Não é pouco ruim, não. Cara, é ruim demais. Por onde eu começo? Acho que pelo mais básico: não tem A MENOR graça. As gags são a coisa menos trabalhada que eu já vi. Como se o fato de alguém jogar baralho e tomar cerveja fosse engraçado o suficiente. Agora, eu não sou dos que se ofendem muito. Sou até leniente quanto a isso. Pra mim, se a piada for 2/3 engraçada e apenas 1/3 ofensiva, passa. Mas não dá pra ignorar o tratamento um tanto cafajeste dado às personagens femininas no filme. Sem contar que "curam" um dentista gay também... Enfim. Mas além dessas... questões, o filme, pra mim, é mal feito. Sequências que vão pra lugar nenhum, o Altman abusa de um zoom de cybershot toda hora, a mixagem de som que parece dublagem clandestina, tanta coisa. O roteiro é péssimo haja vista os personagens jogados lá. Fora isso, a musiquinha é agradável...
The Missing funciona em tantos níveis. Tanto no pessoal como no profissional, já dizia Fausto Silva. Que seriado bem narrado, puta merda. As informações são passadas pra gente no momento exato. É arrepiante, thriller ou drama. A trama principal é um fio poderoso, mas a série conta ainda com subtramas igualmente intrigantes (o que não acontece sempre). Personagens com participação pequena, como a romena, são absolutamente marcantes. Que dirá o casal principal, ou o detetive Baptiste. Noves fora um personagem inusitado, para dizer o mínimo: o pedófilo. E é louvável a honestidade com que a série retrata estas almas miseráveis - e, por vezes, generosas. O palco da sordidez? A encantadora Chalons du Bois, um purgatório não muito diferente da Bruges de Na Mira do Chefe (também altamente recomendável).
Enfim, é sobre o desespero que a tragédia traz quando nos priva do sentido. Hospedados no Eden, o casal tem o filho subtraído da sua vida, de maneira totalmente repentina e aleatória. É de fato enlouquecedor.
Aqui tem dois filmes bons: childhood e adulthood ou parenthood, sei lá. Mas adolescenthood não tá legal, já esteve melhor, tipo em Dazed and Confused. Mas divago. Gostei muito do começo, da criança, dos pais. A vida dos pais continua interessante, mesmo depois que o moleque vira um mala. E eu tentei me importar, tentei mesmo, com o fato de ainda serem os mesmos atores e como era um feito extraordinário etc (e é mesmo), mas acabei meio indiferente, pra ser bem sincero. É isso, um filme ambicioso, com grandes méritos e tals, alguns momentos até que sublimes, mas o miolo é um coming of age blasé.
É um filme realmente animal, como muitos já haviam me avisado, e eu tive a felicidade de atestar. Clímaxzão é flawless victory, ecstasy of gold, etc. Curioso é que, assim que termina, bate aquela vontade de atingir uma excelência, ser realmente bom em alguma coisa. Mas dura só um dia, mais ou menos. Mas pra ser perfeito mesmo, de verdade, padrão fletcher, poderia ser um segundinho menos apressado. Senti que os eventos foram sucedendo meio depressa, sem momentos para digerir e tal. Not quite my tempo... Anyway, good job.
O que mais gosto no filme é a sensação de tragédia. O herói toma uma decisão, em momento de arrogância, que lhe decreta o destino último. A tentativa desesperada de revertê-lo é vã, mais soa um elogio fúnebre. A cena da ponte também sintetiza bem, quando o sujeito inocente encontra o perverso, este último faz de tudo para fabricar uma razão para o embate, enquanto o primeiro o evita ao máximo, mas resta inevitável, e é frustrante e de partir o coração.
É Dazed and Confused - dez anos depois. Quer dizer, na verdade, Dazed and Confused foi lançado dez anos depois. Hum. Que tal dizer que Dazed and Confused é uma "prequel" deste aqui? Só piora, né. Dane-se, a cronologia é confusa. O que importa é que ambos são magníficos retratos de uma geração, seus anseios e frustrações. Geração esta muito bem representada: Kevin Kline, Glenn Close, William Hurt, Jeff Goldblum, Tom Berenger... fiquei sabendo que até o Kevin Costner tava lá mas acabou ficando de fora, hehe. Ah, e ambos, como é sabido, tem uma trilha sonora daquelas que dá pra levar pra ilha deserta sossegado.
