Resenha — Baby Driver (2017), de Edgar Wright por Robert Martins Assistido em 29 de julho de 2017.
Edgar Wright pega o volante do cinema de gênero e acelera de forma autêntica. Baby Driver é ao mesmo tempo, filme de assalto, musical disfarçado e carta de amor à cultura pop e automobilística. E o mais louco de tudo isso funciona porque o diretor entende que imagem, som e ritmo não são departamentos separados e sim de fato são a mesma engrenagem girando.
Baby (Ansel Elgort) é um piloto de fuga com zumbido crônico nos ouvidos e um vício vital: música. Os fones não são acessório apenas um acessorio legal, são prótese emocional. Cada batida dita o tempo do mundo ao redor, e Wright coreografa perseguições, tiros, portas se fechando e até passos de figurantes como se fossem notas numa partitura. Aqui, o corte não segue a ação; a ação segue a música. Simples assim. E genial.
Essa interação entre trilha sonora e referências visuais é o coração pulsante do filme. A forma que o diretor transforma uma simples cena onde Baby compra cafés para a trupe, o filme nos entrega um show visual com todos os pontos altos da letra da trilha sonora sendo estampados em nossas caras em formato de arte de rua, anúncios de serviços, vitrines de lojas dentre varias outras nuances visuais.
[spoiler][/spoiler]O ápice dessa pegada do diretor acontece na cena da lanchonete logo após ao assalto fracassado, ao som de “Never Gonna Give You Up”, de Barry White. Ali, Baby, Deborah (Lily James) e Buddy (Jon Hamm) transformam um momento banal num pequeno espetáculo de sintonia. A letra promete lealdade eterna, entrega total e o que vemos é exatamente isso em jogo, ainda que de forma ambígua. Deborah entra como possibilidade de fuga romântica, Baby vibra num raro estado de paz, e Buddy, aparentemente relaxado, carrega uma tensão latente movido por vingança e incapacidade a perda de seu par Darling (Eiza Gonzales). O clima é brutal, a música é uma pedrada no coração com nostalgia pura , com um contexto mais insano ainda. Wright usa a canção não como trilha de fundo, mas como comentário dramático: o “never gonna give you up” soa quase irônico diante do destino que se arma. É cinema musical sem coreografia óbvia, só timing e intenção.
Os pontos altos do filme se acumulam sem esforço: as perseguições automobilísticas que parecem dançarinas; a montagem cirúrgica; o uso criativo do espaço urbano de Atlanta; e um elenco afiado que entende o tom. Kevin Spacey frio e manipulador, Jamie Foxx imprevisível como uma bala ricocheteando, Jon Hamm transitando do carisma ao desespero com elegância trágica. Lily James, por sua vez, é o farol emocional, a promessa de uma vida fora do crime que soa doce justamente por parecer possível.
A minha conclusão é que Baby Driver se destaca por sua identidade autoral. Não é um filme sobre carros, é sobre movimento. Não é sobre crime, é sobre escape físico, emocional e existencial.
Em Ritmo de Fuga
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Assistido em 29 de julho de 2017.
Edgar Wright pega o volante do cinema de gênero e acelera de forma autêntica. Baby Driver é ao mesmo tempo, filme de assalto, musical disfarçado e carta de amor à cultura pop e automobilística. E o mais louco de tudo isso funciona porque o diretor entende que imagem, som e ritmo não são departamentos separados e sim de fato são a mesma engrenagem girando.
Baby (Ansel Elgort) é um piloto de fuga com zumbido crônico nos ouvidos e um vício vital: música. Os fones não são acessório apenas um acessorio legal, são prótese emocional. Cada batida dita o tempo do mundo ao redor, e Wright coreografa perseguições, tiros, portas se fechando e até passos de figurantes como se fossem notas numa partitura. Aqui, o corte não segue a ação; a ação segue a música. Simples assim. E genial.
Essa interação entre trilha sonora e referências visuais é o coração pulsante do filme. A forma que o diretor transforma uma simples cena onde Baby compra cafés para a trupe, o filme nos entrega um show visual com todos os pontos altos da letra da trilha sonora sendo estampados em nossas caras em formato de arte de rua, anúncios de serviços, vitrines de lojas dentre varias outras nuances visuais.
[spoiler][/spoiler]O ápice dessa pegada do diretor acontece na cena da lanchonete logo após ao assalto fracassado, ao som de “Never Gonna Give You Up”, de Barry White. Ali, Baby, Deborah (Lily James) e Buddy (Jon Hamm) transformam um momento banal num pequeno espetáculo de sintonia. A letra promete lealdade eterna, entrega total e o que vemos é exatamente isso em jogo, ainda que de forma ambígua. Deborah entra como possibilidade de fuga romântica, Baby vibra num raro estado de paz, e Buddy, aparentemente relaxado, carrega uma tensão latente movido por vingança e incapacidade a perda de seu par Darling (Eiza Gonzales). O clima é brutal, a música é uma pedrada no coração com nostalgia pura , com um contexto mais insano ainda. Wright usa a canção não como trilha de fundo, mas como comentário dramático: o “never gonna give you up” soa quase irônico diante do destino que se arma. É cinema musical sem coreografia óbvia, só timing e intenção.
Os pontos altos do filme se acumulam sem esforço: as perseguições automobilísticas que parecem dançarinas; a montagem cirúrgica; o uso criativo do espaço urbano de Atlanta; e um elenco afiado que entende o tom. Kevin Spacey frio e manipulador, Jamie Foxx imprevisível como uma bala ricocheteando, Jon Hamm transitando do carisma ao desespero com elegância trágica. Lily James, por sua vez, é o farol emocional, a promessa de uma vida fora do crime que soa doce justamente por parecer possível.
A minha conclusão é que Baby Driver se destaca por sua identidade autoral. Não é um filme sobre carros, é sobre movimento. Não é sobre crime, é sobre escape físico, emocional e existencial.
NOTA: 4,6 de 5.
A Luz do Demônio
2.5 132Acabei de assistir e me arrependo de ter aberto o prime vídeo na TV. Dei 1 estrela pra fazer caridade.