Se em terra firme não há segurança, o que um Farol no meio do mar pode lhe oferecer? As camadas que protegem a sanidade do mundo real vão sendo desgastadas pelos erros cometidos e as mentiras constantemente sustentadas pela mente que necessita de impunidade para estar bem. O veneno e a dosagem médica, a encenação e o despertar da identidade passada que quer reexistir.
Um Farol na imensidão obscura da inconsciência e a sua luz direcionada, apesar de sucinta, evidencia as impressões mais caóticas registradas na alma humana. Dessa forma sendo possível expor o som ululante mais primitivo e animalesco.
O que caracteriza uma identidade é a sua intencionalidade. Assim, sendo o desejo aquilo que representa o indivíduo, o Farol é palco, isolado e incomunicável, místico e onírico, de toda a potencialidade do ser humano sempre reprimido e "preso a grilhões por todos os lados". E não há matéria factual que possa provar a legitimidade da punição.
Somente um cão sem calças pode ser feliz. Se admitirmos que a narrativa é baseada no arquétipo da virgem - e não do herói - compreendemos que Juha precisar ir contra todos os seus preceitos, que o deixam com um vazio, e lutar para permanecer no seu Mundo Secreto.
É na disciplina em que está a liberdade. E por mais encenação que se possa fazer, apenas a experiência de encontrar-se e conhecer aquilo que lhe é mais íntimo pode conferir o prazer de estar seguro nos grilhões escolhidos.
Filme perfeito, com dominação estética e narrativa catalizadora de grandes emoções.
Duelos de hipocrisia. Vozes lúcidas sendo caladas. Mentiras para fugir da punição eterna. "Os Demônios" é a recriação de um fato histórico, já contemplado pela literatura de Aldous Huxley, que afunila séculos de distância entre o mundo contemporâneo. Somos frutos de julgamentos com raízes envenenadas, gozamos do poder inconsequentemente e estamos dispostos a sermos menos criteriosos caso haja em disputa privilégios particulares ou ao nosso coletivo.
Os personagens periféricos são repartidos em unidades, a reação e o pensamento, portanto, são maquinais, homogêneos e acríticos. A interpretação absurda que inverte o valor da realidade pelo da fantasia é viral, pois pode ser usada para diversos subterfúgios. O equilíbrio da balança entre o certo e o errado já está tão parcial que os objetivos dos personagens do núcleo narrativo são motivados por migalhas morais. Na placa da cidade de Loudun poderia haver os escritos em negros "deixai, ó vós que entrais, toda a esperança", que assim não faria injustiça à danação das almas que ali habitam. O que, dessa forma, confere aos mais loucos dos homens - aqueles que acusam, julgam e condenam - o dever de ruir os muros que a cercam, mesmo que estejam dentro da cidade. As verdades são constantemente desdenhadas, implacando em anarquia, prazer e intensas situações dramáticas.
A nudez da razão e a nudez do corpo são catalizadores de humanidade, a exposição é progressiva e rumo ao caos. A partir da descoberta desses mantos diáfanos, "Os Demônios" possibilita o conciliamento entre loucura e justiça, mentira e inocência, erro e catástrofe. Todos conhecem e são abusados pelas distintas corrupções; todos são humanos e não santos perante a tais deformidades.
Uma obra monumental que abusa do preconceito iluminista ao medieval, mas que trabalha com o absurdo dentro da perspectiva das personagens. Em outras palavras, um filme foda que você deve assistir, entrando de cabeça em sua unidade narrativa (sem cortes).
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O Farol
3.8 1,7K Assista AgoraSe em terra firme não há segurança, o que um Farol no meio do mar pode lhe oferecer? As camadas que protegem a sanidade do mundo real vão sendo desgastadas pelos erros cometidos e as mentiras constantemente sustentadas pela mente que necessita de impunidade para estar bem. O veneno e a dosagem médica, a encenação e o despertar da identidade passada que quer reexistir.
Um Farol na imensidão obscura da inconsciência e a sua luz direcionada, apesar de sucinta, evidencia as impressões mais caóticas registradas na alma humana. Dessa forma sendo possível expor o som ululante mais primitivo e animalesco.
O que caracteriza uma identidade é a sua intencionalidade. Assim, sendo o desejo aquilo que representa o indivíduo, o Farol é palco, isolado e incomunicável, místico e onírico, de toda a potencialidade do ser humano sempre reprimido e "preso a grilhões por todos os lados". E não há matéria factual que possa provar a legitimidade da punição.
Dogs Don’t Wear Pants
3.7 95 Assista AgoraSomente um cão sem calças pode ser feliz. Se admitirmos que a narrativa é baseada no arquétipo da virgem - e não do herói - compreendemos que Juha precisar ir contra todos os seus preceitos, que o deixam com um vazio, e lutar para permanecer no seu Mundo Secreto.
É na disciplina em que está a liberdade. E por mais encenação que se possa fazer, apenas a experiência de encontrar-se e conhecer aquilo que lhe é mais íntimo pode conferir o prazer de estar seguro nos grilhões escolhidos.
Filme perfeito, com dominação estética e narrativa catalizadora de grandes emoções.
Providence
4.2 24Um domínio absurdo de roteiro e direção.
Os Demônios
3.9 167Duelos de hipocrisia. Vozes lúcidas sendo caladas. Mentiras para fugir da punição eterna. "Os Demônios" é a recriação de um fato histórico, já contemplado pela literatura de Aldous Huxley, que afunila séculos de distância entre o mundo contemporâneo. Somos frutos de julgamentos com raízes envenenadas, gozamos do poder inconsequentemente e estamos dispostos a sermos menos criteriosos caso haja em disputa privilégios particulares ou ao nosso coletivo.
Os personagens periféricos são repartidos em unidades, a reação e o pensamento, portanto, são maquinais, homogêneos e acríticos. A interpretação absurda que inverte o valor da realidade pelo da fantasia é viral, pois pode ser usada para diversos subterfúgios. O equilíbrio da balança entre o certo e o errado já está tão parcial que os objetivos dos personagens do núcleo narrativo são motivados por migalhas morais. Na placa da cidade de Loudun poderia haver os escritos em negros "deixai, ó vós que entrais, toda a esperança", que assim não faria injustiça à danação das almas que ali habitam. O que, dessa forma, confere aos mais loucos dos homens - aqueles que acusam, julgam e condenam - o dever de ruir os muros que a cercam, mesmo que estejam dentro da cidade. As verdades são constantemente desdenhadas, implacando em anarquia, prazer e intensas situações dramáticas.
A nudez da razão e a nudez do corpo são catalizadores de humanidade, a exposição é progressiva e rumo ao caos. A partir da descoberta desses mantos diáfanos, "Os Demônios" possibilita o conciliamento entre loucura e justiça, mentira e inocência, erro e catástrofe. Todos conhecem e são abusados pelas distintas corrupções; todos são humanos e não santos perante a tais deformidades.
Uma obra monumental que abusa do preconceito iluminista ao medieval, mas que trabalha com o absurdo dentro da perspectiva das personagens. Em outras palavras, um filme foda que você deve assistir, entrando de cabeça em sua unidade narrativa (sem cortes).