Para quem viu o final de Twin Peaks, deixo esse ensaio chamado “Destinos mortos continuam vivos” – uma reflexão acerca da série, da ontologia das assombrações e da vida em cidades pequenas.
"Quando você vive em uma cidade pequena, você tem consciência desses passados coletivos em que você não foi personagem, você tem consciência de que a cidade inteira é o que é agora porque aconteceu de não ter sido de outro jeito. Abundam futuros que nunca se concretizaram, esperanças assassinadas pela realidade. Cada habitante cultiva sua própria versão do mesmo sentimento, o de que tudo poderia ter sido diferente".
Para quem está acompanhando a série e já viu o episódio 8, deixo este texto sobre a representação do horror pós-industrial em Twin Peaks.
"Se antes a humanidade teve tempo suficiente para elaborar seus símbolos de medos elementares, a Era Atômica trouxe consigo um novo tipo de horror em que símbolo e medo haviam nascido ao mesmo tempo. Eram indissociáveis".
Para quem já viu o filme, deixo aqui um texto sobre "Eu, Daniel Blake", a desumanização e o poder da expressão.
"É um sistema que o mantém em perpétuo estado de desamparo e confusão, dando voltas e voltas em procedimentos cada vez mais confusos envolvendo formulários, peritos e orientações sobre curricula vitae feitos em computador. Todas essas sequências ocupam a primeira parte do filme e demonstram fascínio e horror diante dos mecanismos absurdos, híbridos de ouroboros burocrático e corredor polonês psicológico. O conflito apresentado aqui é o de um cidadão comum buscando espaço para satisfazer suas necessidades em meio a forças que regem um Estado corrompido de dentro para fora. No entanto, essa não é a história de Daniel Blake. Se dependesse do próprio personagem, sua vida não seria contada dessa maneira e não se resumiria aos formulários preenchidos e entregues em repartições do serviço público em Newcastle. A história de Blake é a de um homem comum. Um trabalhador viúvo cuja vida foi tão banal e igualmente fascinante quanto milhões de vidas mundo afora. Essa é uma história de narrativas arbitrárias impostas pelo Estado a cada um de nós."
Para quem já viu o filme, deixo aqui um texto sobre T2 e o êxtase da nostalgia como princípio estético. Além disso, incluí comparações entre vários quadros dos dois filmes e considerações sobre o uso de música pop.
"Ainda que onipresente, Born Slippy nunca ultrapassa seus primeiros acordes, nunca tem a chance de se desenvolver musicalmente e alcançar o crescendo que transforma a ambient music em techno. Em todos os cantos há a promessa, mas nunca a concretização. Há sempre o desejo, mas nunca a catarse. O fantasma do passado é como três acordes em repetição que nunca progridem ou alcançam um tema. Entretanto, a repetição desses acordes é um tema em si, como se a impossibilidade de progredir fosse o leitmotiv da vida."
Texto completo em medium. com/ @matheusmedeborg
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Twin Peaks (3ª Temporada)
4.4 623 Assista AgoraPara quem viu o final de Twin Peaks, deixo esse ensaio chamado “Destinos mortos continuam vivos” – uma reflexão acerca da série, da ontologia das assombrações e da vida em cidades pequenas.
"Quando você vive em uma cidade pequena, você tem consciência desses passados coletivos em que você não foi personagem, você tem consciência de que a cidade inteira é o que é agora porque aconteceu de não ter sido de outro jeito. Abundam futuros que nunca se concretizaram, esperanças assassinadas pela realidade. Cada habitante cultiva sua própria versão do mesmo sentimento, o de que tudo poderia ter sido diferente".
Texto completo em medium .com/@matheusmedeborg
Twin Peaks (3ª Temporada)
4.4 623 Assista AgoraPara quem está acompanhando a série e já viu o episódio 8, deixo este texto sobre a representação do horror pós-industrial em Twin Peaks.
"Se antes a humanidade teve tempo suficiente para elaborar seus símbolos de medos elementares, a Era Atômica trouxe consigo um novo tipo de horror em que símbolo e medo haviam nascido ao mesmo tempo. Eram indissociáveis".
Texto completo em medium .com/@matheusmedeborg
Eu, Daniel Blake
4.3 537 Assista AgoraPara quem já viu o filme, deixo aqui um texto sobre "Eu, Daniel Blake", a desumanização e o poder da expressão.
"É um sistema que o mantém em perpétuo estado de desamparo e confusão, dando voltas e voltas em procedimentos cada vez mais confusos envolvendo formulários, peritos e orientações sobre curricula vitae feitos em computador. Todas essas sequências ocupam a primeira parte do filme e demonstram fascínio e horror diante dos mecanismos absurdos, híbridos de ouroboros burocrático e corredor polonês psicológico.
O conflito apresentado aqui é o de um cidadão comum buscando espaço para satisfazer suas necessidades em meio a forças que regem um Estado corrompido de dentro para fora. No entanto, essa não é a história de Daniel Blake. Se dependesse do próprio personagem, sua vida não seria contada dessa maneira e não se resumiria aos formulários preenchidos e entregues em repartições do serviço público em Newcastle. A história de Blake é a de um homem comum. Um trabalhador viúvo cuja vida foi tão banal e igualmente fascinante quanto milhões de vidas mundo afora. Essa é uma história de narrativas arbitrárias impostas pelo Estado a cada um de nós."
Texto completo em medium. com/ @matheusmedeborg
T2: Trainspotting
4.0 695 Assista AgoraPara quem já viu o filme, deixo aqui um texto sobre T2 e o êxtase da nostalgia como princípio estético. Além disso, incluí comparações entre vários quadros dos dois filmes e considerações sobre o uso de música pop.
"Ainda que onipresente, Born Slippy nunca ultrapassa seus primeiros acordes, nunca tem a chance de se desenvolver musicalmente e alcançar o crescendo que transforma a ambient music em techno.
Em todos os cantos há a promessa, mas nunca a concretização. Há sempre o desejo, mas nunca a catarse. O fantasma do passado é como três acordes em repetição que nunca progridem ou alcançam um tema. Entretanto, a repetição desses acordes é um tema em si, como se a impossibilidade de progredir fosse o leitmotiv da vida."
Texto completo em medium. com/ @matheusmedeborg