Na Caxemira em conflito, uma viúva muçulmana, responsável por sua filha de 11 anos e uma sogra doente, encontra-se em apuros. Incapaz de obter o atestado de óbito de seu marido desaparecido do governo, ela deve encontrar forças para superar essa situação absurda.
O filme é lento e arrastado em alguns momentos, mas ao mesmo tempo contemplativo e cheio de detalhes que a competente direção de Morchhale segura muito bem. O filme mostra a dualidade entre a podridão do ser humano, onde um funcionário do governo se torna um monstro escancarando o quanto a humanidade é um projeto que deu errado, mas ao mesmo tempo temos a figura da enfermeira que abdica de seus ganhos pessoais para tentar dar algum conforto em um momento de desespero a colega, mostrando que talvez eu esteja errado sobre a humanidade. As imagens da Caxemira são como pinturas que me lembraram um pouco o estilo do diretor turco de Nuri Bilge Ceylan. O personagem do motorista, interpretado por Bilal Ahmad, é de longe a melhor coisa do filme. No final tudo fica um pouco kafkaniano e o desfecho é exatamente o que eu esperava, mas que se fosse de outro modo estragava o filme. Só indico para quem realmente está acostumado com este tipo de filme.
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Pra quem gosta de filmes contemplativos, desses em que quase nada acontece, esse é um prato cheio. A história é de uma mulher muçulmana da Caxemira (Índia) que tem um marido desaparecido e cuida da sogra idosa e de uma filha adolescente. Para melhorar de vida, ela vai todos os dias no cartório do governo pra tentar obter a certidão de óbito do marido, mas só encontra dificuldades. E nesses oitenta e poucos minutos é isso o que se passa, na pasmaceira de uma rotina monótona de um lugar muito pobre, a mulher não consegue obter nenhum avanço, pelo contrário, sua situação só vai ficando cada vez mais absurda e desesperadora. A paisagem desoladora e as características do povo e da região são os atrativos desse filme chato, mas que pelo menos tem um final curioso.