Mais um documentário essencial do time do Representation Project.
Da mesma forma que Miss Representation trabalha a representação feminina na mídia, The Mask You Live In investiga profundamente o que significa ser homem na nossa sociedade.
Não é surpreendente aprender que o conceito de masculinidade é rodeado de noções de violência, medo e omissão de sentimentos. E é de partir o coração ver testemunhos de garotos de 10, 9 anos afirmando que é essa masculinidade que eles aprenderam desde cedo. Pra mim, o triunfo desse documentário é a relação clara que é exposta entre essa concepção de masculinidade e os dados sobre violência realizada por homens, violência essa que pode acontecer de várias formas.
Seja nos números alarmantes de tendências suicidas e homicidas entre homens, seja nas inúmeras formas de violência contra a mulher, somos levados a perceber o quanto os ideais de masculinidade que nossa sociedade valoriza são responsáveis por promover a imagem do homem sem emoções, 'garanhão' e que conquista tudo o que quer por meio da violência.
Gosto muito da solução proposta pelo documentário, reconciliar características "femininas" e "masculinas" como forma de combater os estereótipos de gênero, porque é exatamente o distanciamento entre essas duas categorias (e a demonização de tudo que é considerado feminino) que promove homofobia e machismo - e, consequentemente, a super valorização do que é considerado masculino.
O documentário é contextualizado nos Estados Unidos, mas é muito fácil de transportar seu conteúdo pro Brasil. Fico na torcida pra que ele chegue na Netflix daqui.
Não tem coisa mais fascinante do que assistir alguém mudar seu posicionamento sobre noções de moral e ética. Vimos isso em Breaking Bad com o Walter, vemos isso de novo com o Saul. O Vince Gilligan é meu showrunner favorito, de longe.
A premissa original é interessante, mas acho que ela não é explorada ao máximo. No quarto episódio eu já via que o grosso da temporada seria "personagem X em apuros, personagem Y compartilha habilidades com X e este se salva". A falta de explicações sobre o main plot deixa muito a desejar. Eu entendo que essa falta de explicações é intencional, pra deixar a série com um ar mais Lost, mas em alguns pontos eu achei que muita coisa era pura plot magic, os roteiristas davam uma explicação fantástica pro que acontecia com a desculpa de que tudo seria explicado ao decorrer da trama.
Os personagens realmente são muito cativantes, teoricamente. Eu acho incrível que a Netflix tenha produzido uma serie com um cast tão inclusivo, representação é uma coisa importantíssima e eles acertaram em cheio. Mas meu desconforto com a religião hindu sendo retratada como um grupo de fanáticos violentos e a superficialidade de alguns personagens foi tão grande a ponto de me fazer questionar a qualidade dos roteiros e o mérito da série em tratar questões como homossexualidade e transexualidade com a naturalidade que elas merecem.
Eu imagino que seja muito difícil tratar de oito enredos diferentes em uma única temporada, mas ainda assim eu não posso ignorar o fato de que o ritmo de alguns dos subplots é horrível. Todos os personagens passam por períodos de pura inércia, sem nenhum desenvolvimento de caráter ou de enredo. A verossimilhança é outro problema em Sense8. Ok, é uma série de ficção que conta com minha suspensão de descrença, mas o senso de perigo foi completamente arruinado pela quantidade de vezes em que um personagem desarmado derrotou grupos grandes de outros personagens armados e mais fortes. Sempre que uma situação dessa se formava, eu já esperava que um dos protagonistas se daria bem. Por exemplo, o confronto final entre Wolfgang e Steiner foi completamente exagerado e até um pouco brega. Quase não houve um desenvolvimento da tensão entre os personagens - e ele ter usado uma bazuca pra matar o cara foi um exagero enorme, eu poderia ter dormido sem essa breguice (sem contar a Van Damme chutando um cara no subplot do Capheus).
