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Na cultura Mossi, um dos ritos presentes no nascimento de uma criança e em sua indução como novo membro da comunidade envolve o enterro da placenta. O espaço em que a placenta é enterrada é chamado "Zan Boko" - uma frase que conota as relações religiosas, afetivas e culturais que ligam a criança à terra e que compreende as noções de enraizamento e pertencimento. Kaboré conta a história de Tinga, que resiste à urbanização invasora de seu território nativo. Os ritmos específicos e a visão da comunidade rural, incluindo seus valores, suas relações sociais e os destinos coletivos e individuais, são alterados quando uma cidade é plantada no limite de uma antiga vila nativa.
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O preço do processo "civilizatório" (com muitas aspas).Nopoko, ao ser consultada por Tinga, observa: "Sabe muito bem que o problema está além de mim. Não é como
vender sua terra...Estaria traindo tuas mais profundas convicções." A crença e o respeito aos ancestrais, a terra como grande elo, não um mero recurso onde se investe ou se extrai lucros. É uma ruptura, um mundo que se despedaça, com um arco narrativo que em alguns momentos lembra a obra do grande escritor nigeriano Chinua Achebe. O homem e a mulher tradicional que veem seu mundo ruir diante dos seus olhos, como nos versos do violinista: "Nossa terra está morta, assassinada pela grande cidade.Nossos antepassados, são sem casa.O monstro triunfou." Os costumes se tornam indesejáveis, e a grande lei do estado-capital (O monstro) impera de fora. É uma narrativa especialmente africana: profunda e sem dramas.
Primeiro filme do Kaboré que vejo. Comecei bem, filmaço.