Sequência de Trainspotting - Sem Limites (1996), a trama apresenta os mesmos personagens e o mesmo elenco, vinte anos depois. A história é inspirada do livro "Porno", de Irvine Welsh.
Assisti aos dois filmes entre ontem e hoje... acabei lendo alguns comentários de uma galera chamando a continuação basicamente de "nostalgic shaite" kkkkkk. Digo que precisamos concordar em discordar!
Bora lá. Talvez assistir aos dois filmes praticamente em sequência tenha me feito perceber isso ainda mais, mas há em T2, de fato, uma segunda camada temporal, em que o presente está constantemente sendo comparado ao passado. Só que, para mim, o filme utiliza essa carga nostálgica de maneira bastante autoconsciente para falar sobre passagem do tempo, fracasso, arrependimento, amizade, envelhecimento, identidade, reconciliação. Eu senti que, em vez de simplesmente vender essa nostalgia, T2 a coloca sob suspeita, em julgamento, usando-a para confrontar o passado e colocar em perspectiva aquilo que os personagens foram, aquilo que escolheram ser e aquilo que acabaram se tornando. Ao ser simultaneamente alimentada e questionada, ela deixa, portanto, de ser apenas uma emoção e passa a ser uma forma de reflexão.
Boyle reutiliza, por exemplo, enquadramentos, músicas, frases e locações, mas como rimas visuais, narrativas e sonoras, repetindo elementos do original para deslocar seus significados. Aquilo que era marcado por impulso e exuberância juvenil, aquela energia anárquica pulsante, agora carrega uma melancolia que antes não estava ali. A própria fuga (não somente física) de Renton, antes construída como libertação, se transforma em retorno, questionando se uma pessoa realmente consegue escapar da própria história. E acho que é justamente aí que essas repetições começam a funcionar como algo mais do que simples fan service: você reconhece aquilo que já viu, mas percebe que aquilo já não significa exatamente a mesma coisa.
O longa não esconde que quer que você reconheça Trainspotting. Ele praticamente constrói uma relação de cumplicidade com o espectador: "Você lembra dessa cena?". "E dessa música?". "Lembra dessa frase?". "Desses caras?". Mas daí imediatamente depois vem outra pergunta: "E agora, o que isso significa?". E o mais interessante é que Boyle não precisa escolher entre explorar e criticar essa nostalgia. T2 faz as duas coisas ao mesmo tempo. Ele sabe que rever aqueles personagens, aquelas músicas e aquelas imagens produz prazer no espectador, e de forma alguma tenta esconder esse prazer. A questão, para mim, é justamente o que fazemos com ele: reconhecer Trainspotting novamente também significa perceber a distância entre aquele filme e este, entre aqueles personagens e estas versões envelhecidas deles.
E tem mais, essa relação com o passado não pertence apenas ao espectador: ela está no próprio conflito entre os personagens. Cada um carrega uma versão diferente daquela juventude, e o reencontro força essas memórias a colidirem com aquilo que se tornaram. Renton volta tentando encarar uma história da qual passou anos fugindo; Sick Boy permanece preso ao ressentimento e à imagem que construiu de si mesmo; Spud, talvez o mais melancólico dos quatro, tenta transformar as próprias lembranças em alguma forma de compreensão. O passado, então, não aparece como um lugar comum ao qual todos desejam retornar, mas como algo que cada um precisa reinterpretar à luz do presente. E é justamente aí que a nostalgia deixa de ser apenas celebração, uma vez que revisitar o passado implica também confrontar as imagens que os personagens construíram dele com as consequências de suas escolhas no presente.
Na minha experiência, T2 ampliou o significado do primeiro filme em vez de apenas prolongá-lo, que é o medinho que sempre bate quando surgem sequels assim. Ele não tenta ser Trainspotting de novo; ele filma a ressaca do original, examinando o que restou daquela juventude depois que o futuro virou passado. Como eu disse antes, a nostalgia está ali, deliberadamente ambígua, pois o filme sabe que também está se beneficiando dela. Mas acho que ela não funciona como um convite para voltar, e sim como uma forma de confrontar aquilo que não pode mais ser recuperado. Ressignificar talvez seja a palavra. Por isso o filme me parece menos interessado em celebrar o passado do que em se reconciliar com ele. Nós podemos retornar aos mesmos lugares, reencontrar as mesmas pessoas e revisitar as mesmas memórias, mas nunca voltar a ser quem éramos quando elas significavam outra coisa. Gostei demais!
É uma ótima sequência. Gostei das referências que fizeram a algumas cenas icônicas do primeiro, e desenvolvem bem a vida de cada personagem. Spud é com certeza o melhor personagem, o que você mais simpatiza. Sick boy virou uma espécie de begbie dois. Mark como o protagonista é o mais desenvolvido e o mais "saudável" dos amigos. Begbie continua sendo o mesmo psicopata, ele até pareceu que iria ter uma redenção interessante no final. Veronika é uma personagem carismática, e tem um plot legal.
