Para dissolver o verniz de civilidade que embasa as relações sociais, não é preciso muito. Bastam situações-limite —momentos de desamparo, angústia e caos social— para trazer à tona o lado primitivo do ser humano, capaz de atos de barbárie e perversidade.
“A droga é um detonador, uma coisa que provoca essa mutação de uma festa fantasiosa num inferno.” Na medida em que a sociedade abandonou a religião e a tradição como forças estabilizadoras, o desconforto causado pela necessidade constante de fazer escolhas —a transferência de responsabilidades de Deus para o indivíduo— aumentou. O filme também remete à noção de gozo teorizada pelo psicanalista francês Jacques Lacan (1901-1981). Ela teria mais a ver com o desejo por uma condição de transcendência absoluta, análoga à morte, do que com o prazer carnal. “Nossa realidade cultural, civilizada, põe limites a esse processo. Na medida em que esses limites são perdidos, a coisa caminha para a destruição.” Perguntada por uma pessoa na plateia se, afinal, somos nosso melhor lado ou o pior, a psicanalista Luciana Saddi, que mediou o debate, afirmou que somos os dois. A personalidade humana não é algo estático e há uma ligação íntima entre a psiquê individual e os laços coletivos.
“O ‘eu’ é uma casquinha, a parte mais morta da gente. Nós nos surpreendemos com nós mesmos, para o bem e para o mal.”
Clímax
3.6 1,2K Assista AgoraTrechos de um escrito:
Para dissolver o verniz de civilidade que embasa as relações sociais, não é preciso muito. Bastam situações-limite —momentos de desamparo, angústia e caos social— para trazer à tona o lado primitivo do ser humano, capaz de atos de barbárie e perversidade.
“A droga é um detonador, uma coisa que provoca essa mutação de uma festa fantasiosa num inferno.”
Na medida em que a sociedade abandonou a religião e a tradição como forças estabilizadoras, o desconforto causado pela necessidade constante de fazer escolhas —a transferência de responsabilidades de Deus para o indivíduo— aumentou.
O filme também remete à noção de gozo teorizada pelo psicanalista francês Jacques Lacan (1901-1981). Ela teria mais a ver com o desejo por uma condição de transcendência absoluta, análoga à morte, do que com o prazer carnal. “Nossa realidade cultural, civilizada, põe limites a esse processo. Na medida em que esses limites são perdidos, a coisa caminha para a destruição.”
Perguntada por uma pessoa na plateia se, afinal, somos nosso melhor lado ou o pior, a psicanalista Luciana Saddi, que mediou o debate, afirmou que somos os dois. A personalidade humana não é algo estático e há uma ligação íntima entre a psiquê individual e os laços coletivos.
“O ‘eu’ é uma casquinha, a parte mais morta da gente. Nós nos surpreendemos com nós mesmos, para o bem e para o mal.”
Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2019/09/filme-sobre-festa-catastrofica-demonstra-facilidade-da-barbarie-dizem-psicanalistas.shtml