Destroços e Raiva: A Produção de Alien 3

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Destroços e Raiva: A Produção de Alien 3 (2003)
Wreckage and Rage: The Making ‘Alien³’
Média do filme: 4.2 de 5 — baseado em 24 votos
MÉDIAFILMOW
4.2
24 Avaliações
Minha avaliação:
Salvando
Dirigido por Charles de Lauzirika
Data de lançamento 2 Dez. 2003 Outras datas
Duração 161 min (2h41)

Dirigido por

Data de lançamento

2 Dez. 2003

Duração

161 minutos
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Sinopse

Documentário sobre a controversa produção de Alien 3

Gênero:
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Minha Vida com Shurastey | Teaser Oficial

Minha Vida Com Shurastey

Comentários 0
amigos querem ver
jjunior616
JJunior616
½
9 anos atrás

Apesar do Alien 3 ser o primeiro Alien que assitir e ter um imenso respeito por ele, assistindo esse documentário, não sei como esse filme foi acontecer, para começar ele estava sendo gravado sem nenhum roteiro e com tantos problemas, brigas e desavenças...
David Fincher se restabeleceu em seus filmes, mas no primeiro que é esse, pisou com um grande pé esquerdo!

Um detalhe que pesou para o Fincher, além da falta de experiência, é que ele não era tão completo como os diretores anteriores que roterizavam, faziam story board e etc...
E não adiantam polemizar, a versão do diretor do Alien tem um final horrivel, digno de diminuir até a nota do filme.

Poderia até ser "inovador", mas o Xenomorfo desse filme é o pior de todos outros anteriores e posteriores, além de cada hora estar de um tamanho diferente, tinha momentos que ele estava amarelado todalmente fora da cena, ficando bem fake, parecendo efeitos do chaves quando encontrava o chapolin.

sem_registro
Jonathan Silva
9 anos atrás

A PREPOTÊNCIA DO GOLIAS HOLLYWOODIANO

"Alien 3" foi o primeiro da série que assisti. Eu era garoto, tinha menos de dez anos, vi dublado na Tela Quente. Se dependesse só daquele longa-metragem, dificilmente eu me tornaria o fã da série (a qual foi fundamental para que eu me tornasse cinéfilo) que sou hoje. Tinha algo ali que já me interessava razoavelmente, relacionado principalmente ao 'design' muito singular do monstro e ao rosto expressivo de Sigourney Weaver, sempre uma mulher forte e resiliente na tela como tenente Ripley. Mas nada que me chamasse a atenção, até que eu conhecesse por VHS, vários anos mais tarde, os outros três da franquia - todos eles muito queridos por mim até hoje.

Já assisti todos os making offs produzidos direto para DVD em 2003 (o dos filmes 1 e 2 há pouco tempo, mas o do quarto há mais de dez anos). Também há coisa de um ano atrás, revi "Alien 3", dessa vez na versão estendida. Conseguiu melhorar no meu conceito e achei pelo menos um filme razoável (embora ainda muito aquém dos outros). Sempre tive uma dificuldade grande de entrar no clima e gostar especificamente desse terceiro longa - a ponto de, quando eu fazia a 'maratona Alien' aqui em casa, só assistia (na ordem cronológica) os outros três, simplesmente ignorando o terceiro, que realmente destoa muito dos outros, sendo particularmente incoerente com relação ao segundo, já que simplesmente mata sem choro nem vela TODOS os sobreviventes da 'Sulaco'.