Assisti aos dois filmes entre ontem e hoje... acabei lendo alguns comentários de uma galera chamando a continuação basicamente de "nostalgic shaite" kkkkkk. Digo que precisamos concordar em discordar!
Bora lá. Talvez assistir aos dois filmes praticamente em sequência tenha me feito perceber isso ainda mais, mas há em T2, de fato, uma segunda camada temporal, em que o presente está constantemente sendo comparado ao passado. Só que, para mim, o filme utiliza essa carga nostálgica de maneira bastante autoconsciente para falar sobre passagem do tempo, fracasso, arrependimento, amizade, envelhecimento, identidade, reconciliação. Eu senti que, em vez de simplesmente vender essa nostalgia, T2 a coloca sob suspeita, em julgamento, usando-a para confrontar o passado e colocar em perspectiva aquilo que os personagens foram, aquilo que escolheram ser e aquilo que acabaram se tornando. Ao ser simultaneamente alimentada e questionada, ela deixa, portanto, de ser apenas uma emoção e passa a ser uma forma de reflexão.
Boyle reutiliza, por exemplo, enquadramentos, músicas, frases e locações, mas como rimas visuais, narrativas e sonoras, repetindo elementos do original para deslocar seus significados. Aquilo que era marcado por impulso e exuberância juvenil, aquela energia anárquica pulsante, agora carrega uma melancolia que antes não estava ali. A própria fuga (não somente física) de Renton, antes construída como libertação, se transforma em retorno, questionando se uma pessoa realmente consegue escapar da própria história. E acho que é justamente aí que essas repetições começam a funcionar como algo mais do que simples fan service: você reconhece aquilo que já viu, mas percebe que aquilo já não significa exatamente a mesma coisa.
O longa não esconde que quer que você reconheça Trainspotting. Ele praticamente constrói uma relação de cumplicidade com o espectador: "Você lembra dessa cena?". "E dessa música?". "Lembra dessa frase?". "Desses caras?". Mas daí imediatamente depois vem outra pergunta: "E agora, o que isso significa?". E o mais interessante é que Boyle não precisa escolher entre explorar e criticar essa nostalgia. T2 faz as duas coisas ao mesmo tempo. Ele sabe que rever aqueles personagens, aquelas músicas e aquelas imagens produz prazer no espectador, e de forma alguma tenta esconder esse prazer. A questão, para mim, é justamente o que fazemos com ele: reconhecer Trainspotting novamente também significa perceber a distância entre aquele filme e este, entre aqueles personagens e estas versões envelhecidas deles.
E tem mais, essa relação com o passado não pertence apenas ao espectador: ela está no próprio conflito entre os personagens. Cada um carrega uma versão diferente daquela juventude, e o reencontro força essas memórias a colidirem com aquilo que se tornaram. Renton volta tentando encarar uma história da qual passou anos fugindo; Sick Boy permanece preso ao ressentimento e à imagem que construiu de si mesmo; Spud, talvez o mais melancólico dos quatro, tenta transformar as próprias lembranças em alguma forma de compreensão. O passado, então, não aparece como um lugar comum ao qual todos desejam retornar, mas como algo que cada um precisa reinterpretar à luz do presente. E é justamente aí que a nostalgia deixa de ser apenas celebração, uma vez que revisitar o passado implica também confrontar as imagens que os personagens construíram dele com as consequências de suas escolhas no presente.
Na minha experiência, T2 ampliou o significado do primeiro filme em vez de apenas prolongá-lo, que é o medinho que sempre bate quando surgem sequels assim. Ele não tenta ser Trainspotting de novo; ele filma a ressaca do original, examinando o que restou daquela juventude depois que o futuro virou passado. Como eu disse antes, a nostalgia está ali, deliberadamente ambígua, pois o filme sabe que também está se beneficiando dela. Mas acho que ela não funciona como um convite para voltar, e sim como uma forma de confrontar aquilo que não pode mais ser recuperado. Ressignificar talvez seja a palavra. Por isso o filme me parece menos interessado em celebrar o passado do que em se reconciliar com ele. Nós podemos retornar aos mesmos lugares, reencontrar as mesmas pessoas e revisitar as mesmas memórias, mas nunca voltar a ser quem éramos quando elas significavam outra coisa. Gostei demais!
O primeiro Trainspotting ousou com sua abordagem das drogas e teve uma trilha sonora que marcou época. Esse aqui sobrevive mais da nostalgia.
Visto em 26.11.2025.
É uma ótima sequência. Gostei das referências que fizeram a algumas cenas icônicas do primeiro, e desenvolvem bem a vida de cada personagem.
Spud é com certeza o melhor personagem, o que você mais simpatiza.
Sick boy virou uma espécie de begbie dois.
Mark como o protagonista é o mais desenvolvido e o mais "saudável" dos amigos.
Begbie continua sendo o mesmo psicopata, ele até pareceu que iria ter uma redenção interessante no final.
Veronika é uma personagem carismática, e tem um plot legal.
Seria tão legal se esse filme nunca tivesse existido, tirou um pouco da magia do primeiro!