Não vi os documentários (ainda). Talvez por isso o filme me pareceu bem bom. Feito de forma decente pelo Atom Egoyan, e representado por bons atores também.
O que me vem à mente agora é a expressão do Damian quando condenado à injeção letal, de quem está sendo assassinado de uma maneira burocrática e grotesca.
Curioso. As pequenas diferenças (tipo as fraternidades com letras romanas) já são o suficiente para parecer um mundo paralelo, bizarro, mas em um bom sentido. Na sua esquisitice, é um tanto batuta. Agradou-me o bastante para ir atrás dos outros filmes do diretor. E ninguém pode dizer que o filme nada trouxe: no mínimo, aprendemos o plural de "doofus".
Ergamos nossas taças à Pompa, à Finesse, enfim, à Civilidade. Que belo exemplar de contação de história, Wes Anderson, bravo, realmente adorável. Ah, que maravilha seria desfrutar de um anfitrião como Monsieur Gustave H, um dos melhores dândis de que se tem notícia, meu rapaz. Quem dera... mas reconheço tratar-se de um sonho obscenamente improvável: ora, não há hoje espaço para tamanha dedicação ao requinte. Resta-nos apenas nos contentar com as vulgaridades que nos são servidas. É um pensamento ultrajante, eu sei. Mas por esta mesmíssima razão nos cabe atribuir o valor devido a uma sessão tão aconchegante quanto a que este filme nos proporciona. Tanto capricho causou-me uma forte sensação de saudade no preciso segundo em que o filme se encerrou.
Aventuresco e inventivo (e só um tiquinho bocó, mas de um jeito "cute"), Goonies chega até a cativar. Mas aquele final tão céu azul sem nuvens numa manhã de domingo onde panquecas quentinhas são servidas com maple syrup pela emma stone, tão absoluta e açucaradamente feliz que, confesso, causou-me uma certa crise de diabetes. Quando rolaram os créditos, em meu rosto estava estampado um sorriso insano não muito diferente do das vítimas daquele gás do riso do Coringa.
"Os limites da minha linguagem significam os limites do meu mundo". Não é da Marília Gabriela, é do Ludwig Wittgenstein. Esta comédia do absurdo (?) nos faz rir de nervosos na mesma medida em que nos fascina. Equipara paternidade ultra-controladora a um estado totalitário elevado a décima potência. E como dar nome aos bois pode trazer consequências subversivas (e libertadoras, a depender do ponto de vista).
Adoro o filme anterior do Dominik, Jesse James. Muitas coisas boas de lá podemos ver aqui também: em ritmo, tom, atmosfera. Mas, porra, precisa MARTELAR as mensagens, os temas, desse jeito? O filme termina com um diabo de um statement thesis, meu Deus! Estamos lá nos deleitando com uma ótima sequência de assalto, mas tem alguma coisa incomodando ali. Ah, é. A porcaria da televisão ligada ou rádio ligado, sempre alguma merda ligada, e a gente fica escutando Obama falando da crise ou sei lá. Em outro momento, em um diálogo bacana entre Pitt e Jenkins, quando estamos quase chegando ao paralelo, as palavras se formando no nosso cérebro: "Ah, tal qual opinião públ..." - lá vem martelada - "PUBLIC OPINION!", um deles verbaliza. A famigerada mão invisível pesou ali numa incidência paquidérmica. Pelo que poderia ter alcançado, pra mim, decepcionante.
Pegue Groundhog Day. Agora acrescente Aliens (com Matrix a gosto) e Exterminador do Futuro. Beleza. Coloque uma pitada de Resgate do Soldado Ryan. Muita atenção neste momento, pois é um ingrediente bem importante, jogue Tom Cruise e Emily Blunt ali no meio da mistura, e bata por 5 minutos... chega dessa metáfora de cozinha. A direção da ação pelo Liman funciona, destaque para o "desembarque na normandia", decupado desde lá no avião, uma sequência que construiu bem a tensão ali. A montagem também está de parabéns, muitas vezes acrescentando notas insólitas de humor negro nas repetições. O roteiro, apesar de se ancorar em conceitos de muitos outros filmes (principalmente Groundhog Day), é redondinho - gosto bastante de como eleva consideravelmente as "stakes" em determinado momento. Efeitos visuais bem decentes também. Mas talvez o melhor seja mesmo nosso power couple, Cruise sempre elétrico e Blunt um tanto fodona bagarai!
