Genial. A animação tira de letra em quesito de originalidade e roteiro qualquer outra animação existente. A temática do filme é essencialmente política e evolutiva, girando em torno de um conceito-chave, o conhecimento. As cores e a trilha sonora são ímpares, psicodélicas e delirantes. Belíssimo.
O filme não é de forma alguma sobre o abandono. O abandono aqui é uma ferramente dramática, utilizada para revelar um aspecto maior: a condição usual japonesa da crescente responsabilidade das crianças. De terem que agir como adultos, encarar responsabilidades, se preocuparem.
O filme tinha de tudo pra ser um "dramalhão" desde da temática, até a seleção do elenco, todos muito carismáticos. Mas, Koreeda conseguiu retratar tudo da forma mais simplista e intimista possível, nos sentimos como espectador parte do filme, parte da família. Entendemos pelo que eles passam, com seus silêncios e angústias repreendidas, o grande dilema de não mostrar as emoções dos japoneses. Vemos que apesar da insegurança de estarem sozinhos, ainda são felizes nos seus afazeres, jogam video game, plantam plantas, agem tipicamente como crianças, tomam decisões, tocam a vida, mesmo sem a mãe.
A temática abordada pelo filme é visível desde o princípio, com o título "Babel", alusão à torre de Babel, onde biblicamente os homens foram castigados por deus, que os dividiu em várias linguás, impossibilitando-os de se comunicarem.
O conceito básico do filme é completamente visível na trama de Richard e Suzy, os turistas americanos que no começo do filme discutem sobre uma conversa pendente sobre um terceiro filho que morreu, ambos não querem falar sobre o assunto, e se distanciam. As outras tramas complementam a história, e mostram como o mundo em si é amplamente conectado e globalizado, e mesmo assim no entanto, ainda há falácias entre a comunicação dos homens, sejam elas linguísticas ou comportamentais, refletindo a moral de que como muitas coisas poderiam ser evitadas se as pessoas conversassem entre si.
A incomunicabilidade e a própria omissão de ideias é o que abordado em questão. As crianças marroquinas que não contam pro pai que sem querer disparam num ônibus de turistas, a própria comunidade onde essas crianças moram, que não meios de comunicação, sem rádio nem tv, pra se informarem da situação terrorista que aconteceu no seu país. O japônes caçador que vendeu a arma sem comentar com ninguém, o próprio senhor que ganhou a arma que "vendeu" pro amigo sem contar que foi ganhada. A filha japonesa atormentada pelo preconceito de ser surda-muda e não poder se comunicar e viver conforme os outros. A empregada que viaja com os filhos dos patrões sem avisar a ninguém sobre. Mostrando essa seguência de eventos, uma ligação de causa e efeito digna da teoria do caos. Uma arma dada, que provocou um tiro, que atrasou os pais a voltarem das férias que fez a empregada levar os filhos deles cruzando a fronteira por causa do casamento do filho.
As atuações também são ótimas, principalmente das crianças em geral, as marroquinas que expressaram muito bem essa sensação de ser criança, ser ingênuo, e ter que lidar com responsabilidades. E as americanas, mais novas e ingênuas ainda, que reagem aos conceitos aprendidos, e se indignam com a galinha morta no casamento e choram por ficarem sozinhos no deserto.
O filme é curto, mas se torna incrivelmente longo e perturbador com o desenrolar das cenas paradas. O silêncio é constante e como citado abaixo pelo Renato, o filme é essencialmente frio e distante.
A atuação de Sandra Sammartino é ótima. É perceptível que Mimi está sozinha, se sente sozinha, isolada, não tem amigos da sua idade, ninguém busca compreendê-la. Ela sofre, em silêncio. Se torna uma ávida observadora, ouvindo, e vendo tudo e todos aonde quer que Solange a leve, vemos a protagonista desesperada, à princípio, buscando ser aceita pela micro-sociedade que vive, tentando entendê-los e fazer parte disso, quando é convidada a ir na casa do vizinho, o português, que na verdade é americano, vemos que ela se sente distante mas mais confortável do que na casa de Solange. Após um tempo, já a vemos desesperada, querendo fugir do lar temporário, sente falta da sua mãe, e medo de Jean-Pierre. Faz de tudo para se afastar dele e de Solange, que a trata mal o filme todo. Refletindo o comportamento depressivo da mãe, resolve tomar vários remédios, para assim, poder ir para o hospital, que pra ela é um porto seguro, longe da casa temporária, e perto de sua mãe.
A performance dos atores mirins, os irmãos protagonistas, deixa muito a desejar em algumas cenas do filme, mas essa característica aflorou a favor da interpretação de seus personagens, crianças ingênuas, traumatizadas pelo ocorrido. A tristeza impregna o filme, e apesar do filme ter quase 2 horas de duração, o filme te prende nas aflições que os personagens vão passando e tudo passa num piscar de olhos, as situações vão degradantemente decaindo, e se percebe como é difícil ser escravo do dinheiro e ainda por cima ser criança, impotente em infinitas situações.
