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Data de lançamento
17 Maio 2008Duração
A fábrica estatal 420 e seus dormitórios populares, que existem há 50 anos na província de Chengdu, na China, estão sendo demolidos para dar lugar ao condomínio 24 City, um complexo de apartamentos de luxo. Acompanhamos as histórias ficcionais de três mulheres cujas existências foram marcadas pelo trabalho na fábrica. Paralelamente, cinco homens que fizeram parte da vida destas mulheres dão seus depoimentos reais para a câmera. De três gerações diferentes, as memórias destes trabalhadores confunde-se aos poucos com a história da China.
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Projeto com altos e baixos,mas o pontos altos consegue chamar muito mais atenção.A narrativa em forma de falso documentário é bem utilizada e segue com bons momentos até o final.
>Assistido em 29 de Abril de 2022
-Dou nota 8/10
- 7/10
- documentário bem emocionante
- sobre como a vida das pessoas foi impactada ao trabalhar na fábrica e também a de seus amigos e familiares
- também é sobre a modernização da china
- só não sei se as histórias são reais
Ainda que se trate de um documentário, é possível observar fortíssima influência realista no sentido de que, por meio da simples exposição da realidade, produz críticas às consequências da política de reforma e abertura planejadas e executadas dos anos 80 em diante durante a gestão de Deng Xiaoping. O ritmo do filme é conduzido por entrevistas com trabalhadores da fábrica 420 em demolição.
Muito interessante a proposta de buscar dar voz ao povo, à gente simples, ao proletariado, dentro de um contexto em que a luta de classes ainda se faz valer em uma China, que, dentro da perspectiva do socialismo com características chinesas, ainda reconhece que existe forte luta de classes dentro de si. Parte de uma premissa expositiva, popular e crítica - E não se trata de uma crítica à direita, mas à esquerda. Nesse sentido, o discurso do filme é extremamente válido e necessário até hoje, ainda que a desigualdade na China esteja sendo reduzida drasticamente desde 2013, quando Xi Jinping assume o poder (vide a erradicação da pobreza extrema neste ano, reconhecida por dados de instituições do Ocidente, como o Banco Mundial).
Quanto à estética, a fotografia é muito contemplativa, cheia de tomadas muito bonitas para se observar a realidade nua e crua. Dentro de uma certa feiura urbana, construções sucateadas que clamam por reformas e pinturas, uma beleza é encontrada.
E as "características chinesas" não podiam deixar de estar presentes. Cada encerramento de entrevista com cada trabalhador leva à apresentação de poesias que possuem um significados sinérgicos com a vida de cada trabalhador. A poesia é, possivelmente, o gênero literário mais valorizado na China desde a Antiguidade.
Arrebatador, potente, sincero e necessário. Esse é um dos filmes chineses mais bonitos que já assisti.
As primeiras obras ficcionais de Jia Zhang-ke flertam com o documental, em "24 City", é a vez do documentário flertar com a ficção. Dizem que lembra "Jogo de Cena", do Coutinho. Em alguns aspectos até concordo, no entanto, a ambição/proposta deste filme é um tanto quanto maior. Jia continua a incansável missão de registrar e refletir sobre as constantes transformações da China moderna. Foi um prazer conhecer a história da fábrica estatal 420, através de depoimentos bem distintos, mas emocionantes, sejam eles reais ou não. Durante os anos de 1950, aquele complexo era "o mundo" de muitos trabalhadores. Como lembrado em um depoimento, eles tinham cinema, quadra para praticar esportes e, durante o verão, fabricavam o próprio refresco. Triste é ver essa memória coletiva cair por terra, para dar espaço ao condomínio de luxo 24 City.
Nossa, só o Phelipe viu? Lembro que esse filme passou em um Festival do Rio, 2009, provavelmente, e um amigo gostou muito. Não consegui ver. Achei hoje online por acaso. Um filme muito humano, quase sempre triste, que vidas tão cinzentas daquelas pessoas! Em alguns momentos, achei um tanto cansativo, mas, no geral, gostei. A trilha sonora, de fato, é linda, muito delicada.