Sabe aquela teoria dos 15 anos (o que você viu com 15 anos de idade não pode ser revisto depois de um tempo)? Pois é…
Michael Bay se junta a Jonathan Liebesman (De “Fúria de Titãs 2”, para você já ter uma idéia…) e ambos decidem soltar no mercado mundial “As Tartarugas Ninja”. Dessa vez tudo foi feito diferente: sai toda a maquiagem e bonecos e entram Computações Gráficas, indicando que um filme que fez tanto sucesso nos anos 80 poderia ser revisitado e dar um grande retorno. Mas, como toda jornada começa com o primeiro passo, esse mostra ser um passo em falso, rumo a um abismo.
Michael Bay assina como produtor, mas dá pra ver que ele fez 99% do trabalho. E como os filmes de Michael Bay não fazem sucesso por causa do seu plot revelador e intrigante, dessa vez a fórmula serviu (e muito) para entregar um filme tão superficial, forçado, chanchado e pouco carismático, que eu (que não sou disso!) estava me perguntando quando aquilo tudo ia acabar.
E a todos que amam a história das 4 tartarugas, aqui vai uma dica que vai salvá-los de ter um derrame dentro do cinema: não, a história não foi aquela propagada no começo (que as tartarugas teriam origem alienígena). Sim, é muito, muito, muito pior. MUITO MUITO PIOR MESMO!!!
O filme tira totalmente a carga dramática da história original, de tal forma que sequer começamos a entender o que as tartarugas têm a ver com o Clã do Pé, já que, se tais criaturas vivessem nos esgotos comendo pizza e prendendo batedores de carteira, seriam infinitamente mais felizes. O que se tem é uma total inversão do roteiro, coisa que será bem entendida para quem se aventurar a assistir.
Já que a explicação inicial já tinha sido uma furada, o que nos resta é ver as animações em computação gráfica dos quatro irmãos, certo? Errado!!! O filme caracteriza-se também pela total falta de escala nos personagens, (como caudas que esticam, personagens que não conseguem sustentar o próprio peso com uma mão só, mas que conseguem dar impulso para levantar 3 pessoas de uma vez, e … tartarugas emborrachadas?!?!) sendo que o único que se destaca na obra é Rafael, que eu e meu amigo Ruy (que eu arrastei pra ver comigo), concordamos que ficou muito bem feito, e com uma dose de fúria que assusta.
Por último, mas não o pior, temos o Destruidor. QUE DIABOS É AQUILO?!?! Um misto de Samurai de Prata (“Wolverine Imortal”) com Edward Mãos de Tesoura e com a cara de Lord Zed (Power Rangers). Tenho certeza que aquele traje deveria ser um “Transformer” que ficou de fora do filme porque não dava espaço. E por falar em espaço, ai…
Michael Bay conseguiu repetir o erro do primeiro e segundo filme da série dos Autobots, com cenas de luta tão rápidas e tão de perto que sequer notamos quem está batendo em quem e porque, e com o que, e como. Ou seja, o que seria um dos atrativos do filme acabou tornando-o mais cansativo ainda. E eu falo “outro”, porque o alívio cômico de Michelangelo está tão forçado e insosso que somente UMA piada se salva.
Não vou nem entrar no quesito “elenco”, porque ele é completamente ridículo e pífio. Parece que todo mundo sabia que quem tinha que atuar bem era a computação gráfica e nem se esforçaram em atuar.
“As Tartarugas Ninja” é um filme deplorável, o pior filme que eu vi este ano, me arrependo amargamente de ter visto no cinema. Destruiu minha infância de tal forma que vou procurar os 2 primeiros filmes e assistí-los aos prantos.
Gosto de filmes que não entregam a história pronta e ainda se dá ao trabalho de explicar tudo que está acontecendo. Toda a interpretação tem que partir do próprio espectador, e sua opinião pode ou não ser igual a de outra pessoa. E "O Homem Duplicado" acerta em cheio nesse quesito. Até o livro de José Saramago, no qual esse filme foi inspirado, não é fácil de entender. Todas as figuras de linguagem estão ali, e cabe ao leitor entendê-las ou não. Logo, essa transposição foi até bem-vinda nos dias atuais. O filme abusa dos tons quentes, como que para mostrar como é monótona e sufocante a vida dos envolvidos na trama. E Jake Gyllenhaal, que é praticamente 2/3 da história, sabe trabalhar bem os opostos e os sentimentos dele inerentes. Um filme excelente, denso ao extremo, e com um final lindo de tão surpreendente. Mas é recomendado para pessoas que gostam de cinema e de um bom conto.