Na cena que Gulistan acompanha Dilan na casa do assassino de seus pais, me peguei pensando que ia se aproveitar da oportunidade pra matá-lo com a própria arma, mas ia ser cliché demais. E o caminho percorrido pelos personagens se torna ímpar, e muito digno. A forma como "acabam" com Nuri Kaya, o assassino, o entregando para toda população é memorável e dá um quê de possível comuta social.
O filme é bom, fotografia amarelada belíssima, ambientação boa, achei muito interessante o jeito como o filme gira em torno, boa parte, do toca-discos de vinil. A trilha sonora é magnífica, muito bem desenvolvida e sincronizada, tanto até que cheguei a chorar com a música no fim, quando tudo já está ok, e Sam pinta um quadro na casa de Suzy, e ele foge pela janela. No entanto, quanto o roteiro, claro, o roteiro flui muito bem, mas não tem grandes sacadas, nem nada demais, é normal. Um típico filme juvenil, que trata da forma mais típica possível um dos assuntos mais clichés do mundo das artes, o amor. Fim. É um filme fácil, que mostra claramente porque as pessoas gostam tanto de ficção, porque tudo dá certo no fim. Vai ver é por isso tem sido tão aclamado pelo público e críticos. Obs.: Talvez uma grande sacada do filme, que não tem muita influência do desenrolar da história é a inserção do narrador no percorrer do filme, muito bem pensado, que dá dados estastísticos sobre lugares e situações. Bob Balaban ficou muito, mas muito bom inserido no filme, com aquele visual quase britânico, de touca e casaco vermelho, parecendo um duende, deu um arzinho de documentário. Muito bom.
O filme em si não gira em torno de um grande conflito, é um filme tênue. Mas a temática abordada é interessante, e o modo como conseguem retratar a sexualidade através das jovens é sensacional, a falta de grandes expressões, a frieza e apatia de Emma, e o ciúme maldoso de Cassandra, e até mesmo o comportamento pálido dos outros personagens, da irmã mais nova que dança desengonçadamente (e sem grandes expressões faciais) pro do primo, do pai, dos meninos que se interessam por Emma e Cassandra. Tornando tudo muito duvidoso, não sabemos o que verdadeiramente estão sentindo, ou se realmente estão sentindo alguma coisa. A própria ambientação quase sem cor, favorece essa imprevisibilidade emocional.
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Alta Sociedade
3.6 6Todo meu moralismo filosófico se vai por água a baixo assistindo esse filme. Não sei mais quem eu sou, nem o que devo realmente fazer.
Planeta Fantástico
4.3 338 Assista AgoraGenial. A animação tira de letra em quesito de originalidade e roteiro qualquer outra animação existente. A temática do filme é essencialmente política e evolutiva, girando em torno de um conceito-chave, o conhecimento. As cores e a trilha sonora são ímpares, psicodélicas e delirantes. Belíssimo.
Ninguém Pode Saber
4.3 238O filme não é de forma alguma sobre o abandono. O abandono aqui é uma ferramente dramática, utilizada para revelar um aspecto maior: a condição usual japonesa da crescente responsabilidade das crianças. De terem que agir como adultos, encarar responsabilidades, se preocuparem.
O filme tinha de tudo pra ser um "dramalhão" desde da temática, até a seleção do elenco, todos muito carismáticos. Mas, Koreeda conseguiu retratar tudo da forma mais simplista e intimista possível, nos sentimos como espectador parte do filme, parte da família. Entendemos pelo que eles passam, com seus silêncios e angústias repreendidas, o grande dilema de não mostrar as emoções dos japoneses. Vemos que apesar da insegurança de estarem sozinhos, ainda são felizes nos seus afazeres, jogam video game, plantam plantas, agem tipicamente como crianças, tomam decisões, tocam a vida, mesmo sem a mãe.
Babel
3.9 1,0KA temática abordada pelo filme é visível desde o princípio, com o título "Babel", alusão à torre de Babel, onde biblicamente os homens foram castigados por deus, que os dividiu em várias linguás, impossibilitando-os de se comunicarem.
O conceito básico do filme é completamente visível na trama de Richard e Suzy, os turistas americanos que no começo do filme discutem sobre uma conversa pendente sobre um terceiro filho que morreu, ambos não querem falar sobre o assunto, e se distanciam. As outras tramas complementam a história, e mostram como o mundo em si é amplamente conectado e globalizado, e mesmo assim no entanto, ainda há falácias entre a comunicação dos homens, sejam elas linguísticas ou comportamentais, refletindo a moral de que como muitas coisas poderiam ser evitadas se as pessoas conversassem entre si.
A incomunicabilidade e a própria omissão de ideias é o que abordado em questão. As crianças marroquinas que não contam pro pai que sem querer disparam num ônibus de turistas, a própria comunidade onde essas crianças moram, que não meios de comunicação, sem rádio nem tv, pra se informarem da situação terrorista que aconteceu no seu país. O japônes caçador que vendeu a arma sem comentar com ninguém, o próprio senhor que ganhou a arma que "vendeu" pro amigo sem contar que foi ganhada. A filha japonesa atormentada pelo preconceito de ser surda-muda e não poder se comunicar e viver conforme os outros. A empregada que viaja com os filhos dos patrões sem avisar a ninguém sobre. Mostrando essa seguência de eventos, uma ligação de causa e efeito digna da teoria do caos. Uma arma dada, que provocou um tiro, que atrasou os pais a voltarem das férias que fez a empregada levar os filhos deles cruzando a fronteira por causa do casamento do filho.