Não dá pra dizer que não acertaram na escala. Godzilla não é ruim, é bom. Alguns problemas fazem o filme não funcionar tão bem como gostaríamos. Talvez o maior deles seja descartar um personagem com uma ligação de pathos tão intensa com a história dos monstros. E apostar em uma bem mais morna, que não envolve e não empolga. O roteiro é problemático: não há nada que o ótimo elenco possa fazer para dar vida a personagens quase nulos. E a montagem trocando os "fronts" o tempo inteiro não ajuda a estabelecermos uma relação com eles. Assim, vemos Ken Watanabe filosofando pra qualquer horizonte que o encare de volta; arruma-se alguma desculpa e Aaron Johnson vai claudicar para o lado dos monstros; Sally Hawkins nem sei o que faz; David Strathairn instrui soldados ali, dá dois passos pra lá e vai acompanhar as filosofadas de Watanabe mais um pouco... enfim, nada muito palpável. Pelo menos nem perto da palpabilidade de GOJIRA (inserir o som do urro do bicho aqui)! Certamente é onde o filme fica mais feliz e vivo. De novo, a escala impressiona. A perspectiva ajuda muito. Como em um dos belos momentos do filme, o mergulho dos soldados em um coro etéreo, ruínas tão belas ao fundo (hehe), e um ponto de vista estarrecedor (com direito a subjetiva e tudo). Claro, como não poderia deixar de ser, o melhor fica para a briga do século, e principalmente o "megablaster" do nosso herói (inserir outro urro). PS: Que um filme-catástrofe nos proporcione um senso de catástrofe talvez seja algo inédito. Godzilla mostra que, veja só você, pessoas morrem nesses filmes-catástrofes! Não morrem só prédios contendo meros tijolos e vidraças, não. Seres humanos mesmo, de carne e osso. Sangue? Aí é querer demais. Esclarecendo: não sou sádico, mas também não sou hipócrita.
Um dos filmes mais bem escritos que eu já vi. Uma trama maravilhosa, uma teia bem construída de relações de personagens, estes absolutamente marcantes (o fato de serem vividos por atores tão talentosos não atrapalha), diálogos brilhantes, eternizados e altamente "quotables", e até a narração em off nos deleita. Aprendemos tudo sobre Eve e ainda queremos mais.
Brogan-Moore: Touching isn't it? The way he counts on his wife. Sir Wilfrid: Yes, like a drowning man clutching at a razor blade.
Maravilha de filme! Até agora não vi nada do Billy Wilder que seja menos do que excelente. Mas é a primeira vez que vejo Charles Laughton, pelo menos em frente às câmeras (tive o privilégio de testemunhar seu trabalho atrás delas no absoluto Mensageiro do Diabo). E aqui ele compõe um adorável, sardônico, incorrigível e brilhante advogado ("Kings, prime ministers, archbishops, even barristers have stood in the dock"). E quanto a Marlene Dietrich? What a remarkable woman. Tyrone Power vem de brinde. E um brinde com brandy ao mensch Wilder, roteirista que insere sagacidade nas minúcias, diretor que fabrica obras-primas de maneira industrial, enfim, artista completo.
Um bom filme, repleto de ótimos atores. Gosto principalmente da abordagem sem frescura "barebone" do diretor ao roteiro extremamente simples. A maneira como são passadas as informações para o espectador sem ficar mastigando em diálogos ou cenas óbvias. Assim, ficamos por dentro da boa relação dos irmãos só pela postura, pelas brincadeiras de socos ou de acelerar o motor dos carros. E quando testemunhamos um acidente de carro, na cena seguinte já estamos com um dos envolvidos na penitenciária. Christian "can-do-no-wrong" Bale compõe um personagem com uma atitude tão honesta perante a vida que é encantador. Mas talvez o roteiro nunca consiga atingir de fato o inesperado. E ainda faça um desserviço em algumas ocasiões, como quando um celular acidentalmente liga para a polícia, ou quando ouvimos ser lida uma carta em voice-over só para amplificar o drama de um evento. Esses momentos não condizem com a abordagem mais crua e autêntica que vinha sendo apresentada. Mas mesmo que não alce voo, vale a pena.
