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“O rio Xingu não obedece leis, ele vem restaurando e ressuscitando espíritos contra todo o mal a quem o fez”, profana Dona Raimunda, que, com seu machado de duplo fio, separa o bem do mal. Sua luta revela a dura realidade de segregação enfrentada por ribeirinhos, beiradeiros e indígenas na Volta Grande do Xingu, em Altamira (PA), desde a construção da Hidrelétrica de Belo Monte.
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Jogos Vorazes: Amanhecer na Colheita
Um amigo crítico disse-me que este é o tipo de filme que cresce bastante após o debate. Não apenas concordei de imediato, como quis muito participar da conversa sobre ele, mas estava trabalhando, não pude... Seria a oportunidade ideal para compreender melhor algumas situações que são apenas indicadas no filme, por motivos variegados. Afinal, a opção por centrar a exposição numa personagem resistente e defensora da alegria como ferramenta de batalha não interdita o extremo caráter político, combatente e denuncista da produção, no que tange a acordos escusos e destrutivos realizados durante o segundo mandato da ex-presidenta Dilma Rousseff e a benefícios sangrentos aceitos por comunidades indígenas maltratadas, ambos alvo de falas revoltosas da protagonista real deste documentário. Há algo de "mal-feito" na obra, conforme reclamado por alguns exegetas (o erro de grafia em "árvoresz", numa legenda, revela um desleixo mui problemático), e os contornos da imagem nem sempre são bem explorados. Mas, ainda assim, a personagem é tão forte, que o filme cresce a partir dela, enquanto extrema força centrípeta. Quero revê-lo, aliás. Não é uma produção confortável - nem no que expõe, nem como o faz -, mas extremamente necessária na conjuntura hodierna de assombros partidários. Um Brasil conveniente ignorado pelos interesses midiáticos é descortinado aqui: é uma obra que há de crescer com o tempo, tamanha a sua urgência discursiva. O monólogo final é devastadoramente lindo! (WPC>)