Imagina um filme que funciona como se fosse uma ópera completa, com seu início, clímax mais acelerado e o final mais suave, pausado, comedido, como que já se despedindo do espectador após mostrar toda a tragédia nela contida. Grande Hotel Budapeste é essa ópera. A obra usa e abusa dos tons fortes constrastando com o escuro da prisão e o azul vivo da neve, para mostrar o quão penoso é o caminho de Sr. Gustave H. e seu pupilo Zero, que ao roubar uma obra de arte caríssima deixada para Gustave em testamento, começa uma verdadeira guerra contra uma família que não tem escrúpulos nenhum. Ao trabalhar o tema "uma narração dentro de uma narração", temos um Q de originalidade (e de certa forma exagerada, já que memórias sempre tendem a exagerar em algumas coisas), ao mostrar como era o dia-a-da do Hotel Budapeste, sob a tutela de Gustave H., que é interpretado por Ralph Fiennes, um homem remanescente de um tempo que não existia mais, e que era rígido como um ditador porém com um gênero dúbio muitas vezes explorado no desenrolar dos eventos. Apesar de se passar naquele hiato entre a primeira e segunda guerra mundial, há toda a tensão de um novo ser que espreita, a tensão política em manchetes de jornal e a total aversão dos protagonistas ao tema de guerra. Isso porque a obra que deu origem ao Grande Hotel Budapeste foi escrita por Stefan Sweig, um austríaco que, depois de servir na Primeira Guerra Mundial e em partes da Segunda Guerra, tornou-se um pacifista ferrenho, e que acabou exilado em Petrópolis, no Rio de Janeiro (inclusive, o termo "Brasil, o País do Futuro", foi criada por ele como nome de seu ensaio). Outro ponto de destaque é o elenco estelar, com todos os atores mostrando ápices de interpretação e se mantendo bem à vontade em seus respectivos papéis. Isso abrilhanta mais ainda toda a história. A trilha sonora é um espetáculo à parte, e não deixa a tensão cair em momento nenhum. "Grande Hotel Budapeste" está cogitado ao Oscar 2015 (o que eu espero que aconteça), e é um daqueles filmes que não vai sair da memória. O melhor filme do ano!!!
Quando um filme atinge o clímax da ação e é aclamado pelo público, é dever da sua sequência ser tão boa quanto. Infelizmente, não foi dessa vez. "O Cavaleiro das Trevas Ressurge" veio para pôr um ponto final na trilogia idealizada por Christopher Nolan, mas não sei se ele realmente conseguiu fazer o que queria. Porque o que se tem nesse filme é um atropelo de acontecimentos que poderiam ter durado mais de um filme. A saga de Bane (não mencionando "A Queda do Morcego", e sim, traçando o paralelo de uma nova história nos cinemas) poderia ter sido mais elaborada e soturna. Imagine se toda a recuperação de Bruce Wayne demorasse mais do que foi mostrado na tela (e tivesse uma explicação pelo menos coerente), com ele se restabelecendo não só fisica mas psicológicamente, enquanto Bane leva Gotham a uma situação caótica ao extremo, que se assemelhasse a "Arkham City" dos jogos. Claro, isso são devaneios meus, mas é que esse filme traz muitas perguntas e acontecimentos demais para pouquíssimas explicações e uma trama rocambolesca e violenta, que se caracteriza pela total ausência de sangue (é o que chamamos de ironia, nas palavras de Ragetti). Gosto muito dos trabalhos de Nolan (Amnésia é um dos meus filmes favoritos de todos os tempos), mas faltou um pouco mais de liberdade pra mostrar um produto final condizente com uma história que atraísse e amarrasse as pontas. Recomendado, mas ainda indignado.