Deu aquele calorzinho no coração? hahaha. Frozen é um desenho encantador. O velho sábio troll incomodou com suas arbitrariedades pra história que somos forçados a engolir, mas faz parte. O filme também poderia ter sido menos corrido, passando uma sensação melhor de passagem do tempo e degradação da cidade e do povo de Arendelle. A montagem ficaria melhor e os riscos seriam estabelecidos com mais solidez. Tecnicamente a animação é impressionante (as subversões dos clichês de filmes de princesa - que Valente também fez - também são bem-vindas). Destaque óbvio para a set piece com a canção Let it go, quando o sentimento de libertação e autoafirmação vem das entranhas. PS: na parte que a Ana pega a luva da irmã, alguém mais achou que era referência a Sindicato dos Ladrões?
Por mais agoniado que eu fique por este filme não ter obtido o seu reconhecimento devido, não posso deixar de apreciar a ironia deste fato condizer justamente com o seu tema.
Qualquer filme que tenha o Sam Rockwell como uma figura paterna já me ganha. O resto do elenco também é bom. De resto, um coming of age bem convencional...
Como um velhinho delicado consegue conceber uma obra tão eletrizante? Um plano que não sai da minha cabeça é um que acompanha por cima DiCaprio passando por entre os corpos exauridos pelos exageros de suas orgias, sobrevive o Calígula moderno.
Jason Reitman enfurece a audiência e não completa o arco da personagem dele. Ao invés disso, encerra de forma mordaz e significativa. O filme conta com a narração em off da protagonista que traz uma visão já distorcida da realidade. Acontece que ela não formou esta percepção egocêntrica sozinha, contou com a ajuda da idolatria vazia dos outros. O fato dela ter recobrado esta visão de mundo após aquele belíssimo momento epifânico praticamente muda seu status de vilã para vítima. E Charlize Theron consegue realizar essa transformação, uma alcoólatra escrota que se entrega por completo ("hide me"), para em seguida aliviar-se voltando a acreditar no próprio mito - e nunca conseguir amadurecer.
Aparentemente desprovido de qualquer conteúdo, todo aparências, Trapaça ao menos tem alguma coisa a dizer sobre o Sonho Americano, o que nele consta de performance e de vigarismo em nome da sobrevivência. O primeiro plano em que acompanhamos Christian Bale meticulosamente ajeitar sua peruca representa bem. Aliás, Bale compõe o personagem mais honesto e merecedor do longa, que também é habitado por outras criaturas interessantes, na pele de atores e atrizes talentosos - destaque para Amy Adams e o próprio pançudo & calvo Bale. A falsa nota fica a cargo de Jennifer Lawrence, que começa funcionando bem mas depois cruza a linha, sobe o tom completamente e descamba pro exagero e o self-aware. Outro problema é essa plot pesada, que dá uma preguiça de acompanhar já que sabemos que este subgênero, o con men movie, está sempre refém de uma reviravolta desde o Golpe de Mestre. Vale salientar a trilha sonora com músicas setentistas (ou não) deliciosas e o ótimo trabalho de câmera do David O. Russell, junto com toda a parte visual, fotografia e direção de arte etc. E a piada recorrente entre Louis CK e Bradley Cooper também é hilária. Enfim, bem divertido. O diretor está em grande fase mas seu melhor filme continua Três Reis...
M.A.S.H.
3.5 146 Assista AgoraNão é pouco ruim, não. Cara, é ruim demais.
Por onde eu começo? Acho que pelo mais básico: não tem A MENOR graça. As gags são a coisa menos trabalhada que eu já vi. Como se o fato de alguém jogar baralho e tomar cerveja fosse engraçado o suficiente.
Agora, eu não sou dos que se ofendem muito. Sou até leniente quanto a isso. Pra mim, se a piada for 2/3 engraçada e apenas 1/3 ofensiva, passa. Mas não dá pra ignorar o tratamento um tanto cafajeste dado às personagens femininas no filme. Sem contar que "curam" um dentista gay também... Enfim.