Qual não foi minha surpresa, portanto, em constatar que "Wreckage & Rage" (o título inicial do documentário seria "Wreckage & Rape" - destroços e estupro, talvez até como metáfora do que o estúdio fez com o filme) acabou sendo, ironia das ironias, meu favorito dos quatro longos e detalhados documentários realizados pelo diretor Charles de Lauzirika para divulgação direto em DVD, como conteúdo extra de um 'pack' com toda a quadrilogia. Ou seja, o pior filme da série foi o que rendeu o melhor documentário! E tal como o próprio filme, por motivos que vou explicar abaixo, o documentário em si mesmo é politicamente problemático para o estúdio, colocando o dedo numa velha ferida, a ponto de a Fox ter cortado 30 minutos da edição final dele para lançamento em DVD, o que gerou revolta no diretor Lauzirika e o fez assinar sob o pseudônimo de Fredrick Garvin - conflito que simplesmente não aconteceu em nenhum dos outros três documentários da quadrilogia, lançados na íntegra e com o nome correto do diretor nos créditos. A versão integral com mais de três horas foi lançada em Blu-Ray, mas ainda não assisti.

O que se comenta muito sobre esse making off, em parte com razão, é que ele seria uma espécie de 'redenção' do então estreante David Fincher, que começou com o pé esquerdo em Hollywood, após a carreira na televisão filmando videoclipes. Não sou exatamente um admirador de Fincher (embora eu goste bastante de "Seven" e um pouco de "Zodíaco" e "Benjamin Button"), que eu considero um sujeito meio poser e forçadamente 'fatalista' (defeito que, por exemplo, gente como Michael Haneke e Lars von Trier também possui), de modo que essa investigação dos bastidores, a meu ver, não chegou a redimi-lo totalmente. Há sim erros do próprio Fincher no resultado final, até porque ele era um cineasta ainda 'verde' e sem nenhum traquejo para uma produção gigante como aquela, ainda mais pegando o bonde andando como pegou. Acho que faltou, entre outras coisas, um olhar mais atento dele aos efeitos visuais, que já eram péssimos em 1992 e hoje, então, estão medonhos de tão datados - lembrando que os outros três diretores da quadrilogia eram muito presentes nesse aspecto do pós-produção, especialmente Cameron.

Dito isso, todavia, é verdade que ele foi bem menos responsável pelos (vários) defeitos da narrativa do que se supunha. Já começa sendo irônico pelo fato de que Fincher foi o ÚNICO dos quatro diretores que não brigou com ninguém nem do elenco, nem da equipe (nesse sentido, ele é quase o oposto de Cameron, sempre encrenqueiro e exigente demais). Pelo contrário, TODOS os envolvidos na fase de produção e pós-produção, em especial a própria Sigourney Weaver e o resto do elenco, entoaram mil elogios a ele nas entrevistas, tanto nas recentes quanto antigas, que aparecem no making off. O cara era de uma gentileza, discrição e polidez imensas, chega a ser até estranho que produza filmes de temática tão pessimista. Mas saiu visivelmente (e até compreensivelmente) magoado dessa produção, tanto que foi o único dos quatro cineastas que não aceitou o convite de dar entrevista para os making offs. Felizmente, abundam imagens de arquivo dele trabalhando diretamente nos sets ao longo do documentário.

Os problemas de "Alien 3" já começam pela verdadeira zona que o estúdio fez na pré-produção, quando estava tudo praticamente acertado com o diretor Vincent Ward, o qual topou dar entrevista para "Wreckage & Rage" e explicar na íntegra como tinha imaginado sua história para o que seria a sequência de "Aliens". O sujeito queria filmar um roteiro estranhíssimo envolvendo um planeta artificial que funcionava como monastério, sendo uma espécie de "Alien na Idade Média"(!!!). No final, já tendo topado a parada e às beiras de dar sinal verde à produção, a Fox resolveu simplesmente jogar a ideia no lixo e tirou tanto o diretor quanto o roteiro da jogada em cima da hora, substituindo pelo desconhecido David Fincher. Por mais que o próprio Ward diga que não há nada da narrativa que ele imaginou na versão final, o fato é que há sim muitas semelhanças, inclusive a premissa de começar já matando os sobreviventes do segundo e toda a farofada boba de 'fanatismo religioso num ambiente exclusivamente masculino'. Também já havia a temática da 'gravidez' e suicídio. A mudança essencial, no fim das contas, foi só terem convertido o ambiente de monastério para prisão.

