Há 11 anos sem filmar, Reggio está de volta com Visitantes. O longa explora o transe criado por nossa relação contemporânea com a tecnologia que, quando comandado por estados emocionais extremos, produzem enormes efeitos que vão muito além da espécie humana.
Todo filmado em preto e branco, conta novamente com a trilha de Glass.
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Depois desse filme comecei a reparar mais nos olhos das pessoas
eu nao conhecia o trabalho do godfrey reggio e nao fazia ideia do estilo dele. na primeira cena aparece aquele gorila eu fiquei “eita” (tava jurando que era um gorila computadorizado), eu parei, fui pesquisar e PUTA MERDA É UM GORILA DE VERDADE! beleza.. o filme foi seguindo eu parei de novo e pensei “hmmm acho que vai ser o filme inteiro assim, respirei fundo, vamu la”. tinha hora que eu me sentia assistindo um big brother da vida, ali, espiando escondido a vida das outras pessoas e tinha hora que eu ficava encantado (e incomodado) de ficar olhando tanto tempo pros olhos dessas pessoas (ta, elas tavam olhando pruma câmera e eu pruma tela, mas mesmo assim). duas pessoas ficarem olhando uma pra outra, olho no olho, parece que voce entra na intimidade dela, invade, e gera uma certa vergonha, só que ao mesmo tempo esse encontro cria uma mancha na sua sensibilidade e você apreende um rastro da individualidade do outro. sem falar nas outras cenas onde a realidade é elevada ao extremo que chega a parecer de mentira. depois eu li uma entrevista do godfrey reggio e confirmei o que eu fiquei sentindo o filme inteiro, nas palavras dele: “my intention is to engage these triplets that reside inside all of us – sensation, emotion, perception – and that’s different for each person”.
queria ter assistido no cinema.
Fotografia incrível.
Grandioso e ao mesmo tempo simples, com bastante slow motion para ajudar a digerir com calma os muitos detalhes que poderiam ser ignorados, mas que se tornam centrais nessa obra. Uma experiência singular e primorosa, instiga a reflexão e o sentimento através de uma maneira única de documentar as existências humanas, como já era de se esperar de Godfrey Reggio. Há a mistura de várias imagens que representam o fluxo da vida pela natureza, a quietude de locais que outrora já foram frequentados, as diferentes expressões e feições dos visitantes... Fluxo, finitude, profundidade, beleza, minúcias dessa visita... Não há muito como tentar classificar esse longa metragem, mais fácil assistir, escutar e sentir, como na trilogia qatsi.