O problema de julgar um livro pela capa é atribuir valor onde não há conteúdo – ou o contrário. Há várias maneiras de contar uma história: em O Grande Hotel Budapeste, mais do que uma exposição das marcas autorais de Wes Anderson, a estética é o conteúdo.
O filme é uma matrioska de histórias, onde cada quadro parece uma pintura em movimento. Como uma fábula ou conto de fadas, ele decide colorir uma realidade que muitas vezes é cinza, trazer simetria para enquadrar o caos que não se pode controlar, e suavizar em tons pastéis o retrato de uma época que não existe mais. É o emoldurar do passado sob as lentes de um hotel cor-de-rosa, ainda que à beira de um penhasco; porque a memória das lembranças queridas embeleza até mesmo as situações mais tristes.
E se o filme é inspirado pelo olhar melancólico de Stefan Zweig para o seu Mundo de Ontem, a maneira como a história contada por Zero é narrada me parece um convite para pensar: como gostaríamos de contar nossa própria história? Enxergar a beleza da vida e contá-la com carinho também é uma maneira inestimável de resistir às dores do mundo.
'Talvez uma história de amor', que faz referência a 'Sintonia de amor', que faz referência a 'Tarde demais para esquecer'.
Filme inspirado em livro homônimo, clichês de comédias românticas e referências artísticas – como 'Os amantes' de Magritte, com Virgílio em seu período 'Her'; a trilha sonora, que passa por 'Walter Mitty'; e a belíssima cena 'Matrix': lanterna azul ou lanterna vermelha?
Virgílio, nosso 'Joel Barish' nacional – ou nem tão nacional assim, embora São Paulo esteja linda no filme – vive seu momento meio 'Kimi no Na wa' e vai desvendando, aos poucos, aquele delicado quebra-cabeça existencial que ensina: A memória pode até desaparecer, mas a transformação causada pela experiência vivida continuará lembrando por nós.
Aqui, escolher a mudança é seguir em frente. Abrir mão do controle e encontrar, talvez, uma história de amor.
"...é como se a memória não fosse o que fica gravado com rigidez na nossa mente racional, mas algo que habita uma camada abaixo: mais leve e fluida, inspirando pra sempre aquilo que somos."
Trecho de uma mensagem que escrevi, numa conversa totalmente outra, pouco antes de saber qualquer coisa desse filme. Acaso e destino também são musubi.
...e também as sombras que não se reforçam quando se sobrepõem: Os sonhos ainda são sonhos. As lembranças são lembranças. A próxima vez é a próxima vez. O agora é agora.
Luz e sombra coexistem, no contentamento e paz interior de uma vida colorida no presente.
A voz de megafone do meu professor de história ecoava por todo o corredor, as aulas me davam dor de cabeça. Faz mais de 20 anos e ainda ouço sua voz estridente descrevendo as características de um bom líder carismático — grifem aí "lí-der ca-ris-má-ti-co" —, falando assim, pausadamente.
Metrópolis é um filme grandioso, impressionante e belíssimo! O panfletário protofascista mais fascinante que já vi na vida.
(obrigada por tudo, Laércio, onde quer que você esteja.)
O Grande Hotel Budapeste
4.2 3,1KO problema de julgar um livro pela capa é atribuir valor onde não há conteúdo – ou o contrário. Há várias maneiras de contar uma história: em O Grande Hotel Budapeste, mais do que uma exposição das marcas autorais de Wes Anderson, a estética é o conteúdo.
O filme é uma matrioska de histórias, onde cada quadro parece uma pintura em movimento. Como uma fábula ou conto de fadas, ele decide colorir uma realidade que muitas vezes é cinza, trazer simetria para enquadrar o caos que não se pode controlar, e suavizar em tons pastéis o retrato de uma época que não existe mais. É o emoldurar do passado sob as lentes de um hotel cor-de-rosa, ainda que à beira de um penhasco; porque a memória das lembranças queridas embeleza até mesmo as situações mais tristes.
E se o filme é inspirado pelo olhar melancólico de Stefan Zweig para o seu Mundo de Ontem, a maneira como a história contada por Zero é narrada me parece um convite para pensar: como gostaríamos de contar nossa própria história? Enxergar a beleza da vida e contá-la com carinho também é uma maneira inestimável de resistir às dores do mundo.
Talvez Uma História de Amor
3.2 89'Talvez uma história de amor', que faz referência a 'Sintonia de amor', que faz referência a 'Tarde demais para esquecer'.
Filme inspirado em livro homônimo, clichês de comédias românticas e referências artísticas – como 'Os amantes' de Magritte, com Virgílio em seu período 'Her'; a trilha sonora, que passa por 'Walter Mitty'; e a belíssima cena 'Matrix': lanterna azul ou lanterna vermelha?
Virgílio, nosso 'Joel Barish' nacional – ou nem tão nacional assim, embora São Paulo esteja linda no filme – vive seu momento meio 'Kimi no Na wa' e vai desvendando, aos poucos, aquele delicado quebra-cabeça existencial que ensina: A memória pode até desaparecer, mas a transformação causada pela experiência vivida continuará lembrando por nós.
Aqui, escolher a mudança é seguir em frente. Abrir mão do controle e encontrar, talvez, uma história de amor.
Seu Nome
4.5 1,5K"...é como se a memória não fosse o que fica gravado com rigidez na nossa mente racional, mas algo que habita uma camada abaixo: mais leve e fluida, inspirando pra sempre aquilo que somos."
Trecho de uma mensagem que escrevi, numa conversa totalmente outra, pouco antes de saber qualquer coisa desse filme. Acaso e destino também são musubi.
Dias Perfeitos
4.2 633 Assista Agora...e também as sombras que não se reforçam quando se sobrepõem: Os sonhos ainda são sonhos. As lembranças são lembranças. A próxima vez é a próxima vez. O agora é agora.
Luz e sombra coexistem, no contentamento e paz interior de uma vida colorida no presente.
A trilha sonora inteira? 10/10
Metrópolis
4.4 658 Assista AgoraA voz de megafone do meu professor de história ecoava por todo o corredor, as aulas me davam dor de cabeça. Faz mais de 20 anos e ainda ouço sua voz estridente descrevendo as características de um bom líder carismático — grifem aí "lí-der ca-ris-má-ti-co" —, falando assim, pausadamente.
Metrópolis é um filme grandioso, impressionante e belíssimo! O panfletário protofascista mais fascinante que já vi na vida.
(obrigada por tudo, Laércio, onde quer que você esteja.)
Um Dia de Fúria
3.9 944 Assista Agoravc não é a vítima, cidadão de bem. o mundo não te deve nada.