As atuações também são ótimas, principalmente das crianças em geral, as marroquinas que expressaram muito bem essa sensação de ser criança, ser ingênuo, e ter que lidar com responsabilidades. E as americanas, mais novas e ingênuas ainda, que reagem aos conceitos aprendidos, e se indignam com a galinha morta no casamento e choram por ficarem sozinhos no deserto.
A Boca de Jean-Pierre
3.8 9O filme é curto, mas se torna incrivelmente longo e perturbador com o desenrolar das cenas paradas. O silêncio é constante e como citado abaixo pelo Renato, o filme é essencialmente frio e distante.
A atuação de Sandra Sammartino é ótima. É perceptível que Mimi está sozinha, se sente sozinha, isolada, não tem amigos da sua idade, ninguém busca compreendê-la. Ela sofre, em silêncio. Se torna uma ávida observadora, ouvindo, e vendo tudo e todos aonde quer que Solange a leve, vemos a protagonista desesperada, à princípio, buscando ser aceita pela micro-sociedade que vive, tentando entendê-los e fazer parte disso, quando é convidada a ir na casa do vizinho, o português, que na verdade é americano, vemos que ela se sente distante mas mais confortável do que na casa de Solange. Após um tempo, já a vemos desesperada, querendo fugir do lar temporário, sente falta da sua mãe, e medo de Jean-Pierre. Faz de tudo para se afastar dele e de Solange, que a trata mal o filme todo. Refletindo o comportamento depressivo da mãe, resolve tomar vários remédios, para assim, poder ir para o hospital, que pra ela é um porto seguro, longe da casa temporária, e perto de sua mãe.
As Crianças de Diyarbakir
4.3 15A performance dos atores mirins, os irmãos protagonistas, deixa muito a desejar em algumas cenas do filme, mas essa característica aflorou a favor da interpretação de seus personagens, crianças ingênuas, traumatizadas pelo ocorrido. A tristeza impregna o filme, e apesar do filme ter quase 2 horas de duração, o filme te prende nas aflições que os personagens vão passando e tudo passa num piscar de olhos, as situações vão degradantemente decaindo, e se percebe como é difícil ser escravo do dinheiro e ainda por cima ser criança, impotente em infinitas situações.
Na cena que Gulistan acompanha Dilan na casa do assassino de seus pais, me peguei pensando que ia se aproveitar da oportunidade pra matá-lo com a própria arma, mas ia ser cliché demais. E o caminho percorrido pelos personagens se torna ímpar, e muito digno. A forma como "acabam" com Nuri Kaya, o assassino, o entregando para toda população é memorável e dá um quê de possível comuta social.
Moonrise Kingdom
4.2 2,1KO filme é bom, fotografia amarelada belíssima, ambientação boa, achei muito interessante o jeito como o filme gira em torno, boa parte, do toca-discos de vinil. A trilha sonora é magnífica, muito bem desenvolvida e sincronizada, tanto até que cheguei a chorar com a música no fim, quando tudo já está ok, e Sam pinta um quadro na casa de Suzy, e ele foge pela janela. No entanto, quanto o roteiro, claro, o roteiro flui muito bem, mas não tem grandes sacadas, nem nada demais, é normal. Um típico filme juvenil, que trata da forma mais típica possível um dos assuntos mais clichés do mundo das artes, o amor. Fim. É um filme fácil, que mostra claramente porque as pessoas gostam tanto de ficção, porque tudo dá certo no fim. Vai ver é por isso tem sido tão aclamado pelo público e críticos.
Obs.: Talvez uma grande sacada do filme, que não tem muita influência do desenrolar da história é a inserção do narrador no percorrer do filme, muito bem pensado, que dá dados estastísticos sobre lugares e situações. Bob Balaban ficou muito, mas muito bom inserido no filme, com aquele visual quase britânico, de touca e casaco vermelho, parecendo um duende, deu um arzinho de documentário. Muito bom.
She Monkeys
3.0 8O filme em si não gira em torno de um grande conflito, é um filme tênue. Mas a temática abordada é interessante, e o modo como conseguem retratar a sexualidade através das jovens é sensacional, a falta de grandes expressões, a frieza e apatia de Emma, e o ciúme maldoso de Cassandra, e até mesmo o comportamento pálido dos outros personagens, da irmã mais nova que dança desengonçadamente (e sem grandes expressões faciais) pro do primo, do pai, dos meninos que se interessam por Emma e Cassandra. Tornando tudo muito duvidoso, não sabemos o que verdadeiramente estão sentindo, ou se realmente estão sentindo alguma coisa. A própria ambientação quase sem cor, favorece essa imprevisibilidade emocional.