Certamente uma referência que influenciou diversos autores de enredos. Tem um quê de Lobo da Estepe, mas apresentado de forma sinistra, na divisão da "personalidade", este jogo que se faz com o duplo, o semelhante, e que Rimbaud lançou na fórmula "O eu é o outro". O filme me desagradou no início, não me fisgou, mas me entreteve conforme a realidade foi distorcida por meio do jogo de espelhos que, como nos esquemas ópticos de Bouasse, o objeto real projeta uma imagem real no espelho côncavo e, refletida no espelho plano, a imagem virtual, a ilusão, é produzida.
No Lobo da Estepe, Harry Haller se depara com essa mesma ilusão ao adentrar o Teatro Mágico e olhar através do espelho; a divisão que ocorre entre o homem versus o lobo é suplantada pela fragmentação.
A resolução de Mima e de HH são aproximadas nisto: na possibilidade de continuidade da vida ao sair do espelho, diferente de Rumi, que continua a viver na ilusão.
Incômodo tanto pela expropriação de uma terra sacra, quanto pela relação incestuosa entre mãe e filho. A mãe coloca o pai morto no lugar de Deus e devota sua vida à defender sua casa da destruição, recusando a oferta de saída da terra. Nessa destruição, a civilização dessacraliza a terra para a construção de um campo de esqui. A marca do diabo é a tinta usada para determinar qual árvore será derrubada. Johannes é um Jesus criado na pureza da pretensa distância do vício e da luxúria.
Achei curiosíssima a relação entre esses dois personagens que a princípio são tão distintos; a artista, uma mulher que devota sua vida à arte, extrai da pintura um movimento para si, e o ladrão, um homem que se entorpece exageradamente a ponto de falhar suas memórias, de uma brutalidade contra si mesmo que o leva para a cadeia algumas vezes. Embora isso, há uma associação de destruição e morte atualizada pelo passado de ambos, que abre-se uma possibilidade de construir uma outra coisa, desta vez viva.
Nota de pensamento: atualmente, estou lendo A água e os sonhos, de Bachelard, que fala sobre o cisne enquanto um representante sexual, que pode ser tanto masculino quanto feminino. Um dos quadros roubados de Barbora é "Swan Song", uma pintura que retrata um cisne que parece estar morto, no meio de um matagal
"Um dia vocês vão ficar sem emprego, eles estão privatizando tudo! Malditos coxinhas de merda, membros da porra do clubinho! Seus malditos puxa-sacos do governo, esse aí é o Daniel Blake, porra!"
O filme já começa apresentando uma de suas propostas: a presença forte da linguagem visual, que sobressai em relação à linguagem verbal. A Melancolia representa visualmente dois aspectos: o planeta e o sentimento; o primeiro por ser algo físico, palpável, e o segundo se mostra pelas belas interpretações das personagens, onde algumas cenas não precisam de qualquer tipo de fala para passar a ideia.
Percebi isso em vários momentos do filme, mas bem marcadamente, na cena em que o garoto vê o cavalo Abraham, que o pai supostamente teria usado para ir à vila
Além disso, trata de questões filosóficas, como a escolha versus destino.
Fica marcado principalmente no final, onde se percebe que Justine sabe o que irá acontecer, e simplesmente aceitou a natureza, diferente de John, que ao perceber seus erros de cálculo, realiza a escolha de morrer, suicidando-se, retirando a possibilidade de escolha de Claire
Já traz no seu início, o seu final: o choque dos planetas, representando a inevitabilidade da natureza, e de sua grandiosidade perante nós, humanos. Com isso, se tem uma ideia de banalidade humana; o quão somos insignificantes perante o universo, e, por isso, melancólicos.
Nos primeiros 30 minutos do filme ele já faz propaganda do site, do livro e de casas, e ao mesmo tempo reclama de propagandas que induzem ao consumismo.