"Sem Evidências" é aquele filme que não se importa em entregar tudo mastigado. Isso é uma coisa boa. O problema é que muitas vezes, ao usar esse chavão, acaba entregando uma obra com lapsos de tempo longos demais, e isso acaba cansando o espectador. O filme tem um tom melancólico e isso se revela até mesmo nos diálogos inflamados dos habitantes de uma cidadezinha do interior. Não sei se isso foi do intento do diretor, mas acaba que ele não consegue muito do resultado esperado, que era chocar o público com informações dúbias e detalhes das investigações que ocorreram na época do assassinato dos 3 meninos. Vale a pena assistir, mas tenha paciência.
No melhor estilo "Arquivo X", onde o ceticismo enfrenta uma crença exacerbada, O Espelho é um filme que tem uma boa dinâmica. O número reduzido de atores também contribuem para manter o climão da história, e tudo acontece na medida e tempo certo. Não é nada que vá mudar a história do mundo, mas diverte com os efeitos especiais e as ilusões de ótica. Detalhe: há alguns anos atrás, Mike Flannagan dirigiu um curta metragem chamado "Oculus - Chapter 3 - A Man with a Plan", onde um homem chamado Tim Russell tenta provar que o espelho era amaldiçoado. O filme meio que ampliou esse universo, contando um "prequel" desse curta, com sua irmã tentando destruir o mesmo objeto. E o homem que interpreta Tim Russell nesse curta é o homem que é responsável pela restauração dos objetos de arte na galeria onde Kaylie Russell trabalha. Legal, não? Pois bem, "O Espelho" é muito bom e merece ser visto.
Michael Bay sendo Michael Bay. O filme não tem clímax porque o filme TODO é um clímax. Além dos atores selecionados para este arco (que graças a Deus tirou Shia Lebouf), como Stanley Tucci e Mark Wahlberg, outro ponto de destaque é que finalmente acertaram nas cenas de ação (Pacific Rim fazendo escola!!!) e as lutas não é aquela embolação de pneus e estilhaços rodando pra tudo que é lado (com todos os trocadilhos possíveis). Vá ver! É um ótimo início de arco, mas ainda espero que o roteiro da sequência seja escrito por alguém que saiba trabalhar a carga dramática.
Esse filme belga tem aquele traço de requinte, que só um filme gastronômico pode ter. Da entrada até a sobremesa, um turbilhão de emoções se encontram, resultando num final forte e condizente. Um dos melhores do ano!
Esse sim é um filmaço! Com um tom completamente obscuro, que abusa dos tons azuis escuros, contrastando sempre com o fogo, em cores fortes e claras (talvez uma alusão à guerras antigas, onde quem dominava o fogo tinha mais poder bélico), "O Confronto" é uma ode à política, e mostra que não precisa ser humano para ter uma ideia diferente de sociedade. Recomendado pra cara.....!!!
Transcendence tinha tudo para ser a polêmica da década, mas preferiu seguir o caminho dos filões de Hollywood, varrendo para debaixo do tapete qualquer traço que se pareça com a realidade e apostando numa ação desembalada, sem noção e nexo algum, com todos os atores entregando papéis medianos e insossos. Se fosse para ver algo assim, poderiam muito bem ter feito um remake de "Passageiro do Futuro". Ali, pelo menos, temos um crescimento gradativo na inteligência de uma pessoa a ponto de ele achar que poderia mudar o mundo, e não um personagem que era o "Mastermind", que sofre um atentado e vê na singularidade a chance de concretizar seus sonhos. Faltou uma direção, um norte mais condizente com a trama. É uma pena.
