótimos e complementares. E fazem um grande trabalho de contranarrativa à mídia anglófona.
Brasil Paralelo
4.0 12Patético. É uma série inteira, mas vou me ater no comentário a apenas um aspecto: o eurocentriso da leitura de Brasil feita pela série. Minha recomendação a quem gostou: assistam Guerras do Brasil.doc do Luiz Bolognesi. Leiam Raízes do Brasil do Darcy Ribeiro. Assistam Martíriodo Vincent Carelli. A diferença é como a de comer um pão e de comer uma batata doce: o pão pode ser até mais fácil de engolir, pode ter uma linguagem pop, mas a batata doce é muito mais consistente. Essa série do Brasil Paralelo é altamente pejorativa com as culturas dos povos não-europeus, só que muitos intelectuais brasileiros como Darcy Ribeiro têm uma visão muito mais generosa com os indígenas, e muito mais sofisticada. Ouçam Ailton Krenak. A diferença não é apenas ideológica: é uma diferença de grandeza, de densidade, de complexidade. Só consegue gostar disso aqui quem não conhece literatura de qualidade de verdade sobre o tema.