Peter Gabriel engradece o espetáculo que foi um dos responsáveis pela gradativa ruptura com o piano gentil de Bush em "The Kick Inside" para se acertar no ponto de maior experimentação do seu universo obscuro. "Violin" é uma abertura excelente, assim como o figurinão desengoçado de "Them heavy people" e o especial de natal culmina em "December will be magic again", depois de faixas eloquentes e maravilhosas como "Egypt" e "The Wedding List", ambas do disco "Never for ever", tido como principal transição na carreira da artista para uma imersão em pioneirismo eletrônico. Suas composições nos transportam a outros lugares, possuem compreensão técnica não mais que melodias energéticas, nos fazendo reféns de seu ritmo e pesquisadores de seus significados.
O que será dito neste comentário não diz respeito ao experimento de assistir à saga folhetinesca mexicana LA USURPADORA inteiramente, mas pelo corte de 400 minutos do original, lançado oficialmente em dvd pela Televisa. O material editado da famosa telenovela de Paola Bracho pode ter perdido completamente a essência por sucumbir-se a tamanha agilidade de narrativa, mostrando desleixo aos detalhes pitorescos das reviravoltas e exacerbando a artificialidade das interpretações. Numa primeira sequência, compreendemos alguma revelação e, antes mesmo de que se desdobre, a história é forçada a avançar com longos vazios que ironicamente deixam a história mais prazerosa de ser assistida, evidenciando os seus traços da sensibilidade Camp.
Desta maneira, a conveniência de assistir a este formato da novela está na possibilidade de encontra-la com uma linguagem diferente, na involuntária zombaria de si própria por dar lugar a bruscos cortes que revelam lágrimas ingênuas e gargalhadas de bruxa. Instiga-me o uso recorrente do clichê em novelas mexicanas e a sensibilidade que em vários momentos se mostra reflexo da cultura popular tanto discriminada. A começar pelo melodrama e seus artifícios quadrados que desde o teatro até o cinema, passando pelos jornais, rádios e revistas, produzem significações que valem a pena de ser pensadas por traduzirem muitos fenômenos populares da indústria cultural.
Se pensar nos termos existenciais do drama humano, talvez seja irremediável a planificação daqueles personagens que os banaliza em figuras infantis e previsíveis. Todavia, o delicioso no caricato é a recorrência do humor em si próprio que consegue em muitas situações encontrar complexidade em atos tão simplificados. Quem nunca achou atraente a pérfida postura de Paola Bracho? Ou se deleitou até gorfar com a diabética inocência entre Paulina e Carlos Daniel? No meu caso, sou fascinado pela personagem de Estefania, o patinho feio dominado socialmente que transforma-se no belo cisne e encontra segurança na própria individualidade.
...E contra os meus princípios "filmowísticos", indubitavelmente, abro a única exceção de marcar LA USURPADORA e inaugurar - já finalizando, assim espero... - a minha página de títulos que dizem respeito a TV. Não poderia ficar de fora as previsíveis e inesquecíveis tolices da dialética existencial Paola/Paulina que, por sinal, foram bem apropriadas pela juventude que acompanhava! Isso me inclui, oras! Sabe quem sou eu? tan, tan, tan...
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Kate Bush Christmas Special
4.6 4Peter Gabriel engradece o espetáculo que foi um dos responsáveis pela gradativa ruptura com o piano gentil de Bush em "The Kick Inside" para se acertar no ponto de maior experimentação do seu universo obscuro. "Violin" é uma abertura excelente, assim como o figurinão desengoçado de "Them heavy people" e o especial de natal culmina em "December will be magic again", depois de faixas eloquentes e maravilhosas como "Egypt" e "The Wedding List", ambas do disco "Never for ever", tido como principal transição na carreira da artista para uma imersão em pioneirismo eletrônico. Suas composições nos transportam a outros lugares, possuem compreensão técnica não mais que melodias energéticas, nos fazendo reféns de seu ritmo e pesquisadores de seus significados.
A Usurpadora
4.4 751ENAMORADOS DE UNA USURPADORA
O que será dito neste comentário não diz respeito ao experimento de assistir à saga folhetinesca mexicana LA USURPADORA inteiramente, mas pelo corte de 400 minutos do original, lançado oficialmente em dvd pela Televisa. O material editado da famosa telenovela de Paola Bracho pode ter perdido completamente a essência por sucumbir-se a tamanha agilidade de narrativa, mostrando desleixo aos detalhes pitorescos das reviravoltas e exacerbando a artificialidade das interpretações. Numa primeira sequência, compreendemos alguma revelação e, antes mesmo de que se desdobre, a história é forçada a avançar com longos vazios que ironicamente deixam a história mais prazerosa de ser assistida, evidenciando os seus traços da sensibilidade Camp.
Desta maneira, a conveniência de assistir a este formato da novela está na possibilidade de encontra-la com uma linguagem diferente, na involuntária zombaria de si própria por dar lugar a bruscos cortes que revelam lágrimas ingênuas e gargalhadas de bruxa. Instiga-me o uso recorrente do clichê em novelas mexicanas e a sensibilidade que em vários momentos se mostra reflexo da cultura popular tanto discriminada. A começar pelo melodrama e seus artifícios quadrados que desde o teatro até o cinema, passando pelos jornais, rádios e revistas, produzem significações que valem a pena de ser pensadas por traduzirem muitos fenômenos populares da indústria cultural.
Se pensar nos termos existenciais do drama humano, talvez seja irremediável a planificação daqueles personagens que os banaliza em figuras infantis e previsíveis. Todavia, o delicioso no caricato é a recorrência do humor em si próprio que consegue em muitas situações encontrar complexidade em atos tão simplificados. Quem nunca achou atraente a pérfida postura de Paola Bracho? Ou se deleitou até gorfar com a diabética inocência entre Paulina e Carlos Daniel? No meu caso, sou fascinado pela personagem de Estefania, o patinho feio dominado socialmente que transforma-se no belo cisne e encontra segurança na própria individualidade.
A Usurpadora
4.4 751...E contra os meus princípios "filmowísticos", indubitavelmente, abro a única exceção de marcar LA USURPADORA e inaugurar - já finalizando, assim espero... - a minha página de títulos que dizem respeito a TV. Não poderia ficar de fora as previsíveis e inesquecíveis tolices da dialética existencial Paola/Paulina que, por sinal, foram bem apropriadas pela juventude que acompanhava! Isso me inclui, oras! Sabe quem sou eu? tan, tan, tan...