[ALERTA DE SPOILER] "Corra!" é um filme que busca, de maneira satírica, denunciar o racismo que permeia a forma como se configura a relação entre brancos e negros. Começamos sendo apresentados a Chris, um homem negro que trabalha com fotografia, e à sua namorada, Rose, uma mulher branca de família afortunada. O filme inicia explorando a tensão racial que se estabelece na relação entre Chris e Rose, quando Rose decide apresentá-lo à sua família: percebemos o medo de Chris em como ele será recebido, o medo de ocupar o não-lugar diante de uma família composta apenas de pessoas brancas. Quando Chris chega, de fato, à casa de sua namorada, podemos ver o modo como a família dela o trata com condescendência e exotismo, e o quanto ele se sente deslocado ao notar que é o único negro que não está em posição de subserviência - como estão a Georgina e o Walter. Conforme o tempo se passa na casa de sua namorada, Chris percebe que há algo de errado com as outras pessoas negras que lá se encontram: todas elas parecem em transe, como se tivessem sido hipnotizadas, assim como ele foi, pela mãe de Rose. Nesse sentido, o filme, por meio do absurdo que se apresenta na ideia de hipnose, expõe que nas relações de trabalho em que o espaço laboral é a casa de uma família branca e os empregados são negros, estes precisam abrir mão de suas subjetividades para atender às necessidades do branco: vestir-se como o branco, não fazer barulho para não incomodar e se mostrar sempre disposto a servir - e aí, quem sabe, essa pessoa não possa ser considerada "da família"... Felizmente, Chris, depois de descobrir o segredo perturbador que aquela família guardava, consegue escapar com a ajuda de seu amigo Rod Williams. Apesar de ser um personagem secundário, guardo um carinho muito grande por Rod Williams, uma vez que ele é apresentado como um personagem cômico, representando um suspiro e um alívio, nos momentos em que aparece, frente à tensão e ao desconforto cada vez maiores ao longo do filme. Estou muito longe de ser um cinéfilo e mais distante ainda de ser um consumidor de filmes de terror psicológico e de suspense; por isso, posterguei por um longo tempo, até decidir assisti-lo. Que bom que eu dei uma chance, porque esse filme me impactou consideravelmente e, com certeza, o levarei comigo em minha memória.
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Corra!
4.2 3,7K Assista Agora[ALERTA DE SPOILER]
"Corra!" é um filme que busca, de maneira satírica, denunciar o racismo que permeia a forma como se configura a relação entre brancos e negros.
Começamos sendo apresentados a Chris, um homem negro que trabalha com fotografia, e à sua namorada, Rose, uma mulher branca de família afortunada.
O filme inicia explorando a tensão racial que se estabelece na relação entre Chris e Rose, quando Rose decide apresentá-lo à sua família: percebemos o medo de Chris em como ele será recebido, o medo de ocupar o não-lugar diante de uma família composta apenas de pessoas brancas.
Quando Chris chega, de fato, à casa de sua namorada, podemos ver o modo como a família dela o trata com condescendência e exotismo, e o quanto ele se sente deslocado ao notar que é o único negro que não está em posição de subserviência - como estão a Georgina e o Walter.
Conforme o tempo se passa na casa de sua namorada, Chris percebe que há algo de errado com as outras pessoas negras que lá se encontram: todas elas parecem em transe, como se tivessem sido hipnotizadas, assim como ele foi, pela mãe de Rose. Nesse sentido, o filme, por meio do absurdo que se apresenta na ideia de hipnose, expõe que nas relações de trabalho em que o espaço laboral é a casa de uma família branca e os empregados são negros, estes precisam abrir mão de suas subjetividades para atender às necessidades do branco: vestir-se como o branco, não fazer barulho para não incomodar e se mostrar sempre disposto a servir - e aí, quem sabe, essa pessoa não possa ser considerada "da família"...
Felizmente, Chris, depois de descobrir o segredo perturbador que aquela família guardava, consegue escapar com a ajuda de seu amigo Rod Williams. Apesar de ser um personagem secundário, guardo um carinho muito grande por Rod Williams, uma vez que ele é apresentado como um personagem cômico, representando um suspiro e um alívio, nos momentos em que aparece, frente à tensão e ao desconforto cada vez maiores ao longo do filme.
Estou muito longe de ser um cinéfilo e mais distante ainda de ser um consumidor de filmes de terror psicológico e de suspense; por isso, posterguei por um longo tempo, até decidir assisti-lo. Que bom que eu dei uma chance, porque esse filme me impactou consideravelmente e, com certeza, o levarei comigo em minha memória.