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Data de lançamento
16 Julho 1971Duração
Na França de 1631, durante o violento regime católico em luta contra os protestantes, uma madre-superiora começa a atribuir suas fantasias sexuais com o mais proeminente padre do vilarejo a possessão demoníaca. Adversários políticos do sacerdote, Grandier, decidem aproveitar a oportunidade para tirá-lo do poder para sempre. É quando entram em cena os horrores da Santa Inquisição.
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Josephine: Fragmentos de um Crime
filme normal
Este é um dos filmes mais assustadores que já assisti, e nem de terror ele é! Aliás, acho incrível que ele não precisa ser explícito para mostrar as violências infligidas pela Santa Inquisição. Não precisamos ver ações concretas, pois gestos e reações são suficientes para causar o horror.
Ainda, a crítica ao sistema político e à hipocrisia religiosa também é muito interessante. Tudo se trata de um jogo, mas até que ponto aquele surto coletivo era uma tentativa de se salvar? Aquelas mulheres realmente chegaram a acreditar que estavam possuídas? Eu não duvido que fosse o caso para algumas...
Enfim, filmão.
PERTURBADOR, COMPLETAMENTE PERTURBADOR!!!
Acho que um filme nunca me deixou tão perplexo quanto Devils (1971). A
premissa, inicialmente, é quase a de um terror psicológico, porém, conforme adentra em sua crítica à catolicidade ao narrar um fato que REALMENTE OCORREU DESSA MANEIRA, ele mergulha em cenas apavorantes do uso dos dogmas religiosos, pelos católicos, para práticas das mais perversas que uma câmera pode captar.
É fascinante como o diabo aqui é o desejo. É a percepção de que sentir um calor por outra pessoa é um viés diabólico, como no caso da freira Irmã Jeanne, completamente fervorosa pelo padre padrãozão bigodudo Urbain Grandier. Ao mesmo tempo em que tenta trazê-lo para o seu convívio na Ordem de Santa Úrsula, para assim seduzi-lo, tenta repudiar o tesão que sente por aquele bigodão, por aquele peito cabeludo e suado, como obra do diabo.
É fascinante também o teor político apresentado entre os desejos da Igreja Católica de derrubar os muros de Loudun e os interesses do padre Urbain Grandier em fazer prevalecer a cidade. É um tanto tendenciosa a perspectiva que o filme decide abordar: ele coloca Grandier, um padre católico com interpretações de que os padres não precisam se manter castos e podem se casar, como um homem gostosão, com uma aura sexual imensa, que assume seus desejos, mesmo utilizando seu cargo como guia da fé e das resoluções pecaminosas para pegar mulher. Enquanto isso, aborda as outras figuras católicas como extremistas hipócritas, que usam da fé para mascarar suas vontades e desejos sexuais e que cometem atos horrendos usando a fé para justificá-los.
Assim, o filme assume um lado. Ele revela a hipocrisia de Jeanne ao condenar Grandier como um demônio que visita as freiras à noite e condena a figura católica que usa da fé para satisfazer seus desejos, esquecendo-se, ou somente ignorando, que Grandier, por si só, também é hipócrita.
As cenas desse filme são completamente perturbadoras. Os abusos feitos pelos padres católicos e por “cientistas absurdos” para com as freiras, em especial com a irmã Jeanne, são algo horrendo de se assistir. Toda aquela cena de “histeria” feminina, na qual o filme assume o viés de que todas estavam interpretando a mando dos padres, é, ao mesmo tempo, fascinante e perturbadora, tanto por usar a imagem de Cristo junto à nudez e à sexualização das freiras quanto por demonstrar os abusos dos padres contra essas mulheres.
É um filme difícil de se engolir, mas traz pensamentos interessantes sobre o uso da fé para justificar atos horrendos em prol dos desejos dos “fiéis”.
Ainda não sei se gostei. Tem uma critica bem interessante e eu diria até atualizada sobre a grande hipocrisia que rodeia as igrejas e politicas. Mas sei lá, algo não me pegou, faltou desenrolar mais a história, ficou focada demais nas cenas para chocar.
Ansioso para ver a versão do diretor.