Como a palavra do dia é "Reboot", eu imaginei que a Fox fosse zerar a franquia dos mutantes para acertar seu universo. Mas o que acabou acontecendo foi um retorno ao ponto zero, que acaba distorcendo o presente como o conhecemos e dá uma nova linha de raciocínio para o futuro. "Dias de um futuro esquecido" apela para a simplicidade. Não há um "testa de ferro" como o Xavier nos filmes anteriores, e toda a ação se dá de uma forma completamente amadora e improvisada, naquele estilão "eu jogo com as peças que eu tenho". O resultado é uma ação frenética, desordenada (num bom sentido) e viradas de mesa que já seriam até esperadas, não fosse o fato que estamos nos anos 70, onde a personalidade dos mocinhos e vilões ainda estão florescendo. Wolverine está mais ponderado e menos raivoso, e isso faz o filme ficar mais confortável, sem aquela de "agora ele vai dar uma explicação estúpida e f.... com tudo", como em "Wolverine Origens" e "Imortal". Bryan Singer soube trabalhar a psique do Wolverine do futuro, mais velho, comedido e menos turrão, deixando a raiva para outra pessoa. Michael Fassbender e James McAvoy abrilhantam mais o filme, nos seus diálogos tão eloquentes que chega a parecer duas personalidades de uma mesma pessoa, no melhor estilo "Jackyl e Hyde", e com um argumento tão espetacular que todos ficam calados. X-Men é um filmaço, conseguiu tirar o gosto ruim de "O Confronto Final", deixou a peteca dar uma caidinha no final, mas nada que tire o brilho. Que venha a era do Apocalipse.
O grande atrativo de um bom filme é não se prender muito na seriedade, e esse filme faz isso. Os próprios personagens não se levam a sério, o que acaba contribuindo e muito para as cenas mais engraçadas e ainda assim, definitivas, que marcam o rumo da história. E, pelo fato de ser galhofeiro, a maior parte das coisas acontecem de uma forma até natural e sem "forçar a barra". Os discursos sobre amizades, família e amores são cuspidos de forma informal e pessoal, e mesmo na parte do "nêmesis" que ameaça um dos mocinhos é cortada na tora. O filme, apesar de ser parte do Universo Marvel, não procurou dar muitas referências, até porque elas são autodidatas, quem viu os outros pontos da história vai saber, vai entender e pronto. Um filmaço de ficção científica, nos moldes de Star Wars, com cenas belíssimas de ação e muita piada escatológica e mordaz. Recomendado ao extremo!
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As Tartarugas Ninja
3.1 1,3K Assista AgoraSabe aquela teoria dos 15 anos (o que você viu com 15 anos de idade não pode ser revisto depois de um tempo)? Pois é…
Michael Bay se junta a Jonathan Liebesman (De “Fúria de Titãs 2”, para você já ter uma idéia…) e ambos decidem soltar no mercado mundial “As Tartarugas Ninja”. Dessa vez tudo foi feito diferente: sai toda a maquiagem e bonecos e entram Computações Gráficas, indicando que um filme que fez tanto sucesso nos anos 80 poderia ser revisitado e dar um grande retorno. Mas, como toda jornada começa com o primeiro passo, esse mostra ser um passo em falso, rumo a um abismo.
Michael Bay assina como produtor, mas dá pra ver que ele fez 99% do trabalho. E como os filmes de Michael Bay não fazem sucesso por causa do seu plot revelador e intrigante, dessa vez a fórmula serviu (e muito) para entregar um filme tão superficial, forçado, chanchado e pouco carismático, que eu (que não sou disso!) estava me perguntando quando aquilo tudo ia acabar.
E a todos que amam a história das 4 tartarugas, aqui vai uma dica que vai salvá-los de ter um derrame dentro do cinema: não, a história não foi aquela propagada no começo (que as tartarugas teriam origem alienígena). Sim, é muito, muito, muito pior. MUITO MUITO PIOR MESMO!!!
O filme tira totalmente a carga dramática da história original, de tal forma que sequer começamos a entender o que as tartarugas têm a ver com o Clã do Pé, já que, se tais criaturas vivessem nos esgotos comendo pizza e prendendo batedores de carteira, seriam infinitamente mais felizes. O que se tem é uma total inversão do roteiro, coisa que será bem entendida para quem se aventurar a assistir.
Já que a explicação inicial já tinha sido uma furada, o que nos resta é ver as animações em computação gráfica dos quatro irmãos, certo? Errado!!! O filme caracteriza-se também pela total falta de escala nos personagens, (como caudas que esticam, personagens que não conseguem sustentar o próprio peso com uma mão só, mas que conseguem dar impulso para levantar 3 pessoas de uma vez, e … tartarugas emborrachadas?!?!) sendo que o único que se destaca na obra é Rafael, que eu e meu amigo Ruy (que eu arrastei pra ver comigo), concordamos que ficou muito bem feito, e com uma dose de fúria que assusta.
