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Duração
Rodado ao longo de uma década numa vivenda ensolarada na Provença, este filme acompanha a “Avó”, uma condessa boémia austro-húngara, enquanto ela transmite sabedoria à beira da piscina e procura um sucessor entre os descendentes. Vestindo fatos de banho, os membros mais jovens da família percorrem o seu mundo complexo, regredindo sob o seu olhar atento e resistindo aos seus conselhos. À medida que os verões passam e a influência da avó se desvanece, os herdeiros reavaliam os seus ensinamentos misteriosos. Começam a distinguir o que é valioso do que é vexatório, preparando-se para deixar a vivenda.
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Cheguei um pouco atrasado à sessão, e perdi a apresentação da diretora. Assim que entrei na sala de exibição, estranhei os enquadramentos inauditos, focalizados no baixo-ventre da avó da diretora, o que instaurou um fascínio imediato. Gostei muito da estratégia curatorial de exibir este filme junto ao meu longa-metragem, no sentido de que ambos compartilham estratégias temáticas e formais assaz similares, para além da extrema divergência de classes sociais abordadas. A simpatia com que a diretora filma os seus avós, em detrimento da antipatia com que ela mostra o irmão e da desconfiança com que ela apresenta a mãe, faz com que a identificação em relação às conversas e trocas de experiências e afetos seja imediata. Gosto muito da montagem, inclusive quando ela escancara algumas opções ficcionais (o som como pano de fundo para cenas de outros ambientes, a imagem "posada" do escorpião preto na xícara de café). Um filme bonito que nem se esforça tanto para sê-lo: basta mostrar, todo o charme está nesta opção. Que bom que a diretora levou à frente o seu intento documental. Na platéia, muitos e muitos risos. Eu, senti empatia. Amei o diálogo sobre a mãe estar se espelhando no envelhecimento físico da avó, e preocupada com as conseqüências disso... (WPC>)