Mas além dessas... questões, o filme, pra mim, é mal feito. Sequências que vão pra lugar nenhum, o Altman abusa de um zoom de cybershot toda hora, a mixagem de som que parece dublagem clandestina, tanta coisa. O roteiro é péssimo haja vista os personagens jogados lá.
Fora isso, a musiquinha é agradável...
The Missing (1ª Temporada)
4.1 26The Missing funciona em tantos níveis. Tanto no pessoal como no profissional, já dizia Fausto Silva. Que seriado bem narrado, puta merda. As informações são passadas pra gente no momento exato. É arrepiante, thriller ou drama. A trama principal é um fio poderoso, mas a série conta ainda com subtramas igualmente intrigantes (o que não acontece sempre). Personagens com participação pequena, como a romena, são absolutamente marcantes. Que dirá o casal principal, ou o detetive Baptiste. Noves fora um personagem inusitado, para dizer o mínimo: o pedófilo. E é louvável a honestidade com que a série retrata estas almas miseráveis - e, por vezes, generosas. O palco da sordidez? A encantadora Chalons du Bois, um purgatório não muito diferente da Bruges de Na Mira do Chefe (também altamente recomendável).
Enfim, é sobre o desespero que a tragédia traz quando nos priva do sentido. Hospedados no Eden, o casal tem o filho subtraído da sua vida, de maneira totalmente repentina e aleatória. É de fato enlouquecedor.
Boyhood: Da Infância à Juventude
4.0 3,7K Assista AgoraAqui tem dois filmes bons: childhood e adulthood ou parenthood, sei lá. Mas adolescenthood não tá legal, já esteve melhor, tipo em Dazed and Confused. Mas divago.
Gostei muito do começo, da criança, dos pais. A vida dos pais continua interessante, mesmo depois que o moleque vira um mala. E eu tentei me importar, tentei mesmo, com o fato de ainda serem os mesmos atores e como era um feito extraordinário etc (e é mesmo), mas acabei meio indiferente, pra ser bem sincero. É isso, um filme ambicioso, com grandes méritos e tals, alguns momentos até que sublimes, mas o miolo é um coming of age blasé.
Whiplash: Em Busca da Perfeição
4.4 4,2K Assista AgoraÉ um filme realmente animal, como muitos já haviam me avisado, e eu tive a felicidade de atestar. Clímaxzão é flawless victory, ecstasy of gold, etc.
Curioso é que, assim que termina, bate aquela vontade de atingir uma excelência, ser realmente bom em alguma coisa. Mas dura só um dia, mais ou menos.
Mas pra ser perfeito mesmo, de verdade, padrão fletcher, poderia ser um segundinho menos apressado. Senti que os eventos foram sucedendo meio depressa, sem momentos para digerir e tal. Not quite my tempo...
Anyway, good job.
Onde os Homens São Homens
3.9 44 Assista AgoraO que mais gosto no filme é a sensação de tragédia. O herói toma uma decisão, em momento de arrogância, que lhe decreta o destino último. A tentativa desesperada de revertê-lo é vã, mais soa um elogio fúnebre. A cena da ponte também sintetiza bem, quando o sujeito inocente encontra o perverso, este último faz de tudo para fabricar uma razão para o embate, enquanto o primeiro o evita ao máximo, mas resta inevitável, e é frustrante e de partir o coração.
O Reencontro
3.5 48É Dazed and Confused - dez anos depois.
Quer dizer, na verdade, Dazed and Confused foi lançado dez anos depois.
Hum. Que tal dizer que Dazed and Confused é uma "prequel" deste aqui? Só piora, né.
Dane-se, a cronologia é confusa. O que importa é que ambos são magníficos retratos de uma geração, seus anseios e frustrações. Geração esta muito bem representada: Kevin Kline, Glenn Close, William Hurt, Jeff Goldblum, Tom Berenger... fiquei sabendo que até o Kevin Costner tava lá mas acabou ficando de fora, hehe.
Ah, e ambos, como é sabido, tem uma trilha sonora daquelas que dá pra levar pra ilha deserta sossegado.
Sem Evidências
3.3 259 Assista AgoraNão vi os documentários (ainda). Talvez por isso o filme me pareceu bem bom. Feito de forma decente pelo Atom Egoyan, e representado por bons atores também.