Por último, mas não o pior, temos o Destruidor. QUE DIABOS É AQUILO?!?! Um misto de Samurai de Prata (“Wolverine Imortal”) com Edward Mãos de Tesoura e com a cara de Lord Zed (Power Rangers). Tenho certeza que aquele traje deveria ser um “Transformer” que ficou de fora do filme porque não dava espaço. E por falar em espaço, ai…
Michael Bay conseguiu repetir o erro do primeiro e segundo filme da série dos Autobots, com cenas de luta tão rápidas e tão de perto que sequer notamos quem está batendo em quem e porque, e com o que, e como. Ou seja, o que seria um dos atrativos do filme acabou tornando-o mais cansativo ainda. E eu falo “outro”, porque o alívio cômico de Michelangelo está tão forçado e insosso que somente UMA piada se salva.
Não vou nem entrar no quesito “elenco”, porque ele é completamente ridículo e pífio. Parece que todo mundo sabia que quem tinha que atuar bem era a computação gráfica e nem se esforçaram em atuar.
“As Tartarugas Ninja” é um filme deplorável, o pior filme que eu vi este ano, me arrependo amargamente de ter visto no cinema. Destruiu minha infância de tal forma que vou procurar os 2 primeiros filmes e assistí-los aos prantos.
O Homem Duplicado
3.7 1,8K Assista AgoraGosto de filmes que não entregam a história pronta e ainda se dá ao trabalho de explicar tudo que está acontecendo. Toda a interpretação tem que partir do próprio espectador, e sua opinião pode ou não ser igual a de outra pessoa. E "O Homem Duplicado" acerta em cheio nesse quesito.
Até o livro de José Saramago, no qual esse filme foi inspirado, não é fácil de entender. Todas as figuras de linguagem estão ali, e cabe ao leitor entendê-las ou não. Logo, essa transposição foi até bem-vinda nos dias atuais.
O filme abusa dos tons quentes, como que para mostrar como é monótona e sufocante a vida dos envolvidos na trama. E Jake Gyllenhaal, que é praticamente 2/3 da história, sabe trabalhar bem os opostos e os sentimentos dele inerentes.
Um filme excelente, denso ao extremo, e com um final lindo de tão surpreendente. Mas é recomendado para pessoas que gostam de cinema e de um bom conto.
O Grande Hotel Budapeste
4.2 3,0KImagina um filme que funciona como se fosse uma ópera completa, com seu início, clímax mais acelerado e o final mais suave, pausado, comedido, como que já se despedindo do espectador após mostrar toda a tragédia nela contida. Grande Hotel Budapeste é essa ópera.
A obra usa e abusa dos tons fortes constrastando com o escuro da prisão e o azul vivo da neve, para mostrar o quão penoso é o caminho de Sr. Gustave H. e seu pupilo Zero, que ao roubar uma obra de arte caríssima deixada para Gustave em testamento, começa uma verdadeira guerra contra uma família que não tem escrúpulos nenhum.
Ao trabalhar o tema "uma narração dentro de uma narração", temos um Q de originalidade (e de certa forma exagerada, já que memórias sempre tendem a exagerar em algumas coisas), ao mostrar como era o dia-a-da do Hotel Budapeste, sob a tutela de Gustave H., que é interpretado por Ralph Fiennes, um homem remanescente de um tempo que não existia mais, e que era rígido como um ditador porém com um gênero dúbio muitas vezes explorado no desenrolar dos eventos.
Apesar de se passar naquele hiato entre a primeira e segunda guerra mundial, há toda a tensão de um novo ser que espreita, a tensão política em manchetes de jornal e a total aversão dos protagonistas ao tema de guerra. Isso porque a obra que deu origem ao Grande Hotel Budapeste foi escrita por Stefan Sweig, um austríaco que, depois de servir na Primeira Guerra Mundial e em partes da Segunda Guerra, tornou-se um pacifista ferrenho, e que acabou exilado em Petrópolis, no Rio de Janeiro (inclusive, o termo "Brasil, o País do Futuro", foi criada por ele como nome de seu ensaio).
Outro ponto de destaque é o elenco estelar, com todos os atores mostrando ápices de interpretação e se mantendo bem à vontade em seus respectivos papéis. Isso abrilhanta mais ainda toda a história. A trilha sonora é um espetáculo à parte, e não deixa a tensão cair em momento nenhum.
