A jovem e dedicada Kikuko, sofrendo em silêncio a indiferença e infidelidade do marido, estabelece uma relação de grande ternura e proximidade com o sogro. Quando, após alguns anos de casamento, finalmente engravida, toma solitariamente a dolorosa decisão de abortar. Adaptado de um romance de Yasunari Kawabata.
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Adaptar o cotidiano familiar do Japão pós guerra é assunto batido por todos os diretores famosos do país e sempre rende bons filmes, com a presença da Setsuko Hara então não tem nem o que dizer, Naruse adapta uma família em que todos tem seus problemas para variar, os único com que Kikuko se da bem é o sogro, a sogra reclama que o marido queria era casar com sua irmã e não com ela, seu marido Shuuichi tem uma amante e não liga muito pra ela, chamando de criança, sua cunhada Fusako acaba de fugir de casa por causa do marido drogado e sente muito ciumes do relacionamento de Kikuko com seu pai, além da filha pestinha parecer odiar a tia, Kikuko parece aceitar tudo de boa e até passiva demais, mas não é esse bem o caso, no final não fica bem explícito se a relação entre nora e sogro era paternal ou tinha algo a mais, tanto que quando os sogros decidem se mudar é que Kikuko começa a tomar atitudes para se livrar do marido, pelo menos eu interpretei assim, mais uma boa adaptação do diretor.
Setsuko Hara é fantástica...que mulher!!! como ela cai bem no papel de da mulher sofrida. Não tem como não sentir as dores dela...
Importante e sensível drama do Naruse sobre a estrutura familiar japonesa da década de 50, a quebra de valores tradicionais, a sensação de impotência do patriarca ao ver a nora sofrer nas mãos de um filho indiferente, e uma certa busca sua por redenção e perdão. "O Som da Montanha" encanta e forma um nó na garganta através de seus personagens muito bem construídos e pela consistência que confere às suas relações agridoces. Setsuko Hara parece que vai 'quebrar em cena' tamanha a fragilidade de sua protagonista. O equilíbrio entre a força e a sensibilidade interior dos personagens é o que implicou a minha melhor experiência com o cinema de Naruse até então.
Naruse até o momento era um diretor desconhecido para mim e confesso que como primeiro contato, a proximidade e semelhança com o cinema de Ozu me gerou uma certa dúvida, já que este filme de Naruse funciona mas nunca parece atingir o nível de brilhantismo e apego que os filmes de Ozu possuem.
Tenho um nó na garganta com os finais pessimistas do Mikio Naruse do que tinha visto até então, por conta de uma condescendência final que sinto que vai além do pessimismo, e isso depois de ele nos encher de esperança com personagens femininas numa condição estruturante da narrativa e de postura sempre muito surpreendentes, que é novidade mesmo comparando aos seus contemporâneos conterrâneos. Mas aqui, que potente, que dimensionamento de um problema tao violento e invisibilizado, sem atenuar culpa como de praxe o Naruse faz. Seguindo pra atualizar essas impressões, me fez reacender o interesse.