O que me vem à mente agora é a expressão do Damian quando condenado à injeção letal, de quem está sendo assassinado de uma maneira burocrática e grotesca.
Descobrindo o Amor
2.5 96Curioso. As pequenas diferenças (tipo as fraternidades com letras romanas) já são o suficiente para parecer um mundo paralelo, bizarro, mas em um bom sentido. Na sua esquisitice, é um tanto batuta. Agradou-me o bastante para ir atrás dos outros filmes do diretor. E ninguém pode dizer que o filme nada trouxe: no mínimo, aprendemos o plural de "doofus".
O Grande Hotel Budapeste
4.2 3,0KErgamos nossas taças à Pompa, à Finesse, enfim, à Civilidade. Que belo exemplar de contação de história, Wes Anderson, bravo, realmente adorável. Ah, que maravilha seria desfrutar de um anfitrião como Monsieur Gustave H, um dos melhores dândis de que se tem notícia, meu rapaz. Quem dera... mas reconheço tratar-se de um sonho obscenamente improvável: ora, não há hoje espaço para tamanha dedicação ao requinte. Resta-nos apenas nos contentar com as vulgaridades que nos são servidas. É um pensamento ultrajante, eu sei. Mas por esta mesmíssima razão nos cabe atribuir o valor devido a uma sessão tão aconchegante quanto a que este filme nos proporciona. Tanto capricho causou-me uma forte sensação de saudade no preciso segundo em que o filme se encerrou.
Os Goonies
4.1 1,3K Assista AgoraAventuresco e inventivo (e só um tiquinho bocó, mas de um jeito "cute"), Goonies chega até a cativar. Mas aquele final tão céu azul sem nuvens numa manhã de domingo onde panquecas quentinhas são servidas com maple syrup pela emma stone, tão absoluta e açucaradamente feliz que, confesso, causou-me uma certa crise de diabetes. Quando rolaram os créditos, em meu rosto estava estampado um sorriso insano não muito diferente do das vítimas daquele gás do riso do Coringa.
Dente Canino
3.8 1,2K Assista Agora"Os limites da minha linguagem significam os limites do meu mundo". Não é da Marília Gabriela, é do Ludwig Wittgenstein. Esta comédia do absurdo (?) nos faz rir de nervosos na mesma medida em que nos fascina. Equipara paternidade ultra-controladora a um estado totalitário elevado a décima potência. E como dar nome aos bois pode trazer consequências subversivas (e libertadoras, a depender do ponto de vista).
O Homem da Máfia
3.1 599 Assista AgoraAdoro o filme anterior do Dominik, Jesse James. Muitas coisas boas de lá podemos ver aqui também: em ritmo, tom, atmosfera. Mas, porra, precisa MARTELAR as mensagens, os temas, desse jeito? O filme termina com um diabo de um statement thesis, meu Deus! Estamos lá nos deleitando com uma ótima sequência de assalto, mas tem alguma coisa incomodando ali. Ah, é. A porcaria da televisão ligada ou rádio ligado, sempre alguma merda ligada, e a gente fica escutando Obama falando da crise ou sei lá. Em outro momento, em um diálogo bacana entre Pitt e Jenkins, quando estamos quase chegando ao paralelo, as palavras se formando no nosso cérebro: "Ah, tal qual opinião públ..." - lá vem martelada - "PUBLIC OPINION!", um deles verbaliza. A famigerada mão invisível pesou ali numa incidência paquidérmica. Pelo que poderia ter alcançado, pra mim, decepcionante.
No Limite do Amanhã
3.8 1,5K Assista AgoraPegue Groundhog Day. Agora acrescente Aliens (com Matrix a gosto) e Exterminador do Futuro. Beleza. Coloque uma pitada de Resgate do Soldado Ryan. Muita atenção neste momento, pois é um ingrediente bem importante, jogue Tom Cruise e Emily Blunt ali no meio da mistura, e bata por 5 minutos... chega dessa metáfora de cozinha. A direção da ação pelo Liman funciona, destaque para o "desembarque na normandia", decupado desde lá no avião, uma sequência que construiu bem a tensão ali. A montagem também está de parabéns, muitas vezes acrescentando notas insólitas de humor negro nas repetições. O roteiro, apesar de se ancorar em conceitos de muitos outros filmes (principalmente Groundhog Day), é redondinho - gosto bastante de como eleva consideravelmente as "stakes" em determinado momento. Efeitos visuais bem decentes também. Mas talvez o melhor seja mesmo nosso power couple, Cruise sempre elétrico e Blunt um tanto fodona bagarai!