"Grande Hotel Budapeste" está cogitado ao Oscar 2015 (o que eu espero que aconteça), e é um daqueles filmes que não vai sair da memória.
O melhor filme do ano!!!
Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge
4.2 6,3K Assista AgoraQuando um filme atinge o clímax da ação e é aclamado pelo público, é dever da sua sequência ser tão boa quanto. Infelizmente, não foi dessa vez.
"O Cavaleiro das Trevas Ressurge" veio para pôr um ponto final na trilogia idealizada por Christopher Nolan, mas não sei se ele realmente conseguiu fazer o que queria.
Porque o que se tem nesse filme é um atropelo de acontecimentos que poderiam ter durado mais de um filme. A saga de Bane (não mencionando "A Queda do Morcego", e sim, traçando o paralelo de uma nova história nos cinemas) poderia ter sido mais elaborada e soturna. Imagine se toda a recuperação de Bruce Wayne demorasse mais do que foi mostrado na tela (e tivesse uma explicação pelo menos coerente), com ele se restabelecendo não só fisica mas psicológicamente, enquanto Bane leva Gotham a uma situação caótica ao extremo, que se assemelhasse a "Arkham City" dos jogos. Claro, isso são devaneios meus, mas é que esse filme traz muitas perguntas e acontecimentos demais para pouquíssimas explicações e uma trama rocambolesca e violenta, que se caracteriza pela total ausência de sangue (é o que chamamos de ironia, nas palavras de Ragetti).
Gosto muito dos trabalhos de Nolan (Amnésia é um dos meus filmes favoritos de todos os tempos), mas faltou um pouco mais de liberdade pra mostrar um produto final condizente com uma história que atraísse e amarrasse as pontas.
Recomendado, mas ainda indignado.
Sem Evidências
3.3 259 Assista Agora"Sem Evidências" é aquele filme que não se importa em entregar tudo mastigado. Isso é uma coisa boa. O problema é que muitas vezes, ao usar esse chavão, acaba entregando uma obra com lapsos de tempo longos demais, e isso acaba cansando o espectador.
O filme tem um tom melancólico e isso se revela até mesmo nos diálogos inflamados dos habitantes de uma cidadezinha do interior. Não sei se isso foi do intento do diretor, mas acaba que ele não consegue muito do resultado esperado, que era chocar o público com informações dúbias e detalhes das investigações que ocorreram na época do assassinato dos 3 meninos.
Vale a pena assistir, mas tenha paciência.
O Espelho
2.9 944 Assista AgoraNo melhor estilo "Arquivo X", onde o ceticismo enfrenta uma crença exacerbada, O Espelho é um filme que tem uma boa dinâmica. O número reduzido de atores também contribuem para manter o climão da história, e tudo acontece na medida e tempo certo. Não é nada que vá mudar a história do mundo, mas diverte com os efeitos especiais e as ilusões de ótica.
Detalhe: há alguns anos atrás, Mike Flannagan dirigiu um curta metragem chamado "Oculus - Chapter 3 - A Man with a Plan", onde um homem chamado Tim Russell tenta provar que o espelho era amaldiçoado. O filme meio que ampliou esse universo, contando um "prequel" desse curta, com sua irmã tentando destruir o mesmo objeto. E o homem que interpreta Tim Russell nesse curta é o homem que é responsável pela restauração dos objetos de arte na galeria onde Kaylie Russell trabalha. Legal, não?
Pois bem, "O Espelho" é muito bom e merece ser visto.
Transformers: A Era da Extinção
3.0 1,3K Assista AgoraMichael Bay sendo Michael Bay. O filme não tem clímax porque o filme TODO é um clímax. Além dos atores selecionados para este arco (que graças a Deus tirou Shia Lebouf), como Stanley Tucci e Mark Wahlberg, outro ponto de destaque é que finalmente acertaram nas cenas de ação (Pacific Rim fazendo escola!!!) e as lutas não é aquela embolação de pneus e estilhaços rodando pra tudo que é lado (com todos os trocadilhos possíveis).
Vá ver! É um ótimo início de arco, mas ainda espero que o roteiro da sequência seja escrito por alguém que saiba trabalhar a carga dramática.
