Adaptação da peça homônima de Georg Büchner. Trabalhando como um sinaleiro em uma decrépita gragagem de trens, Woyzeck resiste à pobreza e a uma esposa insensível, entre outros problemas. Ele consegue um emprego como cobaia de um bizarro experimento médico, para complementar sua renda e sustentar sua família. Quando começa a desconfiar que sua esposa o trai, Woyzeck vê sua precária sanidade mental ceder, explodindo em um ato de violência.
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Produção húngara que foi selecionada como a entrada da Hungria para o melhor filme estrangeiro no 67º Oscar, mas não foi aceito como candidato. Cada elemento da paisagem parece ter caído em uma dimensão atemporal, suspensa em uma névoa existencial feita de uma envolvente fotografia em preto e branco, talvez, uma das maiores qualidades deste filme sombrio, tenso e melancólico,
com várias citações bíblicas que vão encaminhando o enredo triste e cruel até seu trágico desfecho.
Esta foi uma nova atualização húngara de uma tragédia alemã clássica sobre a tragédia de 1837 de Georg Büchman (1813-1837), transferindo a ação das províncias alemãs para a moderna Budapeste e reformulando seu protagonista como um humilde agente ferroviário. Esta é mais uma das 8 versões feitas até agora. Sua adaptação é notavelmente fiel à de Büchman, tema da desumanização do homem comum pelas maquinações da Ordem e dá conta das cifras antipáticas da peça, tornando até mesmo as figuras de autoridade manipuladora pateticamente compreensíveis.
Tudo na cidade parece calmo, plácido e amável. Mas Franz Woyzeck, um fuzil designado como um enfermeiro, ouve vozes - os tempos estão fora do comum, pelo menos em seu cosmos. Para seu capitão, Woyzeck é uma maravilha cômica: ignorante, mas corajosa, cheia de energia, apesar de sério e mau-humorado. Até sua submissa esposa, Mari, estranha suas atitudes insensíveis para com ela e seu bebê recém-nascido.
Ambientação impecável. Preto e branco sensacional que combinou os planos lentos, até slow motion em alguns momentos, com reflexões muito bem encaixadas (Que coisa maravilhosa foi aquela introdução!).
O filme tem um tom depressivo, com a maior parte da fotografia escura, e a situação do Woyzeck é nada boa. Enfrentar um dia inteiro de trabalho, se sujeitando a situações embaraçosas com uma esposa daquelas ainda.
Sorte minha que não li a sinopse, resume o que acontece em todo filme, basicamente.
E quando finalmente ele foi para a lua, era feita de madeira podre. Então ele foi para o sol, e quando chegou lá, era apenas um girassol murcho...
Devo torcer para ouvir as vozes?
A fotografia em preto e branco e a ambientação solipsista nos remetem às obras mais profundas de Béla Tarr e Larisa Shepitko, enquanto o roteiro nos apresenta um Woyzeck mais soturno, existencialista, rodeado por coadjuvantes que exercem forte domínio sobre sua vida através de suas frases reflexivas e impactantes.
Esta versão de Woyzeck é uma adaptação peculiar, mas surpreendente, da peça homônima, que consegue divergir totalmente da adaptação mais famosa, de Werner Herzog, e conseguindo atingir um nível de qualidade tão alto quanto.