Enfim, a Netflix acertou na mosca quando percebeu que havia um público carente de uma ficção científica tipo Lost dos irmãos Wachowski com um elenco inclusivo. Mas pra mim, a soma dessas partes resultou numa temporada de ritmo errático, plot holes disfarçados de premissa e um grupo de protagonistas interessantes e com forte apelo popular, mas que são escritos de forma superficial.
Mas tem aquilo né, pode ser que a segunda temporada corrija alguns dos erros da primeira. E os primeiros episódios foram bons, talvez eles consigam repetir a qualidade desses primeiros episódios na segunda temporada.
Se por um lado eu gosto do fato de que os escritores estão escrevendo a série pra não ter protagonistas fixas, por outro eu acho que a falta de foco em certos arcos prejudicou essa temporada. Não parece que a decisão da Piper de se tornar a gângster da prisão foi motivada por algo relevante, ela mudou seu comportamento de forma muito brusca, sem nuances; adorei a Crazy Eyes virando a sensação da prisão, mas a história toda parece não ter tido uma razão importante de ser - a mesma coisa aconteceu com a Norma. O sumiço do Benett (que eu realmente não entendi, será que tem algo a ver com o ator?), a paranoia da Alex com a Lolly, o caso entre Caputo e Fig, o climão entre Red e Healy (não cai na dele não Red, pls), os problemas da Soso, a conversão da Cindy, a prisão do Cesar, o casamento da Lorna... tantas histórias que ou não encaixaram muito bem com o que a gente sabia desses personagens ou simplesmente não encontraram um fim definitivo, isso me incomodou muito durante a temporada. Apesar disso tudo, os flashbacks foram interessantes e as abordagens de temas como estupro e aborto foram ótimas. A cena do lago foi linda, mas não me afetou tanto quanto podia ter afetado caso a temporada tivesse sido mais interessante.
Não foi uma temporada ruim, mas foi muito aquém do que poderia ter sido feito. Talvez isso seja um presságio da dificuldade que vai ser enfrentada pra manter a série em alta; não em termos de audiência ou investimento emocional dos fãs, mas em termos de narrativa.
A ideia de que a guerra contra as drogas trata um problema de saúde pública como se fosse um problema legal é muito interessante, é uma das várias lições do documentário que nós brasileiros podemos trazer à nossa realidade.
Fui ver The Normal Heart com grandes expectativas, e elas foram mais que correspondidas. A temática da AIDS é muito bem retratada e as atuações de todos são incríveis. Os vários monólogos mostram como boas atuações são decisivas pra qualidade de qualquer filme. Mais uma obra prima da HBO.
O filme que me fez checar meus privilégios, repensar minha relação com a representação de mulheres na mídia e entender o incrível poder da mídia sobre a sociedade, especialmente sobre crianças. Entra fácil fácil no meu top 5.
Fui saber o que é blaxploitation com esse filme, e não podia ter sido mais divertido conhecer o gênero. A comédia é bem dosada durante o filme, e gostei bastante de algumas das cenas de luta, o que não acontece muito. Uma das minhas comédias favoritas.
Indie Game: The Movie é mais que um documentário sobre desenvolvedores de jogos indies, é um documento sobre como a arte pode ser transformadora, e como o esforço de pessoas mal pagas e sem prestígio pode ser recompensado. Tendo jogado dois dos jogos mostrados no filme (Braid e Super Meat Boy), eu percebi a força dos desenvolvedores indies e sua capacidade de transformar a indústria dos jogos com o seu trabalho. Recomendo pra qualquer pessoa que realize trabalho criativo.
Filme bem estruturado, todos os atos têm algo divertido e direcionados a mover a história pra frente. Achei o Baymax um personagem surpreendentemente complexo (além de super engraçado). Os estúdios de animação da Disney estão fazendo ótimos filmes da Pixar ultimamente.
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A Máscara em que Você Vive
4.5 202Mais um documentário essencial do time do Representation Project.
Da mesma forma que Miss Representation trabalha a representação feminina na mídia, The Mask You Live In investiga profundamente o que significa ser homem na nossa sociedade.
