Dawn of the Planet of the Apes resgata e aprofunda uma discussão sobre a dinâmica da sociedade, já apresentada em 1968 com o primeiro dos filmes. O longa, em sua totalidade, não é tão competente quanto o anterior, pois perde força nas cenas do núcleo humano. Enquanto James Franco e John Lithgow desenvolveram personagens empáticos cujos dramas pessoais comoviam o espectador e influenciavam, de fato, no decorrer da trama, a família criada para esta última sequência parece improvisada, apenas um gatilho para que o confronto tenha seu início.
O diretor Matt Reeves, porém, finaliza seu trabalho com um belo resultado ao transformar a intenção da narrativa. Não se trata apenas de uma guerra entre espécies, resultado da crueldade humana. Na medida em que os macacos evoluem geneticamente e passam a viver em um grande grupo, surgem questões semelhantes às da civilização até então dominante. Juntos, tornam-se seres políticos; há um poder central, diferentes ideologias, insatisfações que levam à corrupção. Este Planeta dos Macacos mostra que o caos pode ser desencadeado por um breve conflito interno, falta de comunicação e discordâncias mal resolvidas.
A estrutura criada para os personagens primatas no filme de 2014 é a mais interessante entre todas as outras já utilizadas. Apesar das características humanas impressas em cada um deles – o ódio de Koba, a mágoa de Blue Eyes, a fé de Cesar -, sua existência ainda é extremamente animalesca. As imagens minuciosamente realistas criadas pela equipe de efeitos visuais, com traços rudes e secos, além do movimento instintivo e fala pausada proporcionados pelos geniais atores, tornam crível a mutação criada em laboratório.
Inicia-se a torcida para que a continuação mantenha o ritmo do filme atual; contendo a ação inerente ao mundo selvagem, mas sem que falte o apelo emocional presente em cada etapa vitoriosa do líder Cesar. A próxima fase da evolução encontra-se entre o retrato verossímil de O Confronto e a satírica versão de Franklin J. Schaffner de um futuro distante. A equipe chegará ao tom correto balanceando elementos de ambos os novos filmes unidos ao senso crítico do original, de forma a equilibrar o cult e o blockbuster.
Conhecedores da geração beat: Kill Your Darlings tem uma representação fiel de Kerouac? O Jack que conheci em On the Road parece extremamente diferente! Seria esta impressão resultado de fases destoantes da vida do escritor? Um Kerouac mais maduro após os acontecimentos abordados no filme? Ou, de repente, uma prova de que o auto retrato seja a pior descrição que possamos ter. Afinal, o homem fervoroso e inconsequente interpretado por Jack Huston possui maior sintonia com o mito Neal Cassady do que aquele Kerouac vivido por Sam Riley (feito aos moldes do livro).
Ah, o poder que as palavras exercem sobre a nossa sociedade... Um discurso convicto é capaz de manipular multidões, e American History X vem para nos lembrar disso. Ódio e paz foram disseminados ao longo da história através de incríveis oradores. Por isso é tão importante que não nos deixemos cegar por falas bem articuladas, ainda que seu autor seja de suposta referência; um pai, um líder, uma emissora. Questionar. Questionar. Questionar. Nunca saberemos a real intenção do detentor da palavra.
Àqueles que assistirão pela primeira vez: quando o filme acabar, não corram para as teorias na internet. É muito interessante ver até onde nossa mente nos leva e o quanto podemos criar e nos questionar a partir dessa história tão enigmática.
Só senti falta do "olha pra cá filha-da-puta, sem-vergonha". De resto, fico feliz que tenham realmente adaptado a história, não seguindo-a piamente, para que se tornasse mais natural e tivesse melhor fluidez no cinema. O resultado: digníssimo!
Planeta dos Macacos: O Confronto
3.9 1,8KDawn of the Planet of the Apes resgata e aprofunda uma discussão sobre a dinâmica da sociedade, já apresentada em 1968 com o primeiro dos filmes. O longa, em sua totalidade, não é tão competente quanto o anterior, pois perde força nas cenas do núcleo humano. Enquanto James Franco e John Lithgow desenvolveram personagens empáticos cujos dramas pessoais comoviam o espectador e influenciavam, de fato, no decorrer da trama, a família criada para esta última sequência parece improvisada, apenas um gatilho para que o confronto tenha seu início.