Perfect Blue
4.3 837Certamente uma referência que influenciou diversos autores de enredos. Tem um quê de Lobo da Estepe, mas apresentado de forma sinistra, na divisão da "personalidade", este jogo que se faz com o duplo, o semelhante, e que Rimbaud lançou na fórmula "O eu é o outro". O filme me desagradou no início, não me fisgou, mas me entreteve conforme a realidade foi distorcida por meio do jogo de espelhos que, como nos esquemas ópticos de Bouasse, o objeto real projeta uma imagem real no espelho côncavo e, refletida no espelho plano, a imagem virtual, a ilusão, é produzida.
No Lobo da Estepe, Harry Haller se depara com essa mesma ilusão ao adentrar o Teatro Mágico e olhar através do espelho; a divisão que ocorre entre o homem versus o lobo é suplantada pela fragmentação.
A resolução de Mima e de HH são aproximadas nisto: na possibilidade de continuidade da vida ao sair do espelho, diferente de Rumi, que continua a viver na ilusão.
Da metade para o final, o filme é impecável.
Luzifer
3.2 22Filme incômodo, mas belíssimo.
Incômodo tanto pela expropriação de uma terra sacra, quanto pela relação incestuosa entre mãe e filho. A mãe coloca o pai morto no lugar de Deus e devota sua vida à defender sua casa da destruição, recusando a oferta de saída da terra. Nessa destruição, a civilização dessacraliza a terra para a construção de um campo de esqui. A marca do diabo é a tinta usada para determinar qual árvore será derrubada. Johannes é um Jesus criado na pureza da pretensa distância do vício e da luxúria.
Where is the devil?
Priscilla
3.4 248 Assista AgoraVida medíocre...
A Artista e o Ladrão
4.1 23Achei curiosíssima a relação entre esses dois personagens que a princípio são tão distintos; a artista, uma mulher que devota sua vida à arte, extrai da pintura um movimento para si, e o ladrão, um homem que se entorpece exageradamente a ponto de falhar suas memórias, de uma brutalidade contra si mesmo que o leva para a cadeia algumas vezes. Embora isso, há uma associação de destruição e morte atualizada pelo passado de ambos, que abre-se uma possibilidade de construir uma outra coisa, desta vez viva.
Nota de pensamento: atualmente, estou lendo A água e os sonhos, de Bachelard, que fala sobre o cisne enquanto um representante sexual, que pode ser tanto masculino quanto feminino. Um dos quadros roubados de Barbora é "Swan Song", uma pintura que retrata um cisne que parece estar morto, no meio de um matagal
Eu, Daniel Blake
4.3 539 Assista Agora"Um dia vocês vão ficar sem emprego, eles estão privatizando tudo! Malditos coxinhas de merda, membros da porra do clubinho! Seus malditos puxa-sacos do governo, esse aí é o Daniel Blake, porra!"
Melancolia
3.8 3,1K Assista AgoraO filme já começa apresentando uma de suas propostas: a presença forte da linguagem visual, que sobressai em relação à linguagem verbal. A Melancolia representa visualmente dois aspectos: o planeta e o sentimento; o primeiro por ser algo físico, palpável, e o segundo se mostra pelas belas interpretações das personagens, onde algumas cenas não precisam de qualquer tipo de fala para passar a ideia.
Percebi isso em vários momentos do filme, mas bem marcadamente, na cena em que o garoto vê o cavalo Abraham, que o pai supostamente teria usado para ir à vila
Além disso, trata de questões filosóficas, como a escolha versus destino.
Fica marcado principalmente no final, onde se percebe que Justine sabe o que irá acontecer, e simplesmente aceitou a natureza, diferente de John, que ao perceber seus erros de cálculo, realiza a escolha de morrer, suicidando-se, retirando a possibilidade de escolha de Claire
Já traz no seu início, o seu final: o choque dos planetas, representando a inevitabilidade da natureza, e de sua grandiosidade perante nós, humanos. Com isso, se tem uma ideia de banalidade humana; o quão somos insignificantes perante o universo, e, por isso, melancólicos.
Minimalismo: Um Documentário Sobre Coisas Importantes
3.5 193Nos primeiros 30 minutos do filme ele já faz propaganda do site, do livro e de casas, e ao mesmo tempo reclama de propagandas que induzem ao consumismo.