Bistrô Romantique
3.5 27Esse filme belga tem aquele traço de requinte, que só um filme gastronômico pode ter. Da entrada até a sobremesa, um turbilhão de emoções se encontram, resultando num final forte e condizente. Um dos melhores do ano!
Planeta dos Macacos: O Confronto
3.9 1,8K Assista AgoraEsse sim é um filmaço!
Com um tom completamente obscuro, que abusa dos tons azuis escuros, contrastando sempre com o fogo, em cores fortes e claras (talvez uma alusão à guerras antigas, onde quem dominava o fogo tinha mais poder bélico), "O Confronto" é uma ode à política, e mostra que não precisa ser humano para ter uma ideia diferente de sociedade.
Recomendado pra cara.....!!!
Transcendence: A Revolução
3.2 1,1K Assista AgoraTranscendence tinha tudo para ser a polêmica da década, mas preferiu seguir o caminho dos filões de Hollywood, varrendo para debaixo do tapete qualquer traço que se pareça com a realidade e apostando numa ação desembalada, sem noção e nexo algum, com todos os atores entregando papéis medianos e insossos.
Se fosse para ver algo assim, poderiam muito bem ter feito um remake de "Passageiro do Futuro". Ali, pelo menos, temos um crescimento gradativo na inteligência de uma pessoa a ponto de ele achar que poderia mudar o mundo, e não um personagem que era o "Mastermind", que sofre um atentado e vê na singularidade a chance de concretizar seus sonhos.
Faltou uma direção, um norte mais condizente com a trama. É uma pena.
X-Men: Dias de um Futuro Esquecido
4.0 3,7KComo a palavra do dia é "Reboot", eu imaginei que a Fox fosse zerar a franquia dos mutantes para acertar seu universo. Mas o que acabou acontecendo foi um retorno ao ponto zero, que acaba distorcendo o presente como o conhecemos e dá uma nova linha de raciocínio para o futuro.
"Dias de um futuro esquecido" apela para a simplicidade. Não há um "testa de ferro" como o Xavier nos filmes anteriores, e toda a ação se dá de uma forma completamente amadora e improvisada, naquele estilão "eu jogo com as peças que eu tenho". O resultado é uma ação frenética, desordenada (num bom sentido) e viradas de mesa que já seriam até esperadas, não fosse o fato que estamos nos anos 70, onde a personalidade dos mocinhos e vilões ainda estão florescendo.
Wolverine está mais ponderado e menos raivoso, e isso faz o filme ficar mais confortável, sem aquela de "agora ele vai dar uma explicação estúpida e f.... com tudo", como em "Wolverine Origens" e "Imortal". Bryan Singer soube trabalhar a psique do Wolverine do futuro, mais velho, comedido e menos turrão, deixando a raiva para outra pessoa.
Michael Fassbender e James McAvoy abrilhantam mais o filme, nos seus diálogos tão eloquentes que chega a parecer duas personalidades de uma mesma pessoa, no melhor estilo "Jackyl e Hyde", e com um argumento tão espetacular que todos ficam calados.
X-Men é um filmaço, conseguiu tirar o gosto ruim de "O Confronto Final", deixou a peteca dar uma caidinha no final, mas nada que tire o brilho. Que venha a era do Apocalipse.
Guardiões da Galáxia
4.1 3,8K Assista AgoraO grande atrativo de um bom filme é não se prender muito na seriedade, e esse filme faz isso. Os próprios personagens não se levam a sério, o que acaba contribuindo e muito para as cenas mais engraçadas e ainda assim, definitivas, que marcam o rumo da história.
E, pelo fato de ser galhofeiro, a maior parte das coisas acontecem de uma forma até natural e sem "forçar a barra". Os discursos sobre amizades, família e amores são cuspidos de forma informal e pessoal, e mesmo na parte do "nêmesis" que ameaça um dos mocinhos é cortada na tora.
O filme, apesar de ser parte do Universo Marvel, não procurou dar muitas referências, até porque elas são autodidatas, quem viu os outros pontos da história vai saber, vai entender e pronto.
Um filmaço de ficção científica, nos moldes de Star Wars, com cenas belíssimas de ação e muita piada escatológica e mordaz. Recomendado ao extremo!