Rebeldia Indomável
4.1 110 Assista AgoraO espírito livre é instância una, e resiste. Não há como ser quebrado.
Godzilla
3.1 2,1K Assista AgoraNão dá pra dizer que não acertaram na escala.
Godzilla não é ruim, é bom. Alguns problemas fazem o filme não funcionar tão bem como gostaríamos. Talvez o maior deles seja descartar um personagem com uma ligação de pathos tão intensa com a história dos monstros. E apostar em uma bem mais morna, que não envolve e não empolga. O roteiro é problemático: não há nada que o ótimo elenco possa fazer para dar vida a personagens quase nulos. E a montagem trocando os "fronts" o tempo inteiro não ajuda a estabelecermos uma relação com eles. Assim, vemos Ken Watanabe filosofando pra qualquer horizonte que o encare de volta; arruma-se alguma desculpa e Aaron Johnson vai claudicar para o lado dos monstros; Sally Hawkins nem sei o que faz; David Strathairn instrui soldados ali, dá dois passos pra lá e vai acompanhar as filosofadas de Watanabe mais um pouco... enfim, nada muito palpável. Pelo menos nem perto da palpabilidade de GOJIRA (inserir o som do urro do bicho aqui)!
Certamente é onde o filme fica mais feliz e vivo. De novo, a escala impressiona. A perspectiva ajuda muito. Como em um dos belos momentos do filme, o mergulho dos soldados em um coro etéreo, ruínas tão belas ao fundo (hehe), e um ponto de vista estarrecedor (com direito a subjetiva e tudo). Claro, como não poderia deixar de ser, o melhor fica para a briga do século, e principalmente o "megablaster" do nosso herói (inserir outro urro).
PS: Que um filme-catástrofe nos proporcione um senso de catástrofe talvez seja algo inédito. Godzilla mostra que, veja só você, pessoas morrem nesses filmes-catástrofes! Não morrem só prédios contendo meros tijolos e vidraças, não. Seres humanos mesmo, de carne e osso. Sangue? Aí é querer demais. Esclarecendo: não sou sádico, mas também não sou hipócrita.
A Malvada
4.4 669 Assista AgoraUm dos filmes mais bem escritos que eu já vi. Uma trama maravilhosa, uma teia bem construída de relações de personagens, estes absolutamente marcantes (o fato de serem vividos por atores tão talentosos não atrapalha), diálogos brilhantes, eternizados e altamente "quotables", e até a narração em off nos deleita. Aprendemos tudo sobre Eve e ainda queremos mais.
Testemunha de Acusação
4.5 384 Assista AgoraBrogan-Moore: Touching isn't it? The way he counts on his wife.
Sir Wilfrid: Yes, like a drowning man clutching at a razor blade.
Maravilha de filme! Até agora não vi nada do Billy Wilder que seja menos do que excelente. Mas é a primeira vez que vejo Charles Laughton, pelo menos em frente às câmeras (tive o privilégio de testemunhar seu trabalho atrás delas no absoluto Mensageiro do Diabo). E aqui ele compõe um adorável, sardônico, incorrigível e brilhante advogado ("Kings, prime ministers, archbishops, even barristers have stood in the dock"). E quanto a Marlene Dietrich? What a remarkable woman. Tyrone Power vem de brinde. E um brinde com brandy ao mensch Wilder, roteirista que insere sagacidade nas minúcias, diretor que fabrica obras-primas de maneira industrial, enfim, artista completo.
Tudo por Justiça
3.4 377 Assista AgoraUm bom filme, repleto de ótimos atores. Gosto principalmente da abordagem sem frescura "barebone" do diretor ao roteiro extremamente simples. A maneira como são passadas as informações para o espectador sem ficar mastigando em diálogos ou cenas óbvias. Assim, ficamos por dentro da boa relação dos irmãos só pela postura, pelas brincadeiras de socos ou de acelerar o motor dos carros. E quando testemunhamos um acidente de carro, na cena seguinte já estamos com um dos envolvidos na penitenciária. Christian "can-do-no-wrong" Bale compõe um personagem com uma atitude tão honesta perante a vida que é encantador. Mas talvez o roteiro nunca consiga atingir de fato o inesperado. E ainda faça um desserviço em algumas ocasiões, como quando um celular acidentalmente liga para a polícia, ou quando ouvimos ser lida uma carta em voice-over só para amplificar o drama de um evento. Esses momentos não condizem com a abordagem mais crua e autêntica que vinha sendo apresentada. Mas mesmo que não alce voo, vale a pena.
