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O ex-condenado Kermek e sua amada Eva querem deixar para trás suas vidas criminosas nos estepes do Cazaquistão. Ele tem um sonho: construir um cinema nas montanhas. O amor de Kermek por Alain Delon será forte o suficiente para mantê-los longe das garras violentas da máfia?
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Apesar de se vender como comédia, Yellow Cat pouco convence nesse gênero, talvez por conta de uma assinatura regional, com exceção das cenas em que o protagonista imita diferentes coadjuvantes ao longo da história (apesar da imitação ser a mesma). Ainda assim, o filme mergulha em uma narrativa mais profunda e, numa releitura, poderia facilmente ser classificado como drama.
Recém-saído da prisão, Kermek só queria recomeçar ou, pasme, fazer o que gosta e ser feliz ao menos uma vez, algo que pode ser um desafio em muitas realidades.
Quem produziu o filme sabia exatamente o que estava fazendo. Os enquadramentos são precisos (e sempre estáticos), os personagens se deslocam com marcações afiadas, a cenografia é simples, mas bem utilizada, e a trilha é praticamente inexistente, um vazio silencioso que se preenche de tal forma que só percebemos sua ausência ao final.
Nada disso, contudo, é suficiente para compensar um roteiro arrastado, com diálogos rasos e a presença de uma personagem feminina sem profundidade, tratada como um acessório narrativo. Sua única função parece ser enaltecer o protagonista, sem que lhe seja concedido qualquer espaço real de desenvolvimento (protagonista que, por sua vez, parece incapaz de carregar esse fardo).
Um dos poucos exemplares que assisti do raro cinema do Cazaquistão com raros toques de humor dentro de uma realidade violenta e universal. Serve como referencia mas não agradará a todos não!
"Eu vivi uma vida de cão, quero fazer algo ao menos uma vez. Quero construir um cinema ali nas montanhas."
Yellow Cat #SaryMysyq de #AdilkhanYerzhanov Cazaquistão,2020.
Você já assistiu uma comédia do Cazaquistão? Não estou falando de Borat, estou falando de um filme vindo de lá, com sua cultura, com seus artistas. Eu nunca tinha visto algo como Yellow Cat, uma comédia do Cazaquistão. É imperdível.
O cinema nos faz sonhar, e é desse sonho que vive o protagonista Kermet e sua amada Eva. Ambos querem deixar para trás o passado de amarguras.
O sonho de Kermet é construir um cinema no alto da montanha de um vilarejo e ali exibir filmes com os quais ele sonha em assistir, como O Samurai com Alain Delon que ele tanto ama mas nunca conseguiu ver o final, Kermet sonha em ver o final de um filme.
É na busca pela felicidade que nossos anti-heróis vão em frente num filme tão mágico quanto sua premissa.
Imagens exuberantes fazem nossos olhos brilharem e seu final triste é uma das mais belas homenagens ao cinema e aos excluídos do mundo que aqui dentro da tela podem sonhar com o que quiserem.
O longa está no catálogo do MUBI!
Com: Azamat Nigmanov, Inna Smailova, Kamila Nugmanova.
Indicado para uma das premiações dentro do festival de Veneza, este filme conseguiu me cativar, talvez porque me remeteu em vários momentos ao filme Amor à Queima Roupa de Tony Scott. Há inúmeras referências, inclusive a trilha sonora composta por Ivan Sintsov e Alim Zairov serve como memória afetiva para quem cresceu vendo o filme americano, como eu. Mas engana-se quem achar que é um plágio simplesmente, o filme serve tanto como paródia como denúncia para a realidade no Cazaquistão, e vai se desenrolando com uma crueza e uma fábula que parece até dirigida por Terry Gilliam. Não vou dar spoiler, mas após ponderar dias sobre o desfecho, acho que foi bem satisfatório para a mensagem que o diretor queria passar. Talvez se o personagem principal não fosse tão lesado o filme renderia diálogos mais interessantes, mas as imagens compensam, e muito, esse deficit.
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Poxa, mereciam um final melhor