O diretor gênio-louco-polêmico iugoslavo Dusan Makajevev parte de um documentário até certo ponto tradicional sobre a vida e obra do também polêmico psiquiatra Wilhelm Reich (morto maldito em 1957) para desaguar nas loucuras sexualmente ativas do fim dos anos 60 nos Estados Unidos. É um caleidoscópio psicodélico-documental sobre vários ícones da contracultura sexual norte-americana. Há o pessoal da revista sacana Screw, as mulheres do Plaster Caster (que moldavam pênis eretos de grandes estrelas), o vocalista do The Fugs masturbando uma metralhadora nas ruas de Nova York, terapias de ´grito primal´, uma artista que só desenha pessoas se masturbando, transformista atriz de Andy Warhol falando sobre sua "nova vida"...
Fazendo contraponto, há cenas filmadas na Iugoslávia que relacionam diretamente as idéias sexualmente libertadoras do Mr. Reich com o socialismo. Uma moça meio pirada proclama para as massas que o socialismo só é possível com a liberdade sexual (é óbvio que o filme, cujo lema é FUCK FREE, foi imediatamente banido no país). O filme ainda dá vários cutucões na relação entre a União Soviética e a Iugoslávia. Um bailarino russo, artísta-herói, aparece e conquista a iugoslava revolucionária, mas ele é impotente... Isso com imagens de Stalin, Lenin e tudo mais..."
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Para ser sincero, preferia não ter visto.
Gosto de filmes estranhos, diferentes, ousados...
Só que este aqui ultrapassou todos os limites de entendimento para mim.
Um pouco das ideias comunistas e suas experiência, deu pra ter uma ideia dos pensamentos do psiquiatra Wilhelm Reich
Tributo ao psicólogo Wilhelm Reich explorando a relação entre comunismo e a sexualidade.
A mistura de ficção e realidade é tão caótica que confesso que fiquei em dúvida em algumas sequências de qual era uma ou qual era a outra. O filme é ousado e polêmico e o que não falta nele são cenas de sexo explícito e nudez masculina e feminina. Em alguns momentos lembra um filme dirigido por Godard por causa dos discursos políticos e em outras uma produção estrelada pelo personagem Borat por causa das encenações feitas em ambientes reais. É uma grande bagunça que não chega a ser uma obra-prima e não traz uma mensagem clara daquilo que quer dizer, mas que é fácil de acompanhar, tanto que passa rápido e proporciona algum entretenimento.
Wilhelm Reich, junto com Louis Althusser, são os dois teóricos mais sub-valorizados do século passado. Foram injustamente ostracizados em seus arcabouços centrais (respectivamente, a psicanálise e o marxismo) e, com isso, perdemos muito em termos de avanço teórico até hoje.
Esse longa sérvio mezzo documentário mezzo vanguarda experimental, porém, é só uma bobagem que pega a pior fase reichiana - justamente o misticismo biológico do período estadunidense - e passa aquele verniz metido a besta padrão Godard que torna a experiência muito distante da montagem dialética que o diretor dizia herdar de Eisenstein. Acaba não sendo totalmente ruim por conta do meu interesse pelo tema, além de ter boas informações no começo, antes de entrar a historinha paralela da "sedução do dançarino".