Não é surpreendente aprender que o conceito de masculinidade é rodeado de noções de violência, medo e omissão de sentimentos. E é de partir o coração ver testemunhos de garotos de 10, 9 anos afirmando que é essa masculinidade que eles aprenderam desde cedo. Pra mim, o triunfo desse documentário é a relação clara que é exposta entre essa concepção de masculinidade e os dados sobre violência realizada por homens, violência essa que pode acontecer de várias formas.
Seja nos números alarmantes de tendências suicidas e homicidas entre homens, seja nas inúmeras formas de violência contra a mulher, somos levados a perceber o quanto os ideais de masculinidade que nossa sociedade valoriza são responsáveis por promover a imagem do homem sem emoções, 'garanhão' e que conquista tudo o que quer por meio da violência.
Gosto muito da solução proposta pelo documentário, reconciliar características "femininas" e "masculinas" como forma de combater os estereótipos de gênero, porque é exatamente o distanciamento entre essas duas categorias (e a demonização de tudo que é considerado feminino) que promove homofobia e machismo - e, consequentemente, a super valorização do que é considerado masculino.
O documentário é contextualizado nos Estados Unidos, mas é muito fácil de transportar seu conteúdo pro Brasil. Fico na torcida pra que ele chegue na Netflix daqui.
Better Call Saul (2ª Temporada)
4.3 361 Assista AgoraNão tem coisa mais fascinante do que assistir alguém mudar seu posicionamento sobre noções de moral e ética. Vimos isso em Breaking Bad com o Walter, vemos isso de novo com o Saul. O Vince Gilligan é meu showrunner favorito, de longe.
O Menino e o Mundo
4.3 734 Assista AgoraAchei o meio da narrativa um pouco lenta, mas todo o resto é ouro puro.
Sense8 (1ª Temporada)
4.4 2,1K Assista AgoraSense8 pra mim é a prova de que algoritmos sozinhos não fazem boas séries.
A premissa original é interessante, mas acho que ela não é explorada ao máximo. No quarto episódio eu já via que o grosso da temporada seria "personagem X em apuros, personagem Y compartilha habilidades com X e este se salva".
A falta de explicações sobre o main plot deixa muito a desejar. Eu entendo que essa falta de explicações é intencional, pra deixar a série com um ar mais Lost, mas em alguns pontos eu achei que muita coisa era pura plot magic, os roteiristas davam uma explicação fantástica pro que acontecia com a desculpa de que tudo seria explicado ao decorrer da trama.
Os personagens realmente são muito cativantes, teoricamente. Eu acho incrível que a Netflix tenha produzido uma serie com um cast tão inclusivo, representação é uma coisa importantíssima e eles acertaram em cheio. Mas meu desconforto com a religião hindu sendo retratada como um grupo de fanáticos violentos e a superficialidade de alguns personagens foi tão grande a ponto de me fazer questionar a qualidade dos roteiros e o mérito da série em tratar questões como homossexualidade e transexualidade com a naturalidade que elas merecem.
Eu imagino que seja muito difícil tratar de oito enredos diferentes em uma única temporada, mas ainda assim eu não posso ignorar o fato de que o ritmo de alguns dos subplots é horrível. Todos os personagens passam por períodos de pura inércia, sem nenhum desenvolvimento de caráter ou de enredo. A verossimilhança é outro problema em Sense8. Ok, é uma série de ficção que conta com minha suspensão de descrença, mas o senso de perigo foi completamente arruinado pela quantidade de vezes em que um personagem desarmado derrotou grupos grandes de outros personagens armados e mais fortes. Sempre que uma situação dessa se formava, eu já esperava que um dos protagonistas se daria bem. Por exemplo, o confronto final entre Wolfgang e Steiner foi completamente exagerado e até um pouco brega. Quase não houve um desenvolvimento da tensão entre os personagens - e ele ter usado uma bazuca pra matar o cara foi um exagero enorme, eu poderia ter dormido sem essa breguice (sem contar a Van Damme chutando um cara no subplot do Capheus).