Nessa lambança toda, a Fox botou Fincher pra começar a etapa de filmagens... SEM ROTEIRO PRONTO! Tiveram que se virar pra filmar cenas, em sets caríssimos, que poderiam simplesmente ser rasgadas do roteiro (e na edição final, por tabela) ainda antes do desfecho das filmagens. O estúdio quis ganhar tempo encurtando justamente a fase de pré-produção, o que se revelou um erro imenso em termos de acabamento artístico, já que a narrativa claudicante, com um monte de erros, é fruto desse apressamento inicial, passando por cima até da necessidade de ter um roteiro definido. Chegaram ao ponto, tamanha a confusão, de ter que mandar Sigourney Weaver, já com cabelo crescido de novo, de volta pro set de filmagem usando uma 'careca falsa' concebida pelos maquiadores. Lambança total, uma aula de como NÃO fazer cinema.

E a coisa não parou por aí. Depois de findada a primeira montagem do filme - que hoje é a 'versão estendida' disponível em DVD - a Fox decidiu mutilar o filme deixando um monte de cenas cruciais de fora, principalmente as que envolvem a prisão do monstro (na versão que foi para o cinema, isso nem chega a acontecer) e o sumiço inexplicável de um dos personagens amalucados, que literalmente idolatra o alien. Com isso, pegaram o resultado de uma produção já conturbada e errante pra simplesmente promover um corta-picota, à revelia do diretor, que deixou um punhado de reviravoltas sem sentido, pela metade ou intrusivas. Por esse viés, "Alien 3" acaba sendo o oposto do que aconteceu nos bastidores de "Brazil, o filme", no qual o diretor Terry Gilliam conseguiu uma vitória importante sobre o produtor Sid Sheinberg, como narrado no ótimo livro "The Battle of Brazil", de Jack Mathews. Se no filme de 1985 David venceu Golias, no terceiro "Alien" temos uma vitória acachapante do Golias hollyoodiano representado na palavra final do estúdio, triunfante sobre a do artista.

Além dessa história de produção e pré-produção maluca do filme, há um monte de outros detalhes interessantes revelados em "Wreckage & Rage". O diretor de fotografia Jordan Cronenweeth (de "Blade Runner"), que era reverenciado por Fincher, teve que parar o trabalho no meio e ser substituído porque padecia de Mal de Parkinson. Já o compositor Elliot Goldenthal (que fez um excelente trabalho e é o único ponto realmente forte de "Alien 3"), ao que parece, tretou com o pessoal da mixagem de som acerca do que deveria ter prevalecido mais em algumas cenas, se os efeitos de som ou a música. Goldenthal disse com todas as letras que saiu descontente do resultado final.

Mesmo que você, como eu, não tenha gostado de "Alien 3", vale a pena conhecer "Wreckage & Rage" para entender os mil caminhos que o filme poderia ter tomado, principalmente na pré-produção, antes de virar aquela bufonaria audiovisual que foi aos cinemas em 1992. E entender como a pressão de uma franquia que vinha de dois filmaços, mas aqui sucumbia à indecisão do tom que deveria ser adotado num longa-metragem que nem roteiro pronto tinha quando foi filmado, acabou sucumbindo ao peso do estúdio e da montagem final de meia-dúzia de engravatados que não entendem nada de cinema, visando só alguma fórmula 'mágica' pra tentar ganhar dinheiro fazendo o que lhes parecer mais previsível e menos arriscado. No final, acabou sendo um tiro no pé pra todos, visto que não fez sucesso nem de público e nem de crítica. Resta agora a expectativa de, quem sabe, conseguir assistir a versão ainda maior desse ótimo documentário na versão lançada em Blu-Ray.

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David Fincher

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