O diretor Matt Reeves, porém, finaliza seu trabalho com um belo resultado ao transformar a intenção da narrativa. Não se trata apenas de uma guerra entre espécies, resultado da crueldade humana. Na medida em que os macacos evoluem geneticamente e passam a viver em um grande grupo, surgem questões semelhantes às da civilização até então dominante. Juntos, tornam-se seres políticos; há um poder central, diferentes ideologias, insatisfações que levam à corrupção. Este Planeta dos Macacos mostra que o caos pode ser desencadeado por um breve conflito interno, falta de comunicação e discordâncias mal resolvidas.
A estrutura criada para os personagens primatas no filme de 2014 é a mais interessante entre todas as outras já utilizadas. Apesar das características humanas impressas em cada um deles – o ódio de Koba, a mágoa de Blue Eyes, a fé de Cesar -, sua existência ainda é extremamente animalesca. As imagens minuciosamente realistas criadas pela equipe de efeitos visuais, com traços rudes e secos, além do movimento instintivo e fala pausada proporcionados pelos geniais atores, tornam crível a mutação criada em laboratório.
Inicia-se a torcida para que a continuação mantenha o ritmo do filme atual; contendo a ação inerente ao mundo selvagem, mas sem que falte o apelo emocional presente em cada etapa vitoriosa do líder Cesar. A próxima fase da evolução encontra-se entre o retrato verossímil de O Confronto e a satírica versão de Franklin J. Schaffner de um futuro distante. A equipe chegará ao tom correto balanceando elementos de ambos os novos filmes unidos ao senso crítico do original, de forma a equilibrar o cult e o blockbuster.
Versos de um Crime
3.6 665 Assista AgoraConhecedores da geração beat: Kill Your Darlings tem uma representação fiel de Kerouac?
O Jack que conheci em On the Road parece extremamente diferente!
Seria esta impressão resultado de fases destoantes da vida do escritor? Um Kerouac mais maduro após os acontecimentos abordados no filme?
Ou, de repente, uma prova de que o auto retrato seja a pior descrição que possamos ter. Afinal, o homem fervoroso e inconsequente interpretado por Jack Huston possui maior sintonia com o mito Neal Cassady do que aquele Kerouac vivido por Sam Riley (feito aos moldes do livro).
A Outra História Americana
4.4 2,3K Assista AgoraAh, o poder que as palavras exercem sobre a nossa sociedade... Um discurso convicto é capaz de manipular multidões, e American History X vem para nos lembrar disso. Ódio e paz foram disseminados ao longo da história através de incríveis oradores. Por isso é tão importante que não nos deixemos cegar por falas bem articuladas, ainda que seu autor seja de suposta referência; um pai, um líder, uma emissora. Questionar. Questionar. Questionar. Nunca saberemos a real intenção do detentor da palavra.
O Lobo de Wall Street
4.1 3,4K Assista AgoraDiCaprio sempre se faz convincente, mas nesse filme... Quase saí do cinema comprando algumas ações.
O Grande Gatsby
3.9 2,7KHip hop e New York dos anos 20 casaram perfeitamente!
Réquiem para um Sonho
4.3 4,4K Assista AgoraFilme de não-terror mais assustador ao qual já assisti. Ainda estou tentando respirar.
Donnie Darko
4.2 3,9K Assista AgoraÀqueles que assistirão pela primeira vez: quando o filme acabar, não corram para as teorias na internet. É muito interessante ver até onde nossa mente nos leva e o quanto podemos criar e nos questionar a partir dessa história tão enigmática.
Faroeste Caboclo
3.2 2,4KSó senti falta do "olha pra cá filha-da-puta, sem-vergonha". De resto, fico feliz que tenham realmente adaptado a história, não seguindo-a piamente, para que se tornasse mais natural e tivesse melhor fluidez no cinema. O resultado: digníssimo!