Mas tem aquilo né, pode ser que a segunda temporada corrija alguns dos erros da primeira. E os primeiros episódios foram bons, talvez eles consigam repetir a qualidade desses primeiros episódios na segunda temporada.
Divertida Mente
4.3 3,3K Assista AgoraAdorei o filme, mal posso esperar pra assistir com a Amy Poehler dublando a Joy.
Orange Is The New Black (3ª Temporada)
4.2 780 Assista AgoraCom certeza a temporada mais fraca.
Se por um lado eu gosto do fato de que os escritores estão escrevendo a série pra não ter protagonistas fixas, por outro eu acho que a falta de foco em certos arcos prejudicou essa temporada. Não parece que a decisão da Piper de se tornar a gângster da prisão foi motivada por algo relevante, ela mudou seu comportamento de forma muito brusca, sem nuances; adorei a Crazy Eyes virando a sensação da prisão, mas a história toda parece não ter tido uma razão importante de ser - a mesma coisa aconteceu com a Norma. O sumiço do Benett (que eu realmente não entendi, será que tem algo a ver com o ator?), a paranoia da Alex com a Lolly, o caso entre Caputo e Fig, o climão entre Red e Healy (não cai na dele não Red, pls), os problemas da Soso, a conversão da Cindy, a prisão do Cesar, o casamento da Lorna... tantas histórias que ou não encaixaram muito bem com o que a gente sabia desses personagens ou simplesmente não encontraram um fim definitivo, isso me incomodou muito durante a temporada.
Apesar disso tudo, os flashbacks foram interessantes e as abordagens de temas como estupro e aborto foram ótimas. A cena do lago foi linda, mas não me afetou tanto quanto podia ter afetado caso a temporada tivesse sido mais interessante.
Não foi uma temporada ruim, mas foi muito aquém do que poderia ter sido feito. Talvez isso seja um presságio da dificuldade que vai ser enfrentada pra manter a série em alta; não em termos de audiência ou investimento emocional dos fãs, mas em termos de narrativa.
The House I Live In
4.1 3A ideia de que a guerra contra as drogas trata um problema de saúde pública como se fosse um problema legal é muito interessante, é uma das várias lições do documentário que nós brasileiros podemos trazer à nossa realidade.
E a última fala é de matar.
The Normal Heart
4.3 1,0K Assista AgoraFui ver The Normal Heart com grandes expectativas, e elas foram mais que correspondidas. A temática da AIDS é muito bem retratada e as atuações de todos são incríveis. Os vários monólogos mostram como boas atuações são decisivas pra qualidade de qualquer filme. Mais uma obra prima da HBO.
Mulheres na Mídia
4.4 52O filme que me fez checar meus privilégios, repensar minha relação com a representação de mulheres na mídia e entender o incrível poder da mídia sobre a sociedade, especialmente sobre crianças. Entra fácil fácil no meu top 5.
Black Dynamite
4.0 129Fui saber o que é blaxploitation com esse filme, e não podia ter sido mais divertido conhecer o gênero. A comédia é bem dosada durante o filme, e gostei bastante de algumas das cenas de luta, o que não acontece muito. Uma das minhas comédias favoritas.
Indie Game: The Movie
4.3 157 Assista AgoraIndie Game: The Movie é mais que um documentário sobre desenvolvedores de jogos indies, é um documento sobre como a arte pode ser transformadora, e como o esforço de pessoas mal pagas e sem prestígio pode ser recompensado. Tendo jogado dois dos jogos mostrados no filme (Braid e Super Meat Boy), eu percebi a força dos desenvolvedores indies e sua capacidade de transformar a indústria dos jogos com o seu trabalho. Recomendo pra qualquer pessoa que realize trabalho criativo.
Operação Big Hero
4.2 1,9K Assista AgoraFilme bem estruturado, todos os atos têm algo divertido e direcionados a mover a história pra frente. Achei o Baymax um personagem surpreendentemente complexo (além de super engraçado). Os estúdios de animação da Disney estão fazendo ótimos filmes da Pixar ultimamente.