Frozen: Uma Aventura Congelante
3.9 3,0K Assista AgoraDeu aquele calorzinho no coração? hahaha.
Frozen é um desenho encantador. O velho sábio troll incomodou com suas arbitrariedades pra história que somos forçados a engolir, mas faz parte. O filme também poderia ter sido menos corrido, passando uma sensação melhor de passagem do tempo e degradação da cidade e do povo de Arendelle. A montagem ficaria melhor e os riscos seriam estabelecidos com mais solidez. Tecnicamente a animação é impressionante (as subversões dos clichês de filmes de princesa - que Valente também fez - também são bem-vindas). Destaque óbvio para a set piece com a canção Let it go, quando o sentimento de libertação e autoafirmação vem das entranhas.
PS: na parte que a Ana pega a luva da irmã, alguém mais achou que era referência a Sindicato dos Ladrões?
Inside Llewyn Davis - Balada de um Homem Comum
3.8 534 Assista AgoraPor mais agoniado que eu fique por este filme não ter obtido o seu reconhecimento devido, não posso deixar de apreciar a ironia deste fato condizer justamente com o seu tema.
O Verão da Minha Vida
3.7 596 Assista AgoraQualquer filme que tenha o Sam Rockwell como uma figura paterna já me ganha. O resto do elenco também é bom. De resto, um coming of age bem convencional...
O Lobo de Wall Street
4.1 3,4K Assista AgoraComo um velhinho delicado consegue conceber uma obra tão eletrizante? Um plano que não sai da minha cabeça é um que acompanha por cima DiCaprio passando por entre os corpos exauridos pelos exageros de suas orgias, sobrevive o Calígula moderno.
Jovens Adultos
3.0 876 Assista AgoraJason Reitman enfurece a audiência e não completa o arco da personagem dele. Ao invés disso, encerra de forma mordaz e significativa. O filme conta com a narração em off da protagonista que traz uma visão já distorcida da realidade. Acontece que ela não formou esta percepção egocêntrica sozinha, contou com a ajuda da idolatria vazia dos outros. O fato dela ter recobrado esta visão de mundo após aquele belíssimo momento epifânico praticamente muda seu status de vilã para vítima. E Charlize Theron consegue realizar essa transformação, uma alcoólatra escrota que se entrega por completo ("hide me"), para em seguida aliviar-se voltando a acreditar no próprio mito - e nunca conseguir amadurecer.
Trapaça
3.4 2,2K Assista AgoraAparentemente desprovido de qualquer conteúdo, todo aparências, Trapaça ao menos tem alguma coisa a dizer sobre o Sonho Americano, o que nele consta de performance e de vigarismo em nome da sobrevivência. O primeiro plano em que acompanhamos Christian Bale meticulosamente ajeitar sua peruca representa bem. Aliás, Bale compõe o personagem mais honesto e merecedor do longa, que também é habitado por outras criaturas interessantes, na pele de atores e atrizes talentosos - destaque para Amy Adams e o próprio pançudo & calvo Bale. A falsa nota fica a cargo de Jennifer Lawrence, que começa funcionando bem mas depois cruza a linha, sobe o tom completamente e descamba pro exagero e o self-aware. Outro problema é essa plot pesada, que dá uma preguiça de acompanhar já que sabemos que este subgênero, o con men movie, está sempre refém de uma reviravolta desde o Golpe de Mestre. Vale salientar a trilha sonora com músicas setentistas (ou não) deliciosas e o ótimo trabalho de câmera do David O. Russell, junto com toda a parte visual, fotografia e direção de arte etc. E a piada recorrente entre Louis CK e Bradley Cooper também é hilária. Enfim, bem divertido. O diretor está em grande fase mas seu melhor filme continua Três Reis...